Fringe (5×04) – The Bullet That Saved The World


“No good deed goes unpunished”

Irônico começar esta review após vislumbrar um horizonte de possibilidades ao final do anterior, horizonte este que finalmente contemplaria a vida destas personagens, tão fadadas a escolhas; imposições; destinos; a universos paralelos e realidades pra lá de alternativas, estas que por vezes nem sequer puderam escolher. Considerando que o “final” nunca se dá no meio de uma história, ainda me considero uma membra da resistência, que bravamente acredita que existe algo além desta realidade cruel.

Fringe para mim nunca foi uma mera série de ficção cientifica, assim como nunca haverá nenhuma melhor do gênero do que Arquivo X, mas repito novamente, esta série, em sua perfeita imperfeição foi por muitas vezes mais humana do que sobrenatural, mais emotiva do que ficcional e por mais estranho que pareça, mais me fez chorar do que contorcer o nariz com cenas nojentas e surreais.

O ritmo lento dos três episódios iniciais serviu com um propósito. Curioso que insistentemente é este “propósito” que os Observadores sempre tentaram entender a respeito das emoções e ações humanas. Esta descoberta de um propósito deu o “segundo tiro inicial” da corrida para salvar o mundo, mesmo que este tiro tenha sido certeiro até demais.

O inicio do episódio já mostra que daqui pra frente as coisas não serão mais “tão fáceis” como foram até então. Peter se vê obrigado a fugir de um legalista após ser reconhecido enquanto buscava um pouco de combustível na rua. Após despistá-los, entra num antiquário em busca de uma corrente nova – obviamente dará para Etta por terem derretido a sua – porém não contava com a presença de um Observador ali, este que acabara por ler sua mente, esta que Peter tenta de toda forma deixar confusa, para que assim o homem careca não descubra a verdade. Apesar da quase exaustão mental do Observador e física pela agressão dos Legalistas, consegue voltar ao laboratório, onde Astrid e Walter removiam do âmbar a segunda fita, datada como a #3. Depois de ouvir que seu pai quase sucumbiu ao domínio mental do inimigo, Etta garante que ensinará a todos como bloquear a mente, criando uma uma barreira de proteção anti-carecas.

Conforme mencionei em reviews passadas, dois rostos costumeiros faziam falta, porém um deles faz sua primeira aparição, mesmo que não da forma que imaginamos a principio. Broyles é convocado na mesma loja que Peter esteve momentos antes e junto com o Observador tentam compreender o porque dele ter comprado o colar, mas além disto a grande preocupação do careca é a falha no teste de segurança aplicada em um dos Legalistas, este que fortemente deve fazer parte da resistência, o que recai certa culpa sob Broyles, pois ele é o chefe comandante da Divisão Fringe.

Walter sinaliza na fita que eles deverão fazer um “Passeio Misterioso em Manhattan”, o que o faz recordar que escondera o tubo com as plantas – próxima Relíquia da Vida – numa plataforma do metrô, tudo isto porque quando ele tinha dez anos de idade, temia que os Comunistas fossem levar suas revistas. Dr. Bishop e seus temores infantis super comuns, não é mesmo? Walter é um homem de ciência mas também é um homem de segredos, estes que ficaram guardados num “arquivo morto” abaixo do laboratório. Nojeiras a parte, acredita que segredos devem ser guardados porque em primeiro lugar os segredos são dele e em segundo, porque desconfia levemente do governo. Ai Walter, como não te amar?

Mostrando que “deixaram realmente o melhor para o final”, os Observadores começam a se importar efetivamente com os rebeldes mais procurados do século XXI. Buscando o propósito das coisas, um novo homem careca interroga o Legalista e ao rodar para ele a gravação da falha de seu teste, consegue arrancar de sua mente que ele é de fato membro da resistência, porém sua mente mostra-se não tão resistente assim, revelando que Avil tem ajudado Etta e os outros através das informações que ele próprio vaza como agente duplo. Esta pergunta será crucial daqui pra frente, porém por agora sobrevoa no ar, assim como o próprio animal.

“A Pomba? Quem é A Pomba?”

Broyles é novamente questionado, só que desta vez por causa de sua antiga relação com os rebeldes, afinal faziam parte da Divisão Fringe anos atrás. Usufruindo das informações que conseguira após torturar o legalista da resistência, os Observadores dão um passo a frente para capturá-los de uma vez por todas, agora que sabem que estão escondidos no setor B, a ala pertencente a desabitada Harvard.
Esperei ansiosamente pela conversa entre Etta e Olivia a respeito da bala, esta disparada por Walter na cena que chocara a todos na temporada anterior, mesmo que por breves segundos até que Olivia recobrasse a consciência e a bala achatada caísse de sua testa. Mesmo sem saber o real motivo, Etta acabou por se apegar ao pequeno objeto, transformando-o em pingente após achá-lo dentro de uma caixa de joias na antiga casa dos Bishop-Dunham. Com apenas treze anos, esta foi a maneira que encontrou de se manter próximo a sua mãe, por entender que para ela ter guardado, a bala tinha um significado imenso.

“Seu pai costumava dizer que esta é a bala que salvou o mundo”

Fazendo-os escorregar novamente das mãos dos Legalistas e Observadores, Etta avisa a todos que suas localizações foram comprometidas, onde tal informação veio de uma fonte confiável. Colocam então todo o laboratório no âmbar novamente e fogem dali, numa caçada implacável de tirar o fôlego, afinal ainda precisam reaver o tubo com as plantas. Numa sequência impecável, Walter consegue passar pelo portão de acesso após utilizar sua nova invenção: uma arma cujo gás tampa todos os poros do rosto, matando assim o inimigo asfixiado. Etta e Olivia ficam frente a frente com os guardas, enquanto Peter e Walter entram na estação, localizando com precisão o tubo, conforme o Dr. imaginara ter escondido. Mesmo sabendo que os carecas são sensíveis a esta “arma de choque”, achei que a habilidade de teletransporte deles seria mais eficaz, o que novamente deixa a entender que eles só podem guardar alguma arma secreta, mas mesmo assim, é excelente ver o quarteto em ação.

Afastados do porto seguro que era o laboratório, apesar de Astrid ainda ficar por lá para cuidar das fitas, os Bishop e Dunham escondendem-se abaixo de uma ponte e encaram as complicadas equações da planta, equações estas que Walter não se recorda de ter criado, só levando a crer que alguém podem ter ditado para ele, alguém como Setembro. Diminuindo um pouco a adrenalina, Etta diz que um alguém muito especial está vindo encontrá-los, este alguém que inclusive os avisou a respeito da descoberta do laboratório. Eis que Mr. Phillip Broyles, o eterno “THE BOSS” da Divisão Fringe faz seu retorno junto a gangue. Uma das relações mais sinceras da série sempre foi entre ele e Olivia e o momento em que seus olhares se encontram, é impossível não se emocionar com as lágrimas que quase caem de seus olhos, divididos entre um longo e apertado abraço.

Acho que a sensação de todos ao verem Broyles no lado certo foi de total alivio, afinal ele sempre fora uma figura central da trama e também na vida de Olivia, o que acaba justificando sua aproximação com Etta. Para ele, no momento que a viu, cinco anos atrás, não teve duvidas que estava a olhar para uma versão quase idêntica de Olivia, motivo que o fez recrutar a garota para a Divisão e esta acabou por trazê-lo como aliado da resistência, confiança estabelecida pelo histórico de ambos, além da credibilidade dela ser filha de quem é.

Como nem tudo pode passar desapercebido, um dos Legalistas antes de ser derrubado, aciona um rastreador no carro deles, atraindo alguns Observadores para o local, entre eles um dos manda chuva, o Capitão Careca. Deixando o tubo com Broyles para que este o plano não seja comprometido, o quarteto foge para um galpão próximo, rendendo mais uma caçada, esta que terminaria de maneira trágica, como nenhuma outra até então, acredito eu, dado ao repentismo, aquele momento que “não víamos tal coisa acontecer”, pelo menos não agora.

Fiquei a pensar como conseguiria por em palavras este momento, sendo que meus olhos ainda ardem de tanto chorar com tamanha devastadora cena, esta que mudará sem dúvida o rumo de toda a jornada, mas não mudará mais que o coração de todos, afinal como qualquer um pode pensar:

“Como o destino ou seja lá o que podemos chamar isto, pode dar mais uma chance a uma mãe e pai junto a sua filha, para que no instante seguinte, a arrancassem deles, de uma forma tão cruel?”

Foi assim que me senti, mas acho que os cinco estágios da perda/luto/tragédia podem exemplificar muito bem isto que virei a falar.

Negação e Isolamento; Cólera (Raiva); Negociação; DepressãoAceitação.

São denominados estágios, pois cada pessoa passará por eles em períodos longos ou curtos de suas vidas, dependendo de como cada um processa tal acontecimento. No meu caso especificamente, consegui com esta cena, manifestar quatro dos estágios. Quando Etta é capturada pelo Capitão já comecei a me encolher no sofá. Logo em seguida, quando este começa a torturar sua relutante mente, as palavras “não, não” já começavam a sair, sinais evidentes de Negação com o que viria adiante. Capitão Careca consegue então extrair a mais significativa lembrança dela quando criança, com seu pai a abrir os braços para acolhê-la, o que mostra que alguma coisa o careca iria deduzir, mesmo que a percepção de um Observador seja diferente de um ser humano.

Quando este compreende o proposito, na verdade o sentimento, ao dizer que o que ela tem com Peter é AMOR, senti meu coração bater pela boca mas o que realmente me ensurdeceu foi o tiro disparado. Um novo tiro numa loira diferente, somente visualmente, considerando o parentesco entre elas. Realmente pensei comigo mesmo que a bala que estava no seu pescoço fosse de alguma forma milagrosa protegê-la, mas infelizmente não. Quando Peter e Olivia se aproximavam de sua filha ferida, com Walter a observar tudo atrás, resolvi me distanciar em respeito ao momento familiar, mas ao ouvir “Etta, I Love You So Much” e a resposta “I Know” seguido a ativação da bomba/capsula, a Raiva tomou conta de mim, como se me comesse de dentro pra fora, incontrolavelmente.

Foi então que percebi que só o que me restava era barganhar, tentar Negociar com episódio, principalmente com J.J Abrams e toda a trupi criativa, pedindo que voltassem no tempo, que encontrassem outra maneira, esta menos dolorosa para os Bishop-Dunham e para eu encarar aquela situação, esta que ficara ainda pior quando quando a bomba ativada por Etta desintegra todo o galpão, eliminando o Capitão e os Observadores ali presentes.

Minutos depois, me vi arrastada nesta ultima tarde de domingo, num estado de Depressão, este que até segunda ordem nunca chegará ao estágio de Aceitação. Me recuso e continuo estagnada no primeiro estágio de NEGAÇÃO! Mesmo com Dr. Bishop a dizer “Ela se foi, ela se foi”, não consigo aceitar.

Preciso acreditar que se uma bala já salvara o mundo antes, poderá salvar novamente, desta vez com esta outra bala, afinal se uma loira fez a vinte e quatro anos atrás, a outra loira, que compartilha do mesmo sangue e código genético também poderá fazer…..

E se o propósito foi o AMOR, esta tal figura denominada “Pomba” só pode simbolizar uma ação/sentimento universal a todos aqueles que ainda acreditam. E já até me arrisco a pensar quem carregará este título.

#BringEttaBack #ThisIsNotTheEnd #FamilyLives #LoveWins

E a contagem regressiva continua: 13, 12, 11, 10, 09, 08, 07, 06, 05, 04, 03, 02 e 01……

Audiência: Nem me interessa mais, pronto…..

3 thoughts on “Fringe (5×04) – The Bullet That Saved The World

  1. Mama review perfeita para um episódio que soube manter o nível da série em um level absurdo.

    É Fringe sendo tenso, intrigante e emocionante, a suposta morte de Etta deixara o tom da série mais sombrio e mais misterioso.

    Não tem como não ansiar pelos próximos episódios e pelo rumo que as eventos terão.

    Atts

  2. Review linda demais!

    Adorei esse eps, ele foi tão fodastico que eu nem tenho palavras para comentar😀

    Só que eu sei que Fringe é Fringe e a Etta vai voltar, ela precisa voltar D:

    Não sei oq esperar mais desse fim da série, só sei que vou me acabar com os últimos eps D:

    bjs

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