Community (3×14) – Pillows and Blankets


Passado o extase do retorno de Community, ainda faltava um daqueles episódios referencias audiovisual (“Digital Exploration of Interior Design”foi feito por referências literárias), tão adorados pelos fãs. “Pillows and Blankets” não só supre essa falta como é um dos episódios mais inteligentes, engraçados e sensíveis de toda a série. Uma obra de arte comparável a Remedial Chaos Theory.

Foi muito simples perceber que seria um episódio referencia, pois o primeiro plano é um crédito da Greendale Produções. Os próximos planos são constituídos por uma narração, penas voam em câmera lenta e zooms pelos corredores da faculdade. As fotos iniciais dão um aperitivo da “carnificina”, com direito a rostos de raiva e sofrimento. Fotos de arquivo, entrevistas em Talking Heads (câmera estática filmando a parte de cima do entrevistado), câmeras tremidas, tudo dividido com a narração em Off. Ficou fácil que o episódio seria um documentário de Guerra.

Fiquei apreensivo, pois conheço muito pouco de documentários de guerra. Lembrei-me dos filmes do Michael Moore e do ótimo seguimento de Danis Tanovic em 11/09 (documentário em que um  exilado do Chileno fala do golpe de estado que coloca Pinochet no poder). Foi com essas poucas referencias que me joguei nesse incrível episódio.Aos poucos percebi que o gênero é muito mais enraizado do que julguei, tornando possível compreender toda a evolução do episódio sem problemas, mesmo para quem teve pouco contato com documentários.

Ao episódio, inicialmente se confirma que a promessa de Abed no episódio passado e a briga entre os amigos alimenta uma guerra de travesseiros épica envolvendo muitos alunos. A edição opta por focar nos microcosmos dos integrantes do grupo “sobrevivendo” nesse ambiente hostil. Esse hostil é sem parênteses mesmo, pois as fotos e a narração são tão convincentes que era estranho não ver o ambiente como sendo de guerra.

As primeiras imagens pós titulo demonstram que será um crescendo clássico, que inicia calmo e tem viradas que aumentam a tensão entre os generais até um clímax e uma resolução mais calma (Essa é uma estrutura de ficção evidenciada por Joseph Campbell, mas que funciona muito bem em documentários). O Dean Pelton explica que a equipe de filmagem de Greendale está filmando um documentário sobre o recorde que inicia a briga entre Troy e Abed, há toda uma cena para introduzir os motivos de ambos. Uma série qualquer usaria as imagens do episódio passado e pronto, mas não só Community criou novas fotos, como deu novas facetas para as cenas do episódio passado, com novos ângulos e estética documental. Incrível essa atenção aos detalhes.

A evolução é perfeita, passando por citações, fotos, momentos de tensão pré e pós guerra. Todas as participações de Leonard são hilárias, Shirley é ótima como general “Bad-ass” do exercito de Troy, Chang tem seu primeiro bom momento como chefe dos Changlorious Bastards, até Pierce tem um bom momento como a arma secreta de Abed (referencia a Ghostbusters?).

Incrível também é o quão profunda é a relação dos roteiristas com seus personagens, pois todas as situações são criveis com as personalidades de cada um. Em uma das seqüências iniciais o narrador cita cada um dos integrantes do grupo e diz seu papel na guerra, repare como todos eles seguem o caminho mais condizente consigo: Jeff como um manipulador egoísta (ele faz a pose de Napoleão em frente as tropas), Annie como a bondosa enfermeira de guerra e símbolo sexual (a câmera foca nos peitos antes de abrir o quadro), Shirley como a mãe dedicada com seu darth side (já visto em “Foosball and Nocturnal Vigilantism”), Britta como a fotografa desastrada (Sempre tentando mostrar os males do mundo, mas sem talento nenhuma para tal), e assim por diante. Em todas as citações que o narrador atribui aos personagens é fácil acreditar que eles poderiam dizer tais coisas.

Troy e Abed evoluem muito bem até a resolução da guerra e o pedido de desculpas. Foi realmente bonito vê-los lutando porque era a ultima coisa que fariam juntos, era melhor brigar do que não ter qualquer relação, esse foi um momento muito legal. Jeff coroa esse momento entre os dois amigos, evidenciando a sua própria jornada de transformação durante o episódio. Claro que, principalmente no caso do Jeff, as coisas não mudam da água para o vinho de uma hora para outra.

Uma obra de arte de Community, mais uma prova de que essa é a melhor comédia em exibição.

 Artigo escrito por: Murillo Martins

2 thoughts on “Community (3×14) – Pillows and Blankets

  1. Episódio simplesmente magnifico, perfeito em todos os sentidos…

    Não sei o que escrever sobre este episódio, fora tudo tão fantástico, tão soberbo que me encontro sem palavras para descrevê-lo…

    Community em um dosseus melhores momentos…

    Atts

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