Fringe (5×05) – An Origin Story


“Você sequer sabe o que não sabe”

São frases a principio jogadas como estas que nos fazem refletir tudo que Fringe simboliza. Diversos momentos, ao longo destes quase cinco anos, me fiz esta pergunta, restando-me somente dúvidas ocasionadas pela minha falta de percepção para certas charadas. Nunca fui um gênio em captar certas coisas e talvez assista a série até hoje por motivos diferentes a muitos, mas uma coisa eu sei claramente e isto nem a mente programada de um Observador poderia entender: sentirei saudades imensas de cada partícula, célula, experimento e descoberta, seja ela sobre-humana ou humana.

Os criadores assumiram um risco imenso ao matar Etta no episódio anterior, mas o que mais importará daqui pra frente é quais serão as sequelas desta trágica perda, principalmente para aqueles que mais seriam afetados com isto. Peter e Olivia sempre tiveram reações distintas as adversidades que o universo a qual vivem os fez enfrentam, sejam pelos experimentos de infância dela ao deslocamento de realidade dele, o casal enfrentou cargas emocionais imensas, a mais forte delas até antes do desaparecimento de Etta, foi quando Peter acabou enganado pela Bolívia, esta que viveu e desfrutou cada partícula da vida de Olivia, sem ao menos levantar suspeitas ou quando ele desaparecera, deixando vestígio algum de sua existência.

Não poupando a emoção do adeus, Peter contempla uma foto de Etta, colocando-a lado a lado com o rosto de sua esposa que tentava dormir mesmo depois de tudo que acontecera. Desbravando o quarto da filha, vemos um pai desolado em busca de quaisquer vestígios que o conectem a ela, afinal considerando os poucos momentos que tiveram em sua vida adulta, isto se torna natural. Não deixando de negar que o sangue Bishop-Dunham corre em suas veias, – ainda não consigo me referir a Etta no passado – descobre um compartimento secreto com uma potente arma e diversos explosivos.

“Porque a teríamos de volta apenas para perdê-la novamente?”

A pergunta de Olivia torna-se universal, afinal qualquer fã e admirador da série questionara isto ao final de “The Bullet That Saved The World”. Apesar de ter lido alguns comentários de pessoas a achar que este episódio foi um pouco arrastado e sem muita conexão para o encerramento, venho a descordar, pois conforme “An Origin Story” se desenrola, percebemos nitidamente quais serão os papeis de Olivia, Peter,  Walter e até mesmo de Astrid para concluirem a missão impossível a qual estão destinados e quando digo papel, vai muito além da mera ciência.

O sofrimento de Olivia sempre fora silencioso e considerando sua personalidade introspectiva, a  agente ao longo das temporadas sempre mostrou suas facetas de uma maneira bem peculiar. O momento em que ela desaba em sua casa após perceber que Bolivia havia vivido e invadido cada pedaço de sua vida sempre será o momento mais avassalador, que a define em meros minutos. Agora, considerando que ela tornou-se mãe, passando pelo pesadelo de perder sua filha, seu desolamento, a vagar pelos cômodos da casa, contemplando seus pertences, mostra que sua dor, apesar de contida, é uma tentativa de manter sua mente ocupada.

 Surpreendidos com o celular de Etta a tocar, Olivia, Peter e Walter vão ao encontro de Anil, o grande parceiro rebelde. O membro da resistência revela que o próximo passo dos Observadores será trazem através de um portal do futuro, containers com componentes que completarão o processo de manipulação do ar, considerando que algumas regiões ainda não estão totalmente controladas com esta tecnologia, que reduz exponencialmente a qualidade e a longevidade dos seres humanos.

“Antes de buscar a vingança, cave duas sepulturas”

Peter mostrasse obcecado com a ideia de antecipar o próximo movimento do inimigo, mesmo sem analisar muito o perigo e a exposição que teriam, é aí que a situação vira a seu favor, quando Anil revela que conseguiram capturar um dos carecas e o dispositivo que ativa o portal, pousando na frente deles a oportunidade perfeita para boicotá-los, porém suas motivações vão além de meramente impedir que mais cargas venham do futuro. Astrid tenta decifrar os escritos para que saibam onde será aberto o próximo portal e mesmo com Olivia tentando ajuda-la, a assistente está preocupada, considerando o difícil momento que passa, justificativa que dá é que assim consegue manter o foco, um tática do “Olivia Style” .

Peter quebra a cabeça pra remontar o cubo, mas é seu pai que mais uma vez consegue decifrar seu funcionamento, mais especificamente, sua sensibilidade de uso. Quando os Observadores transportam algo do futuro, fazem com que a matéria e a energia não sejam afetadas, porém se conseguirem destruir a ponta do presente, selando a passagem quando o portal for ativado, tudo que colocassem não conseguiria concluir a travessia, sumindo numa espécie de buraco negro, que sugaria tudo ao seu redor, assim para que a ideia de Walter seja colocada em prática, precisam ativar o cubo e a única pessoa que pode ajuda-los está presa a poucos metros deles.

Tanto Peter como Olivia parecem desviar seus pensamentos da sombra da morte de Etta, focando-se em outras prioridades, porém a forma com que cada um lidará que os colocará no caminho certo ou errado, considerando que certas covas emocionais serão abertas ao final deste. Preocupada com a aproximação de Peter com o Observador, Olivia pela primeira vez expõe seus temores, mas o que realmente a assombra somente uma pessoa que espreita o casal – pessoa esta que tem passado meio despercebida desde a morte de Etta – poderá compreender, uma compreensão e diferente do normal, muito mais sensível, para além da ciência.

“Nossa filha dedicou sua vida a nos libertar e agora dedicaremos a nossa para garantir que não tenha sido em vão. Quando vencermos, quando os derrotarmos, quero que todos saibam que Etta é a responsável pela salvação do mundo”

Walter parece com o passar o tempo ter perdido sua naturalidade com Peter, mas isto já não é novidade, afinal a relação dos dois, apesar de muito próxima, sempre fora complicada e delicada. Mesmo não abordando como ficou o status pai e filho ficou após o sumiço de Etta, é entendido que o doutor não tem qualquer tipo de abertura com ele, por isto que procura a pessoa que sempre esteve disposta a escutá-lo, mesmo sendo ela vitima de suas excentricidades. Olivia poderia guardar tudo que é de pior a respeito de Walter, afinal ele a transformara numa cobaia quando criança, porém a relação deles melhorou mais ainda por causa da ponte de Peter acabou por criar entre eles, sem contar também na dependência tanto em no trabalho como na vida pessoal.

Walter decidi mostrar a ela uma fita que encontrara, porém o conteúdo desta é difícil de encarar: um dos aniversários de Etta. Como escutara a conversa dela com Peter, percebe que o que teme mesmo é que ela e seu amado se percam um do outro novamente, mas crê que ao assistirem poderão deixar de erguer muralhas, evitarão romper “universos”, metaforicamente a falar. Seu discurso pode parecer motivacional demais, mas também é o discurso de um senhor que perdera sua neta, afinal pensamos muito em como Peter e Olivia suportarão tudo, que acabamos por esquecer o papel de Walter, então é por isto que suas palavras, mesmo sem surtir efeito imediato, salvarão a sanidade e perseverança que sempre estiveram impregnadas em Olivia.

“Esta fita é importante. Precisa vê-la e assim lembrara o que vocês tiveram, o que vocês ainda são e se apegar a isso. Vocês devem enfrentar essa dor juntos. A dor é a prova do legado dela para vocês. É a prova que ela existiu.”

Indo pela contramão, Peter acompanha junto a Anil o despertar do Observador ou como ele mesmo diz, o despertar do peixe morto. Determinado a conseguir aquilo que quer, Peter vive um momento de conflito interno, tanto que até mesmo sua mente está bloqueada para a leitura do careca, por razões obvias como “Vocês mataram minha filha”.

Montando as peças do cubo, o jogo psicológico do que seria um interrogatório de Peter com o Observador, acaba virando uma “conversa”, onde o careca questiona quão limitado ele é como humano, ainda mais por “nem sequer saber o que não sabe”, uma frase que parece solta, mais trata-se de mais um enigma destas criaturas. Correndo contra o tempo já que Astrid conseguira decifrar a localização do próximo transporte, Peter decidi apelar para a “humanidade” a qual os Observadores foram gerados, estudando então as variações oculares, estas que lhe dirão o passo certo a seguir para montar o cubo. Segurando a ultima peça em suas mãos, qualquer deslize poderá explodir tudo, mas foi com o tintilar do olho do Observador, Peter interpreta como um movimento correto, encaixando a peça, que ativa o cubo.

Mesmo com o confronto com alguns Observadores que descobrem suas localizações próxima ao local que os carecas abririam portal, Peter consegue ativar o cubo, abrindo o inesperado portal que após a ativação do explosivo, cria um efeito esperado conforme o plano de Walter, porém o que eles não esperavam é que o cubo que seria ativado pelo inimigo concluiria seu proposito, trazendo normalmente as cargas do futuro.

“RESIST”

Através do conflito humano versus criatura, ou seja qual for o nome que podemos dar aos Observadores,  vemos que as emoções de Peter atrapalharam seu julgamento e enquanto este acreditava que recebia respostas através da arte do “corpo fala”, o careca é bem categórico ao explicar que somente piscara devido a presença de uma mosca na janela, ou seja, Peter estava acreditando naquilo que queria acreditar, tudo isto para que sua mente o assegura-se que completaria a montagem do cubo.

Sensibilizada com os pôsteres com o rosto de sua filha a carregar os dizeres “RESIST”, percebemos que Etta é de fato o símbolo da Resistência e é isto que dá força para Olivia assistir a fita encontrada por Walter. Aqui vemos um casal escolhendo seus caminhos, porém a maneira com que cada um lida com a dor os afastara de maneiras inimagináveis, até porque só um breve momento conseguiram compartilhar um com o outro o que sentem desde o segundo adeus a Etta e é após o primeiro choro, ausente de rancor e tristeza, que Olivia se agarra aquilo que sua eterna garota simboliza mesmo não estando ali com eles e é isto que a faz ligar para Peter, pedindo que ele volte pra ela, para que possam enfrentar isto juntos, algo que  Etta gostaria que fizessem.

Racional ou Emocional

Certo ou Errado

Encarar ou Confrontar

O romper universos que Walter falara a ela ocorre de certa forma e o que Olivia mais temia viria a acontecer. Peter está no lugar mais escuro de sua alma, perdido e inconformado, uma coisa é certa, está decido a vingar-se da morte de sua filha, mesmo sem perceber que ao invés de criar um buraco negro com o cubo, acabou por criar um dentro de si mesmo e numa atitude surreal, até mesmo para os padrões de Fringe, surta a tal ponto de arrancar uma espécie de chip da nuca do Observador para assim implantar em sua própria nuca, ou seja, a poucos episódios da metade desta temporada, estamos prestes a conhecer Peter, o Observador sedento por vingança, porém conforme o careca mesmo disse, ele sequer sabe o que não sabe  e sua atitude extremada só comprova isto.

Anil falara que o antes de buscar vingança, deveria abrir duas covas, então estaria ele a caminho dos sete palmos da terra? Se isto irá ocorrer ou não só saberemos daqui pra frente, mas só sei que não estou preparada para encarar esta nova faceta dele, muitos menos para sofrer com o desespero que Olivia e Walter sentirão ao descobrir o que ele fez. Ai Fringe, porque faz isto com todos nós?

#BeHuman #BeUnited #RememberEtta #EttaLivesWithYou

E a contagem regressiva continua: 13, 12, 11, 10, 09, 08, 07, 06, 05, 04, 03, 02 e 01……

2 thoughts on “Fringe (5×05) – An Origin Story

  1. Mama, seus reviews transmitem a mesma sensação de grandeza, os mesmos sentimentos de emoção, que sinto ao assistir um episódio de Fringe. Parabéns…

    Sobre o episódio, novamente um espetacular episódio, apresentou um final delirante e um Peter cada vez mais obscuro. Ansioso pela demais…

    Atts

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