Downton Abbey (3×06) – Episode 6


“Isso realmente termina?”

E foi com esta pergunta de Cora que refletimos sobre o que acontecera no episódio anterior com a partida de Sybil. Devido ao impacto da cena e de como isto destruiu o coração de todos que com ela conviviam, acredito que não tenha conseguido expressar quão deprimida fiquei com esta partida. Decretei esta ultima semana como a semana do luto nas séries, afinal sexta passada, para aqueles que acompanham Fringe, tiveram que encarar a aparente morte de Etta.

Além do nascimento da bebê de Sybil e Tom, o único acontecimento que parece trazer certa esperança para todos no castelo é a possível soltura de Bates. Apesar do drama do valete se prolongar mais do que o necessário, o desenrolar de sua situação finalmente conclui-se, mas antes disto o policial e seu colega de cela iriam aprontar das suas. A vingança não ia tardar e percebendo que Bates estava visivelmente tranquilo dentro da prisão, o policial consegue influenciar a Mrs. Bartlett, esta cujo testemunho poderia simbolizar a liberação de Bates.

Mr. Murray tem então dificuldades em obter a verdade com a vizinha de Vera, esta que resolve de repente alterar todo sua declaração a respeito de sua visita a Vera na noite que antecedera sua morte. Mesmo alegando que mentir sob juramento é um crime, a senhora parece querer manter sua mentira, esta que não dura muito, pois Bates percebendo a chantagem e sujeiras de dentro para fora do presidio, ameaça seu falso colega de cela mais uma vez, o que não parece convencer muito, mas acaba por surtir efeito, fazendo a Mrs Bartlett dar o testemunho correto, aquele mesmo que Ana ouvira quando conversou com ela.

Esta é a trama da criadagem que mais teve destaque nesta temporada, mas foi realmente bom ver Daisy ter seu destaque, este que não tinha desde a trágica morte de Will. Devido a suas idas e vindas para buscar mercadorias, Daisy acaba por chamar atenção do Mr. Manson, um fornecedor local dono de uma fazenda e de algumas propriedades cultiváveis e férteis.  Sua intenção é bem clara ao dizer que deseja deixar tudo para ela e mesmo que ela se torne sua viúva daqui um tempo, se assim ela desejar irá ensiná-la a administrar tudo que lhe pertence, proposta tentadora, pois até ele mesmo diz que uma vida de criada dentro de uma mansão como Downton não lhe rendera muitos anos, considerando as mudanças dos padrões da época, ou seja, uma forma sutil de dizer que Downton logo mais virara um museu.

É sempre difícil medir o vazio que sentimos ao perder alguém que amamos, perder no sentido presencial, porque por mais que tentamos dia a dia preservar a essência e as memórias, estas recheadas de pequenos e grandes momentos, a dor por vezes demora a passar, isto se ela um dia sequer passar. A dor de perder um filho, considerando a ordem natural das coisas, deve ser um sentimento inimaginável e isto que Cora transmite tão bem durante o luto a sua pequena caçula Sybil. O vazio de sua alma refleti em sua relação com Robert, este a qual culpa por negligenciar as opiniões do médico da família em prol aos caprichos e requintes do “aclamado” Dr. Phil. Seu desejo por ficar sozinha é o único conforto que lhe resta, se é que podemos chamar desta forma.

Robert está numa posição desfavorável e nem o apoio de sua mãe parece salvar sua barra, porém a situação acaba por pesar ainda mais quando Tom revela dois grandes desejos: que a bebê se chamará Sybil em homenagem a mãe e a pequena será batizada na igreja católica, seguindo seus costumes irlandeses. Assim como se mostrara extremamente engessado com moralidades e futilidades durante o parto de sua filha caçula, agora deixa explicita sua revolta, afinal onde lá se viu um Crawley a fugir das tradições religiosas da família, mas aqui ele ele esquecesse que Sybil é uma Branson, tanto a mãe como a filha.

Violet servi novamente como uma bussola para seu filho, este desorientado pelo distanciamento de Cora e agora com as exigências do genro relacionadas a sua neta. Mary tem uma posição firme com seu  Papa e mesmo sendo sua maior defensora, bate de frente com ele ao revelar o desejo de sua irmã, que revelara a ela minutos antes do parto quão importante seria acatar ao desejo de Tom a respeito da religião e os costumes irlandeses, escolha esta que ela aceita tranquilamente pois ama e respeita seu marido.

“Ficarei com você até meu último suspiro”

Mary fica temerosa com morte de sua irmã e principalmente ao perceber quão difícil é para o parceiro, neste caso Tom, viver sem seu grande amor. Pela primeira vez a primogênita baixa a guarda, vislumbrando quão imprevisível e traiçoeira a vida pode ser. Sem dúvida esta perda deu uma sacudida nos ânimos de todos e a conversa final que ela tem com o pai a afirmar que a batalha do batizado já está perdida para ele foi um sinal de quanto, mesmo que pouco a pouco, ela amadureceu, principalmente a dizer que as coisas não caminham mais da forma com que ele espera, uma boa analogia diria eu a administração do castelo e das terras pertencentes a família.

Por falar em terras, a relação de Matthew e Tom continua a ser um dos grandes diferenciais desta temporada, trazendo aquele senso de camaradagem e hombridade que faltava, a considerar que o núcleo principal é em suma dominado por mulheres. Tom acabou sendo o porto seguro de Matthew, aquele amigo e agora cunhado que ele consegue compartilhar seu temores, principalmente no tratar de Downton e quão bagunçada as coisas estão, a começar pelas plantações e o abandono de algumas propriedades que ficam no entorno do castelo. Mesmo que sutilmente, o local pode vir a ser a nova morada de Tom, afinal este não pode voltar ainda para Irlanda e tendo uma breve ocupação como fazendeiro no seu passado, poderia administrar aquela parte das terras, deixando Sybil a crescer próximo a família. Não deixa de ser uma alternativa da trama, mas tudo depende de como as coisas seguiram daqui pra frente, ainda mais que Matthew tocará no ego mais que ferido do Lord. Grantham.

Fugindo um pouco do clima pesado do castelo, Mrs Crawley continua a passar por bons bocados com Ethel, mas a rapariga tenta se redimir pelas desventuras em série na cozinha, propondo cozinhar para as Crawley, mas para isto tem de pedir dicas culinárias para a Mrs. Patmore, esta que resolve ajudá-la mesmo a contragosto do Mr. Carson, este que deixara visível sua opinião a respeito da profissão anterior da ex-criada do castelo. Como uma forma de mostrar gentileza e respeito ao momento difícil enfrentado pela família, Mrs. Crawley convida Cora e as meninas para um almoço em sua casa.

“Eu conto como uma das meninas?

Apesar da nevoa preta a mesa considerando os vestidos e chapéus de luto, Cora, Violet, Mary e Edith acompanham a Mrs. Crawley num almoço que surpreendentemente dera certo, considerando a ajuda mais que especial que Ethel tivera naquele dia. Robert acaba por descobrir aonde suas mulheres estão e num ato ultrapassado e deselegante até mesmo para a ocasião, entra na casa exigindo que sua esposa, mãe e filhas se retirem imediatamente, afinal onde lá se viu elas serem servidas por uma prostituta. Considerando que Cora não é sua maior fã nos últimos dias sua escolha por ficar é bem óbvia, assim como suas filhas que possuem uma mente aberta, principalmente Edith. E por fim, até mesmo a Mrs. Violet arranca risos a dizer que vai ficar, afinal não poderia deixar de experimentar a deliciosa sobremesa.

O timing de Maggie Smith é sempre soberbo e o seu sendo de humor merece ser destacado, porém o que sua Violet mesmo domina é a arte de manipular todos ao seu redor. Preocupada com o relacionamento do filho com sua nora, a matriarca dos Crawley procura o Dr. Clarkson numa última esperança de mediar o distanciamento do casal, este dado devido a declaração que o doutor fizera a respeito das chances de sobrevivência de Sybil caso tivessem escutado-o. Seu pedido é simples: deve dizer que andou a pesquisar o caso após o ocorrido e que Sybil independente do procedimento não teria chances. A ética do doutor é posta na mesa mas este acaba agindo conforme pedidos de Violet e num encontro forçado e agendado entre Cora e Robert, consegue aquilo que queria, que era apaziguar a situação, esta que rendeu um abraço longo e triste entre o casal.

Como Mary mesmo disse, a soltura de Bates indicará uma boa notícia para a família e daqui pra frente teremos que ver como a situação ficara a entre a criadagem, considerando a predileção do Lord Grantham por Bates como seu valete.

3 thoughts on “Downton Abbey (3×06) – Episode 6

  1. Estou gostando bastante desse ar de mudança na abadia. Uma pena que a consequência de uma dessas mudanças tenha vindo com a morte da Sybil… Mary e Edith estão mais unidas e pensando de uma forma diferente de temporadas passadas, estou gostando bastante dessa situação.
    A relação de Matthew e Tom é outra coisa que me cativou bastante.

    A cena do jantar com a fala da Violet foi sensacional! Até a vovó conservadora está vendo que o mundo ao seu redor está mudando e todos terão que se adaptar a ele.

    Outra cena que gostei foi no final entre a Cora e o Robert e claro que não segurei minhas lágrimas… Nossa, que elenco!!

    Finalmente o trama do Bates está acabando, agora que veremos a real bitch dentro do Thomas xD

    PS: COMO ASSIM JÁ ESTÁ ACABANDO ESSA TEMPORADA?? :((

    • Si si, to preparando o review do sétimo, foi realmente SENSACIONAL.
      Já estou com saudades da série, afinal teremos o de ontem e o episódio de Natal somente, mimimimi

      E espero que os boatos do Dan Stevens sejam mentira, pq tavam falando que ele não pretendia retornar para um mais que provavel quarto ano como Matthew. PLEASE né, todas estas reformas na Abadia pra o personagem cair fora??? Papinho furado, tá na cara..

      Abs

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