American Horror Story: Asylum (2×04) – I Am Anne Frank Part I


Esta semana American Horror Story foi além, buscou, e encontrou, maneiras de desenvolver seus personagens e suas tramas sem perder-se no meio de tantas histórias, aos poucos estamos nos tornando capazes de conhecer cada uma das figuras simbólicas que estão por habitar o hospício Briarcliff, seja como paciente ou como funcionário. O resultado de tudo isto é a primeira parte da história de Anne Frank, um episódio ousado, forte, sem pudor, que soube trazer toda a essência da série nestes tensos quarenta minutos.

O grande ponto forte deste episódio fora a maneira que o roteiro encontrou de dividir o tempo na telinha entre os mais diversos personagens da série, e estes não são poucos. O episódio soube focar um pouco na história de cada um dos personagens, soube desenvolvê-los, mesmo que alguns tenha sido de uma forma mais singela.

Começamos por Grace, que finalmente nos conta a sua própria versão, e provavelmente a real versão, sobre o sue crime. Entendo as razões pela qual esta mentiu para Kit a primeira vez que contou-lhe sua história, Grace procura compaixão nos braços do rapaz e esta acredita na inocência do mesmo, então como este poderia aceitá-la sendo ela culpada pelos crimes que cometeu? Mas mesmo após descobrir a verdade, Kit continua por manter sua ligação com Grace e o casal vai ganhando um formato cada vez mais singular no decorrer da temporada.

Kit também tivera sua importância neste episódio. O personagem começa a questionar sua própria sanidade após o Dr. Thredson lhe mostrar argumentos que o tornam perfeitamente capaz de ter cometido tais brutais assassinatos que deram vida ao Bloody Face. Destaco aqui a cena onde Kit procura a salvação divina e tem um dos mais belos diálogos da temporada com Sister Jude, esta fora uma das cenas que merecem ser assistida novamente, tanto pelo quesito de força e desenvolvimento de ambos os personagens, quanto no quesito técnico e na atuação divina de ambos os interpretes.

Mas a pergunta que me deixou bem ansioso para conferir este episódio era a seguinte: Quem será Anne Frank? Sim, esta pergunta é respondida de uma maneira brilhante e completamente inesperada, fico impressionado com a quantidade de tramas polêmicas que American Horror Story consegue trazer à vida. A história que envolve nazismo e o massacre de judeus na segunda guerra mundial deixou o clima da série ainda mais obscuro.

Anne Frank é uma das poucas sobreviventes de Auschwitz, um dos muitos campos de concentração dos nazistas. Mas Anne Frank também é uma personagem fictícia de um diário que expôs os horrores que os judeus enfrentaram na guerra. Sempre me emociono com estas tramas, O Menino do Pijama Listrado está entre um dos mais belos filmes que já vi e expõe de uma maneira mais infantil esta mesma história contada por Anne, então nem preciso dizer que me conectei imediatamente com a personagem, com os seus propósitos e com sua missão.

Anne acusa o Dr. Arden de ser um dos guardas alemães que tomavam conta do campo de concentração, revelando detalhes únicos sobre sua ambição por experiências naquela época. Esta história é confirmada quando temos detetives irem confrontar o médico o perguntando sobre uma prostituta que fora encontrada morta, mas que antes prestara uma queixa contra o médico, a mesma prostituta que conhecemos no segundo episódio desta mesma temporada.

Dr. Arden também está por transformar Shelley em uma daquelas criaturas horrendas que vivem no bosque próximo ao hospício. Os objetivos de Arden ao fazer tais experimentos continuam no escuro, porém este tem um problema muito maior para enfrentar no momento. O episódio acabou em um grande climax envolvendo ambos os personagens e Anne Frank equipada com uma arma, deixando-nos extremamente curiosos sobre o que virá a seguir.

Neste episódio ficou óbvio queMonsignor sabe sobre as experiências e sobre o passado do Dr. Arden e ainda assim o aceira, isto faz com que eu fique ainda mais curioso para conhecer um pouco mais sobre este misterioso personagem.

Mas o melhor do episódio fora protagonizado pelo Dr. Thredson e por Lana. A terapia de aversão ao homossexualismo nos mostrou as cenas mais frias e realistas da série até o momento. Custa-me a acreditar que um dia homossexualismo já fora tratado como uma doença psicológica, porém sei que esta é uma trama verídica e sinto pelos garotos e garotas que já tiveram que enfrentar tais situações no mundo real. Todas as cenas envolvendo a terapia e Lana foram fantásticas, a tentativa da personagem em desmontar sua personalidade e perder a sua essência lhe custou momentos de incrível tortura psicológica, mas ao menos lhe rendeu todo o respeito do Dr. Thredson, que prometeu libertá-la do hospício, uma vez que esta não é perigo algum para a sociedade.

Este foi, sem a sombra de dúvida, o meu episódio favorito da série até o momento. Claro, senti falta de Mary Capeta (apelido avulso encontrado perdido na internet) e suas artimanhas, mas cada cena que esta marca sua presença, mesmo que esta seja singela, consegue trazer todo um clima fantástico para as mesmas, Lily está realmente possuída interpretando a sua personagem. Mas enfim, estou muito ansioso pela segunda etapa da história de Anne Frank, e tudo indica que as coisas serão ainda mais assustadoras do que estão por ser.

Audiências: A série manteve-se lider entre as séries da tv a cabo americana, apresentando 1.5 de rating e 2.6 milhões de telespectadores.

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