Downton Abbey (3×05) – Episode 5


Sei que estou pra lá de atrasada, mas tentarei esta semana colocar todas as reviews em dia, até porque o season finale está próximo, considerando que serão oito episódios mais o episódio natalino, praxe das séries britânicas.

Downton Abbey sempre fora conhecida por sua carga dramática, mas até então nenhuma havia recaído tanto sob o teto do castelo como a deste episódio, claro que não podemos excluir a guerra e as dificuldades enfrentadas durante e pós, além das dificuldades dos criados como a prisão de Bates, mas conhecendo bem esta abadia, já dava pra sentir que algo muito ruim estava por vir.

Enquanto fortes emoções estavam a caminho do castelo, Mrs. Crawley apronta mais uma das suas ao contratar Ethel para trabalhar em sua casa, dando assim uma oportunidade para a moça recomeçar a vida. Apesar de seu jeito altruísta e bondoso, a mãe de Matthew tem de encarar as consequências de seus atos, a começar pelo pedido de demissão de sua fiel escudeira Mrs. Bird e o fato de que Ethel não está preparada para administrar a casa, principalmente para cozinhar, o que já fica evidente quando tenta preparar o jantar.

Os criados tem pouco destaque neste, a não ser pelo patético e incomodo contato que Thomas tentar manter com o raparigo Jimmy, o novo Don Juan do casarão, mas este mostra-se extremamente incomodado com o excesso de toques do valete. Aqui vale prestar atenção em O’Brien, que mesmo a perceber as atitudes de Thomas, parece usar isto a seu favor, afinal algo me diz que ela está a poucos passos de conseguir sua vingança.

Ana visita Bates e este diz que o testemunho da Mrs. Bartlett fez a ela pode vir a ser útil, afinal afirmara que Vera esteve a cozinhar uma torta na noite anterior a sua morte, substância esta encontrada em suas unhas durante a autopsia. Se eles conseguirem que ela deponha novamente, agora que Mr. Murray os ajuda no caso, Bates conseguirá sair da prisão.

O grande acontecimento está para ocorrer, assim os Crawley aguardam os minutos que antecedem ao parto de Sybil, esta que já de absoluto repouso. A mais nova tem uma sincera conversa com Mary, a discutir que mesmo com as diferenças ideológicas e religiosas entre a Irlanda e a Inglaterra, ama por demais Tom e quer respeitar sua escolha pelo batismo da bebê, o que sabemos renderá muitas discussões entre seus familiares. Em contrapartida, Matthew conversa com Dr. Clarkson sobre as tentativas sem sucesso que ele e Mary tem enfrentado para engravidar, mas o doutor diz que quanto menor a pressão melhor, ou seja, quanto mais eles ficarem tranquilos, mais fácil será alcançar o sonho que ambos compartilham.

Apesar da pertinente orientação de envolver o Dr. Clarkson no parto, por este conhecer Sybil desde pequena, Robert insisti em convocar o renomado Dr. Phill para coordenar o evento, causando um pouco de atrito entre ele e Cora, que mesmo com as objeções do marido, mantêm sua promessa de incluir o médico da família nos procedimentos.

Os atritos entre eles ficam evidentes, principalmente pelo confronto entre médico da capital e médico local, mas é quando Sybil começa a sofrer alucinações, recordando-se de situações passadas que não se encaixam nada com momento, fica visível que alguma coisa não anda bem. Dr. Phill insiste que é normal, considerando que ela está a vias de parir, porém Dr. Clarkson aponta que vira alguns casos semelhantes em outras pacientes e que Sybil pode estar sofrendo de eclampsia, caracterizada por complicações da gravidez que geram convulsões irreversíveis caso não prevenidas a tempo.

Considerando a escassez de recursos da época, Dr. Clarkson aconselha que a família deveria removê-la para um hospital ou optarem ali mesmo pela cesária, assim Sybil não estaria tão exposta a exaustão do parto normal, mas é o orgulho e autoritarismo de Robert apoiados a opinião de Dr. Phill que deixam a situação se prolongar.

Este certo ou errado faz com que Sybil fique a merce de decisões médicas e familiares, mas mesmo assim o parto é realizado, trazendo ao mundo uma bela menina, que a principio parece saudável. A filha mais nova dos Crawley tem seu descanso merecido, com sua mãe emocionada a beijar-lhe a cabeça, porém é durante a noite, acordando todos num grande susto que aquilo que o Dr. Clarkson temia acontece: Sybil tem convulsões fortíssimas.

São momentos como estes que vemos como este elenco é estelar, pois nada como esta cena havia ocorrido na série ainda e para aqueles que acompanham Downton Abbey e criaram um vinculo especial com cada uma das personagens, principalmente Sybil, a mais dócil e estável das irmãs Crawley, foi realmente dolorido assisti-la contorcendo-se, perdendo totalmente a respiração, com seu amado marido desesperado a seu lado clamando por ajuda, esta que não viria, pois nem os dois doutores ali presentes poderiam fazer nada para salvá-la.

Sua morte proporcionou um misto de dor e raiva, afinal toda aquela burocracia e lenga lenga minutos antes do parto poderiam ter sido evitadas e se mesmo assim não a tivessem salvado, pelo menos teriam esgotados todas as possibilidades, feito tudo que tivesse ao alcance para dar-lhe mais uma chance, mas viver nos anos 20, ainda mais na pela da aristocracia britânia não deve ser nada fácil em frente a tantos procedimentos e engessamentos.

As noticias se espalham até o andar de baixo e o que mais impressiona é a reação de Thomas, que desmorona a chorar, afinal Sybil foi a única ali que parecia gostar e tratar ele bem (falou o patinho feto). Mr. Carson e Mrs Hughes também sofrem afinal a viram crescer, mas o golpe final recai sobre Cora, que tem de encarar o maior pesadelo que uma mãe poderia ter: o de enterrar um filho. A despedida de Mary e Edith comove, principalmente considerando a relação entre as duas e a maneira com que Sybil trazia o equilíbrio necessário no dia a dia das complicadas irmãs mais velhas. E por fim, o desespero de seu grande amor Tom, aquele que lutou perante as diversidades para conquistá-la, que agora teria de contemplar suas expressões tranquilas e o silêncio depositado no quarto, minutos antes de despedir-se antes do funeral.

“Ela sempre foi a única que nos considerava boas pessoas”

Mesmo com a atmosfera de luto, Matthew aproveita a presença de Mr. Murray – este veio conversar com Ana a respeito do testemunho da vizinha de Vera – para abordar novamente o assunto da má administração de Downton, porém suas preocupações acabam sendo ouvidas por Mary, que fica extremamente ofendida por este falar pelas costas do pai, ainda mais trazendo este assunto inapropriado num dia tão sensível como este.

Por fim, Vovó Violet aparece após o funeral, este que acaba não tendo destaque. Senti falta dela nos momentos mais tensos entre a família, acho que sua presença traria mais dimensão para esta irremediável perda, mas ainda assim conseguira deixar perceptível pelo seu olhar quão arre-pilante deve ter sido para ela ter de enterrar sua neta.

Cora dá a pedrada que fecha o episódio, agindo como esperávamos que fosse, mesmo com o vazio em sua alma, usa de caráter e bom senso ao dizer que procurara Dr. Clarkson para perdi-lhe desculpas, afinal estivera certo todo o tempo e foi seu marido que decidiu a ouvir a opinião de Dr. Phil, um médico que mal a conhecia.

O que resta a Tom é agarrar-se a sua filha, contemplando com seu olhar perdido como será sua vida daqui pra frente sem sua amada, mas sabemos que não só ele irá se afetar, como todos ali presentes, afinal viram partir aquela que sempre fora a pequena grande brisa de ar de Downton.

2 thoughts on “Downton Abbey (3×05) – Episode 5

  1. Só de ler a sua review desse episódio me faz ficar triste😦 Enfim, tenho um histórico de sempre preferir os personagens que acabam morrendo e com a Sybil não foi diferente…

    Acho que a cena da morte dela foi uma das mais bonitas que já vi. Chorei, chorei, chorei…

    O drama com o Bates está me cansando tanto, espero que se resolva logo!
    Coitado do Matthew e do Tom, espero não ter que ficar com raiva do Robert…

  2. A história de Bates esta se arrastando mesmo, me deu raiva a conversa entre o carcereiro e o ex-colega de cela dele. Mas a cena da morte de Sybil me fez chorar horrores…foi mto linda e emocionante….

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