Fringe (5×06) – Through The Looking Glass And What Walter Found There


“Por favor, Filho, o que quer que aconteça, não me deixe ir. 
Não vou deixar Pai, eu prometo”

Conversando com um amigo este final de semana, cheguei a conclusão obviamente que cada um assiste algo por determinado motivo e no caso de Fringe, considerando a fase final que encontramos com a série, assistimos em busca de algo. Sejam respostas ou emoções, a produção de J.J Abrams estimula diversas reações naqueles que ainda a assistem, sejam elas positivas ou não ao ano conclusivo de sua jornada.

Sempre acompanho a mesa redonda do TV Fanatic e um dos colaboradores do site falou algo que realmente vai de acordo com isto, se formos analisar a trajetória de Fringe. Suas personagens, as centrais Olivia, Peter e Walter, apresentam-se numa especie de circulo, isto em termos de desenvolvimento de suas personalidades, ou seja, as associações humanas de cada um deles, suas transformações que tiveram ao interagir um com o outro os fazem quem são hoje.

Peter com Olivia e o quanto aprendeu a se dispor aos outros, mesmo que isto o faça sacrificar-se; Olivia com Peter e o quanto aprendeu a se entregar aos riscos e alegrias do amor, deixando pra trás certas dúvidas que sempre a controlaram e por fim Walter, que ao aproximar-se de Peter, percebeu que o perdão não é o objetivo final e sim somente mais um passo para o interminável caminho da reparação, principalmente quando descobre que como pai por vezes tem que deixar as coisas como estão.

E mesmo que “Through The Looking Glass And What Walter Found There” traz uma narrativa diferente da apresentada até então, mais cientifica, abrindo possibilidades para o inicio do fim, Fringe ainda está mais humano do que seu habitual. Foi bom ver novamente a capacidade criativa dimensional da série, buscando nas interações do passado certas respostas, mesmo que para isto tenham que ser minimamente decifradas. Walter Bishop dita o ritmo deste sexto episódio e é sua capacidade por encontrar respostas aos seus enigmas que o coloca mais uma vez no centro da trama, como a mente por trás da alma de Fringe, alma esta por vezes deteriorada com as chagas do destino e as mazelas da realidade a qual vivem.

Mazelas estão impregnadas na pele e enquanto Walter começa a desbravar a fita #7 que o leva um familiar porém enigmático endereço, Peter revive simultaneamente a holografia de Etta, um dos últimos registros da filha ainda em vida. A amargura de um pai bate em contrapartida com a segunda chance de uma mãe e é assim que ele e Olivia se encontram desde o ocorrido.

Desconfiada que o marido estaria no apartamento, Olivia o procura e se depara com a holografia de sua pequena grande menina, holografia esta que pede para que ele assista junto a ela, algo que reforça em que façam, pois por mais que ele queira encarar tudo sozinho, precisam estar em plena sintonia daquilo que passam e sentem, afinal estão nisto junto e devem passar por isto juntos.

Alguns estão a criticar a posição de Olivia perante toda a situação, seja por sua passividade ou foco na trama, mas o importante aqui é o quanto ela progrediu como mulher e mãe, em contrapartida a somente a agente abnegada a seu trabalho das temporadas anterior. Vemos aqui uma protagonista que abriu-se a possibilidade de viver numa família repleta de amor e mesmo que as fatalidades tenham lhe arrancado isto por agora, se permitiu ter uma segunda chance, chance esta que quer e muito que Peter também embarque, porém o que mais entristece é que quando ela finalmente se encontra como pessoa, Peter acaba por se perder e é o como ela irá reagir quando descobrir o que ele fez que a transformara mais uma vez numa peça crucial para a conclusão do plano e até para que Peter retorne a origem de quem ele fora outrora.

Walter assiste o vídeo e percebe que este dá lhe instruções junto a importante amigo,este que descobrimos ser o tal de Donald e mesmo sem lembrar de sua importância e participação no plano, sua ida até ao prédio,cujo andar está interditado a mais de vinte anos, o permite avançar nem que seja a passos cronometrados em busca de novas pistas para o fragmentado plano. Após completar a sequência de passos, o doutor se transporta para uma outra dimensão, mais uma grande viagem que só Fringe nos proporciona.

Preocupados com o desaparecimento de Walter, Peter, Olivia e Astrid partem a sua procura, porém contrário ao que Walter viu na fita, chegam até o apartamento seguindo as mesmas pistas coletadas por ele e é quando Peter recria a sequencia, arrastando consigo Olivia, descobri que a fita continua a ser reproduzida na outra dimensão, algo que não era possível aonde estavam.

“Há poucos lugares na terra onde 2 + 2 não é igual a 4”

Desbravando o que parece ser a reprodução daquele mesmo andar destruído na dimensão”real”, Walter esbarra com um dos moradores do prédio, porém enquanto este achou que ficara somente dias ali preso, na verdade passaram-se vinte anos, desde a explosão que destruiu o prédio, tempo que também bate com o período que Walter desmembrara o plano, antes de prendê-los no âmbar.

Inspirado em “Alice Através do Espelho e o que ela encontrou por lá”, Fringe nos faz viajar por sua própria filosofia atemporal e é através deste “universo de bolso”, muito bem exemplificado por Walter, que começamos a entender o proposito do plano e porque este fora dividido com tanta precisão e cuidado.

A lentidão dos Observadores ainda me impressiona e mesmo com estes a descobrir a localização de Walter, que é um dos procurados da resistência, os carecas ainda levam certo tempo para tomar as providências devidas, mas isto se torna justificável no decorrer, mas ainda assim é curioso perceber o modo operante deles como inimigos da trama, ainda mais quando descobrimos que Capitão Windmark naturalmente sobreviveu a explosão ocasionada por Etta minutos antes dela morrer.

“Parece algo projetado por Walter enquanto estava chapado”

Abismados com a capacidade de Walter em criar esta nova realidade, Peter e Olivia correm contra o tempo – que parece não passar por ali – para encontrá-lo e quando isto ocorre em meio aos diversos corredores, aos quais Peter parece bem a vontade para desbravar, acabam por encontrar Walter e este revela que a anomalia temporal interferiu na transmissão da câmera.

A continuidade da filmagem revela uma aparição interessante, a de que Walter e Donald não estavam sozinhos neste universo de bolso,  mas que estavam ali para proteger alguém, mais precisamente esconder o garoto observador, aquele mesmo que Olivia encontrara numa das missões subterrâneas da Divisão Fringe, aquele adorável garoto empático.

Segundo a segundo da fita, Walter e C&A começam a recriar os caminhos guiados por Walter, levando-os para um corredor com figuras nas portas, figuras estas bem familiares a nós fãs da série, afinal cada qual é um simbolo dos comerciais, seja o cavalo marinho, a mão ou a maçã com dois fetos no lugar da semente, objetos estes que ao final do episódio formam agora uma palavra importante. Aqui eles precisam encontram a porta da maça, pois é lá que deixaram o garoto.

O real proposito do garoto empático ainda é um mistério, alias até mesmo cheguei a pensar que ele fosse Setembro, afinal é o grande propulsor do plano junto com Walter. Se isto é ou não a resposta para tudo ainda não sei, mas o que aflige aqui é o fato dele não estar no quarto como imaginaria, o que faz Walter pensar automaticamente que Windmark descobriu a existência de seu “universo de bolso”, mas tal possibilidade é inviável até porque tudo está intacto desde que visitara o local pela última vez, restando somente Donald como a pessoa responsável por remover o garoto dali.

Olivia usando de sua percepção descomunal, repara que alguma coisa está diferente no quarto para além da ausência do garotinho e é este rádio que fora deixado pra trás, que não estava presente nas filmagens, que pode vir a dar alguma resposta sua nova localização.

“Sei o que você fez. Cometeu um grande erro”

Astrid que ficara pra trás pra assegurar que eles encontrassem Walter acaba sendo surpreendida com a chega dos Observadores, que com a vantagem que tem, facilmente visualizam a passagem para o universo de bolso, entrando em conflito direto com Olivia, Walter e Peter, este que consegue tirá-los de lá, com exceção de Olivia que teve um pouco de dificuldade a enfrentar um dos carecas. A facilidade com que Peter os tirou de lá chama a atenção, mas fica entendido que foi sua habilidade como “observador” que proporcionou isto, além claro de sua super força e velocidade quando mata um deles, atitude esta que acaba chamando atenção de Windmark, que vê Peter se desmaterializando.

Ai fica outra dúvida: como eles conseguem transitam de trem, como passageiros normais sem chamar a minima atenção, considerando que estavam sendo seguidos pelos Observadores? Capitão Windmark e trupi estão pra lá de lentos hein.

“Estou perdendo o homem que você me ajudou a ser”

Analisando os últimos acontecimentos, Walter reflete no seu antigo eu e seu eu atual, culpando-se pela morte de Cecil, o homem que ficara preso dentro de seu universo de bolso. Esta perda ao seu antigo eu parece aceitável, afinal conseguira de certa forma avançar com o plano, com aquilo que tanto queria, mas seu grande conflito interno é justamente o fato de achar que agira sempre com soberba e arrogância e agora, mais do que nunca, não se senti seguro consigo mesmo, com o rumo que sua mente está por dar, fazendo-o temer que volte a ser o homem que era antes.

Aqui aparece mais uma vez  este circulo completo das personagens e esta relação pai e filho é a prova mais do que concreta desta evolução, para além da ciência, o que Walter tem de mais humano, conquistara graças a seu relacionamento com Peter e vê-lo questionar sua essência mais pura e verdadeira, esta que seu filho enxergou nele após tanto custo é desesperador, principalmente por se tratar de um homem em constante conflito interno entre o certo e o errado, entre o fácil e o difícil.

“Não deixarei isso acontecer. Precisamos de você. Você é a nossa única esperança de derrotar os Observadores. Estarei aqui com você a cada passo do caminho”

Ver Peter chamar o Walter de pai mais uma vez foi um momento um tanto único e esta promessa de mantê-lo no caminho certo será um grande desafio pra todos, principalmente porque o próprio Peter está a seguir um caminho contrário ao que o pai e mesmo Olivia acreditariam que ele seguiria. Os efeitos colaterais já começaram a aparecer e agora com sua visão também alterada, Peter terá que refletir que o que fizera não terá mais volta, fazendo-o se adaptar ou se entregar completamente ao seu “novo eu”.

S-P-L-I-T

E a contagem regressiva continua: 13, 12, 11, 1009, 08, 07, 06, 05, 04, 03, 02 e 01……

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