Fringe (5×07) – Five-Twenty-Ten


“Não sei se isso é suficiente”

Este foi de fato um episódio diferente dos demais. Um episódio que abriu caminhos, que senão administrados da maneira correta terão proporções irremediáveis. Tanto Peter quando Walter atravessam por momentos difíceis e a afirmação de uma das mais importantes personagens da série a dizer que o amor pode não ser suficiente diz muito a respeito de como as coisas serão daqui pra frente.

Olivia por sua vez estará no centro e mais uma vez a protagonista será testada ao extremo, afinal estamos a frente da vingança e da soberba que cegam um filho e seu pai. Considerando que ela encontrara certo equilíbrio com seus sentimentos, ficamos a pensar como ela reagirá quando perceber que aquele que permitiu amar e que a ama, dia a dia, agora está mais distante do que esteve quando desapareceu do universo sem deixar nenhum rastro. O distanciamento não é físico e sim da alma e é sobre isto que “Five-Twenty-Ten” retrata ao abordar o buraco negro no coração e mente de Peter Bishop e Walter Bishop.

Logo de inicio vemos as transformações comportamentais de Peter, este que nitidamente tem vagado noites para descobrir cada vez mais informações a respeito da rotina dos Observadores. A sequência inicial foi simplesmente genial, provando que com a tecnologia dos carecas, Peter consegue prever os eventos que acontecerão, assim conseguindo efetivamente mexer seus “palitos”, tudo isto com a ajuda de Anil que retorna para dar seu apoio.

Depois dele ficar fora do laboratório pois precisava buscar mais neon de hélio para o laser, Walter consegue retirar a fita #5 de dentro do âmbar. A pista deixada agora é a respeito de dois cilindros que foram guardados dentro do deposito de Bell, porém sua localização foi comprometida a mais de vinte anos. Mesmo sem explicar exatamente como todos foram ambarizados, este momento vem a explicação mais lógica para a repentina ação de Walter. Contando com a ajuda do até então amigo cientista, Walter seguia meticulosamente os passos de seu plano, porém nunca imaginou que Bell viraria-se contra ele, mostrando ser um aliado dos Observadores, fato que o obrigou a fragmentar então sua mente e naturalmente colocar todos no âmbar, juntamente com a mão de William, que viria a ser útil para eles recuperarem os cilindros.

Continuando a seguir as pistas, chegam até o local do deposito porém este se encontra totalmente tomado por escombros devido a destruição do local, o que os fazem ter que recorrer para uma sumida aliada. Nina Sharp faz sua primeira aparição neste última temporada e assim como Broyles, tem um emocionado reencontro com Olivia, o que prova como a agente fortaleceu suas relações ao longo do tempo, para além claro das pessoas mais próximas e com elo mais forte a ela.

Com um visual mais moderno e dotada de cabelos brancos afinal a idade chama, Nina revela sentida por tudo que aconteceu com Etta, afinal conhecia a garota e sabia quanto ela é especial (ainda não consigo falar no passado). Seu papel nesta fase do plano é fundamental para que eles consigam ter acesso aos cilindros, tudo isto porque como Ministra da Ciência possui a tecnologia necessária para “sublimar” os escombros sem que a estrutura principal seja prejudicada, mas tal técnica traz alguns efeitos, entre eles o de acionar os Observadores, que perceberão o uso atípico da tecnologia.

Devido a sua história com os dois cientistas, Nina pergunta se Walter tem sentido alterações em sua personalidade, o que o faz retomar o assunto que ele tivera com Peter ao final do último episódio. Considerando a atitude extremada que teve ao remover porções de seu cérebro, encara a dura realidade de sucumbir mais uma vez ao homem que fora outrora, mas diferente de antes, acredita que o apoio e amor de Peter pode impedir que isto aconteça.

“Conheci o homem que você foi. Você e William testaram os limites da ciência e do universo. Vocês sentiram o poder limitado que advêm da onipotência. Vocês sentiram o que é ser Deus”

Não é segredo algum que Nina Sharp ama William Bell, porém a intensidade deste sentimento é colocada a prova em sua conversa com Walter, inclusive de maneira bem cruel. Apesar dele afirmar que o filho irá salvá-lo, Nina diz que também sentia isto em relação a Bell, que seu amor seria capaz de colocá-lo de volta a realidade, mas mesmo abnegada a este proposito não foi suficiente, o que resultou que Nina teve que “deixar” Bell ir de uma vez por todas, ou seja, seu verdadeiro eu sobressaiu perante o mais intenso dos sentimentos humanos.

Walter com o passar do tempo foi se suavizando, muito disto devido a sua aproximação com Peter, assim se antes se via um cientista mergulhado em seu próprio ego, agora aprendera a viver em harmonia com as pessoas, mas em face de recobrar seu antigo eu, volta a ser frio, afirmando que ela não conseguiu salvar Bell porque ele nunca a amou e que isto nunca aconteceria com ele, afinal Peter o ama.

Agora como podemos esquecer como viraram o queixo para Joshua Jackson quando a produção de Fringe confirmou sua contratação como um dos protagonistas da série. Considerando seu histórico teen tanto na tv quanto no cinema, o ator realmente tinha a frente um grande desafio, assim como Anna Torv, totalmente desconhecida e John Noble, respeitado por sua carreira nas telonas. É difícil dizer qual destes três excelentes atores mais se transformou à suas personagens, afinal cada ciclo da série destacou suas capacidades. Joshua continua a exceder expectativas, agora acredito numa nuance totalmente diferente, com o despregar de Peter de sua humanidade, algo que tende a se arrastar até o final definitivo de Fringe.

O plano dele é direto e reto, mesmo que Anil a principio não entenda porque  é necessário “observar” o observador e o fato dele deixar ou não a inseparável pasta para trás. Percebendo que algo foi alterado na variável dos eventos, Peter deixa o grupo para trás, partindo para resolver ele mesmo a situação, mesmo que os efeitos colaterais de sua transformação continuem a afetá-lo. O padrão é acompanhar os movimentos dos principais ativos de Windmark, resultando na entrada ao restaurante até a saída e chegada do outro careca. Atento a movimentação, Peter consegue fazer a troca das pastas, o que resulta num impactante acontecimento, que nos remeteu aos primórdios da série, mais precisamente ao episódio piloto.

Sabendo que os três principais carecas iriam se reunir após o “almoço” – irônico ver um Observador a degustar uma refeição – Peter, o careca, consegue concluir seu macabro plano que nada mais foi do que colocar a substância corrosiva dentro da pasta, esta que havia trocado com sucesso. Aqui fica uma analogia as vitimas derretidas do voo 627 e de todo impacto causado pelos corpos deteriorados. E é assim que os carequitas ficam, literalmente de queixo caído não é mesmo?

Nada é feito ao acaso, então enquanto Peter retornava ao encontro de Walter, Olivia e Astrid, os Observadores se reuniam alvoroçados com a recém desgraça que os assombrava. Após entenderem o funcionamento do sublimador de substâncias, finalmente conseguem desintegrar os escombros, permitindo então que desbravem o depósito, começando por utilizar a mão de Bell.

Apesar de suas estranhezas e jeito mais frio, Peter tenta a todo custo disfarçar seu comportamento com Olivia, afinal sua amada está extremamente preocupada com suas sorrateiras saídas noturnas e claro as noites sem dormir, o que é justificável porque agora “é um careca” e tal luxo de descanso eles não possuem. Olivia mesmo que colocada de lado na jornada de Peter e Walter, servirá como uma espécie de bussola moral, afinal é a única pessoa que está com domínio pleno de suas ações e sentimentos, apesar do luto com Etta e os temores em perder Peter, estes que cada vez mais se acentuam.

“Belly usava a mesma combinação para tudo. Muito LSD acredito eu”

Ironias a parte a dizer que Bell tem problema de memória, Walter consegue decifrar a sequência, mas decepcionada nada encontra ali dentro, a não ser uma peça solta e uma foto de Nina Sharp, fazendo-o seu frio comentário. Agindo novamente por “instinto”, Peter ativa a peça e com ela os cilindros brotam do chão como num passe de mágica, um pouco fácil diria, mas as coisas precisam acontecer cedo ou tarde.

O episódio passado formou a palavra SPLIT e é isto que vem acontecendo entre eles, ainda mais quando Peter diz para cada um levar um dos cilindros, para assim não chamarem muita atenção. Mesmo com o olhar desconfiado, Olivia acata a decisão do marido, que dispara mais uma vez sozinho. Antes mesmo de voltar ao laboratório, Walter tenta concertar os danos que causara com sua última conversa com Nina, entregando então a foto que encontrou dentro do cofre, que naturalmente indica que ela foi sim importante para Bell e que ele a amou, porém não foi o suficiente para fazê-lo agir da maneira correta e humana.

John Noble sempre mostrara diferentes nuances de sua personagem, mas se antes interpreta dois Walters, a lembrar do Walternativo, vemos agora  esses dois aparentemente distintos homens presos num só, o doutor que aprendemos a amar e odiar por vezes. Contrário ao filho que vive num abismo de vingança e atitudes imutáveis, Walter está disposto a ir além para impedir que volte a ser quem era e num pedido desesperado, apela novamente para que Nina remova mais partes de seu cérebro, o que não sabemos se irá realmente acontecer, ainda mais agora que o plano de salvar o mundo parece avançar cada vez mais.

O momento que mais aguardei chegou e depois de muito tentar disfarçar sua condição, Peter revela sua verdade mais obscura a Olivia e o que ela temia, que era perdê-lo parece mais real do que nunca. Voltando ao apartamento, visualiza o quadro das linhas temporais, onde Peter organizou todos os eventos e cada passo dos principais Observadores. Interessante é sua explicação a respeito do padrão de segurança dos carecas, estes que raramente estão no mesmo lugar ao mesmo tempo, pois cada interação e cada segundo de seus dias é extremamente importante, por isto foi crucial conseguir manipular um dia de suas vidas e só pode fazer isto graças a tecnologia dos próprios, que implantara naturalmente nele mesmo.

Quão bizarro foi vê-lo a repetir a fala preocupada de Olivia, afinal ele consegue prever não só eventos futuros mas também pensamentos das pessoas que interage ou observa. As noites em claro provaram-se uteis para o andamento de seu plano, este que tem como objetivo final derrubar Windmark, o principal inimigo, ainda considerando que fora ele que matara Etta, o que ainda torço fielmente para ser mentira.

“Nos vamos vingar Etta, Windmark é o próximo”

Peter conseguiu derrubar três dos principais subalternos usando a mesma toxina que matara diversas pessoas do voo 627, aquele primeiro caso bizarro da Divisão Fringe. Com o baque da descoberta, somente saberemos as reações efetivas de Olivia no próximo episódio, que irá ao ar daqui duas semanas, no dia 07 de dezembro, ou seja, até lá sofremos de sua angustia, afinal sem poder contar com praticamente ninguém, o grande desafio começara agora, ainda mais se Walter também resolver seguir com seu plano dentro do plano, danificando ainda mais seu conturbado intelecto.

A musicalidade na série sempre foi um de seus pontos altos e esta forma de expressão sempre esteve associada a Walter, considerando o apreço do cientista por seus discos e sua vitrola. Viajando entre os objetos coletados do plano, “The Man Who Sold The World” de David Bowie é tocada para encerrar este tão intenso e interligado capitulo, que nos deixa a somente seis partes do grande final, mas aqui já venho a dizer que por agora Fringe continua a apresentar uma temporada sólida, digna de toda a filosofia cientifica e emocional da série.

Não sei se todas as respostas virão no dia 18 de janeiro, com o series finale, mas digo com toda a sinceridade possível que não estou a lidar bem com esta perda, assim como Peter não lida bem com a morte de Etta – se é que daria pra lidar –  e Walter com a possibilidade de reativar o seu “eu” de antes.

E se você se arrepiou com os cabelos de Peter a cair, assim como a viradinha mecânica tipica de um Observador, junte-se a mim, porque como diriam os bocas sujas “Agora a P$#%&*¨$ ficou séria”.

T-R-U-S-T

Olivia minha confiança reside em você minha cara. Resista, por Etta, por Peter, por Walter, por Astrid, por você e por todos nós……

Nós passamos pelo degrau, falamos sobre o que foi e quando.
Embora eu não estivesse lá, ele disse que eu era seu amigo,
O que veio como uma surpresa, eu falei direto nos olhos dele:
Eu pensei que você tivesse morrido sozinho, há um longo, longo tempo atrás…
Oh, não, eu não,
Eu nunca perdi o controle.
Você está cara à cara
Com O Homem Que Vendeu O Mundo.
Eu ri e apertei sua mão, e fiz meu caminho de volta para casa.
Eu procurei por forma e terra, durante anos e anos eu perambulei;
Eu fitei com um olhar fixo à todos os milhões aqui.
Nós devemos ter morrido juntos há um longo, longo tempo atrás…
Quem sabe? Eu não…
Nós nunca perdemos o controle.
Você está cara à cara
Com O Homem Que Vendeu O Mundo…

E a contagem regressiva continua: 13, 12, 11, 100908, 07, 06, 05, 04, 03, 02 e 01……

2 thoughts on “Fringe (5×07) – Five-Twenty-Ten

  1. li todos os reviews , porem nunca comentei nada vc Mary sabe bem Como eu sou, porem nao posso ficar calada diante disso! Eh uma sensacao Tao triste ver o Peter pouco a.pouco Se jogando nesse mundo de vendetta e ao mesmo tempo ver o nosso querido Walter beirando a Se tornar novamente uma pessoa q ele mesmo chegou oa Ponto de pedir para ser retirada uma parte do seu proprio cerebro para nao ser o q ele estava Se transformando enfim essa serie ficara marcada eternamente para mim, nao Como uma serie cientifica mais sim Como uma serie q explora o extremo do ser humano em todas as formas!

  2. Mary, parabéns, novamente acertou em cheio ao escrever o que sentimos a ver mais este episódio. CadÊ o Well Fernandes? Sempre é bom ler seus comentáriso tbém.

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