The Walking Dead (3×04) – Killer Whitin


The Walking Dead me surpreendeu. Simples assim.
Desde o começo dessa Terceira temporada, a abertura da série excluiu a imagem dos personagens. Essa escolha foi feita para dar a impressão de que qualquer um dos personagens está a um passo da morte, o que faz sentido, pois sabíamos que na primeira e segunda temporada, por mais ameaçados que eles fossem, a série não mataria Lori ou Rick. Quando a abertura mudou, achei que a essência da série se manteria, deixando o casal protagonista intacto. “Killer Whitin” veio para me provar que pode ser uma série corajosa e que a mudança de abertura não é superficial como eu supus.

The Walking Dead tem um elenco sem grandes estrelas e essa é uma escolha que colabora com o clima que ela propôs para si. Como a constante ameaça de morte que ronda os personagens, destoaria ter um ator de grande nome que, de alguma forma, se tornasse imprescindível para a série. Qualquer um pode morrer a qualquer momento. A única que teve alguma “relevância” no mundo pop prévio a TWD foi a Sarah Wayne Callies (que foi a Sara de Prison Break). Por ser a única com nome prévio, achei que se a personagem morresse, seria em um final de temporada, em um episódio focado apenas nela, com direito a um grande sacrifício em nome do grupo. Achei que a série seguiria pelo cliché do heroísmo, e a morte de Lori ganha relevância exactamente pelo contrário, por ter sido focada em um momento banal proveniente de uma decisão aparentemente banal.

As primeiras cenas focam no como a prisão começa a se tornar um lugar seguro de se viver. É claro que essa impressão de segurança é completamente falsa (já é no mundo comum, imagine no Apocalipse zumbi) Logo a calmaria da nova vida em comunidade é destruida pela grande horda. Não deixa de me soar apressado colocar a prisão como o lar que eles tanto almejaram no mesmo episódio em que ela é destruída. Sobre isso, há um grande trunfo, a cena pré-créditos demonstra o quão frágil é a prisão (lugar que passa a imagem oposta), ao focar em Andrew destruindo toda paz que todos tanto lutaram para encontrar destruindo um pequeno cadeado.

Por falar no Andrew, o fato dele ter sobrevivido é o outro grande ponto positivo de “Killer Whitin”. Desde antes da morte do Shane tenho falado do como o Rick tem se tornado um sobrevivente impiedoso, é isso que foi questionado aqui. Ter deixado Andrew junto com o walkers, sem se certificar da morte do rapaz foi um momento de fraqueza digno do antigo xerife. Shane não teria aberto a possibilidade de que algo assim aconteça, ele teria matado todos os sobreviventes sem nem questionar, salvando assim a mulher amada e o filho. Rick ainda está a mercê do seu código de conduta, e é o culpado direto da morte de Lori, T-Dog e do fim da prisão como a terra prometida. Foi inteligente a série fazer questionar a forma como vemos o seu protagonista.

Lori morreu não em um ato de salvar o grupo, mas no instinto de mãe em salvar o próprio filho. Ela foi uma personagem antipática por toda a série e isso não mudou nos momentos que precederam sua morte, não houve um grande destaque, as coisas simplesmente aconteceram, mantendo o elemento surpresa. O ponto alto do fim da Lori foi o Carl, se tornando mais próximo Shane, ficando mais forte a cada segundo e tendo de pagar pelos erros do pai.

Se houve um defeito em “Killer Whitin” é a obviedade da história em Woodsbury. Já sabiamos previamente que a Michoone desconfiava do Governador e colocar o plot inteiro só para reiterar isso foi desnecessário. Não seria melhor focar esse tempo na prisão, que realmente é importante no episódio? Ou no principio de romance entre o Governador e a Andrea? Ou mesmo aprofundar mais na história do Merle, ao invés só de colocá-lo atrás do Daryl?

Mesmo que “Killer Whitin” não tenha o sucesso nos diálogos do seu antecessor, ele insere ótimos momentos para evolução para todos os personagens e faz repensar aquilo que achávamos o óbvio deles. O resultado é que esse foi um dos melhores episódios de The Walking Dead.

3 thoughts on “The Walking Dead (3×04) – Killer Whitin

  1. Quando penso que a serie não pode fazer cenas mais nojentas e macabras, eis que me supreendem e conseguem. Neste episodio foi a cena da “cesariana” da Lory. Não fiquei surpreendida por esta morrer porque a actriz tinha dito na Comic on que não via futuro na Lory e que era provavel que ela morresse.

    Achei muito precipitado terem de fazer a cesariana naquela altura. A Lory estava em risco, mas podia esperar algum tempo para o resto que estava com ela ir buscar ajuda.

  2. Achei o episódio perfeito,sem mas.

    Tudo se encaixou… Adoro Sarah e não tinha tanta raiva assim de Lori, confesso que me emocionei na despedida da personagem.

    Só uma perguntinha… A Carol morreu mesmo ou está só está sumida?

    Atts

  3. Um excelente episódio.

    A única desvantagem é que o seguinte é sobre o Governador e companhia. Ou seja, depois do melhor episódio da série eis que voltamos à merda, ao único arco que não interessa.

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