Fringe (5×03) – The Recordist


“Vocês são mais do que eu imaginava”

Fringe tem sido mais do que eu imaginava. Mais pra melhor não sei, ainda é cedo pra dizer, mas com certeza tem sido mais distante do padrão alucinogêneo e absurdo que estamos habituados em relação aos finais das produções de J.J Abrams. Restando somente dez episódios para o tão esperado encerramento, a trama parece começar a desatar seu nos, apesar de ainda parecer guardar certas cartas em sua manga, principalmente no que se diz aos Observadores, mas isto já era esperado.

Eis que nosso Quinteto Fantástico segue em busca das “Fitas da Vida”, algo que naturalmente como uma boa Potterhead não poderia deixar de criar uma analogia. Sem prolongar muito, pelo menos no que se diz a primeira delas, Astrid remove-a do âmbar e considerando os padrões nada convencionais de quem a gravar – Walter a fumar maconha é sempre precioso – a fita é datada como a terceira, ou seja, nem tudo é tão simples assim, mas uma coisa que eles já conseguem descobrir é a longitude e latitude de seu próximo destino, este na Pensilvânia, porém este local subdesenvolvido que a principio não lhes indica nada, pode esconder mais peças para o plano quebra-cabeça.

Mesmo estando no meio do nada, desbravando o desconhecido, a sutileza da aproximação de Olivia e Etta cresce a nossos olhos novamente, com a filha a revelar quanto sonhou em aventurar-se com seus pais e mesmo com a pressão surtida que seu comentário em sua mãe, mesmos em perceber, diz que eles são muito mais do que ela imaginava, ou seja, sua realidade agora tende a ser melhor do que suas projeções que fez ao longo da vida.

A tal presença de um garoto identificada por Peter se concretiza quando um grupo de misteriosos homens armados os rende, levando-os ao acampamento. Destaque a aparência física deste grupo de pessoas: todos possuem espécies de manchas/cascas por todo o rosto e membros visíveis do corpo.

Conhecemos então Edwin, uma espécie de líder e cientista do grupo, este que naturalmente se apresenta a Walter, alegando que o conhece de uma forma não lá muito convencional. Mesmo com toda a precariedade e as limitações da região a qual se encontram, Edwin desenvolveu junto a River- seu prodígio filho – um mecanismo que através de cubos de dados consegue armazenar informações relacionadas aos grandes eventos da humanidade, tudo isto como uma maneira de preservar a história perante ao caos e dominação dos Observadores.

Além da Resistência que já nos fora timidamente introduzida, eis aqui um novo núcleo de seres humanos dispostos a deixarem sua marca ou pelo menos registrarem seus e os demais feitos de outros homens e mulheres. O delicado aqui é que isto implica na de teorização de todos, considerando o grau de exposição que o local os colocou, o que é explicado através das manchas e erupções na pele de todos ali presentes, resultado do que parece ser uma exposição da água ou do solo.

Já cansei de por em palavras quão maravilhoso é o trabalho de John Noble ao longo dos anos e sem dúvida sua personagem entrará para o hall da saudade da televisão. Suas variações de expressão e sensações ao longo de um mesmo episódio são o que torna sua atuação um verdadeiro espetáculo, seja ao vermos este a “inalar” sua maconha buscando reativar suas memórias ou a colocar-se firme em discurso de como acredita que o mundo tem salvação.

Além de ser um mini-gênio como seu pai, River mostra ser habilidoso em outra área ao mostrar a família Dunham-Bishop sua HQ, esta inspirada nos atos heroicos da Divisão Fringe. Sua estrela principal está ali em sua frente, o que deixa Olivia sem palavras perante a veracidade e crença do garoto em que ela fora e ainda é uma heroína,porém fica claro que com seu olhar, que tem dificuldades em acreditar neste posto tão elevado, algo que fica evidente logo mais numa importante conversa com Peter.

Astrid cujo companheirismo e dedicação a todos e tudo é louvável desde sempre e é mais uma vez que sua destreza os ajuda, desta vez tendo alguns progressos ao analisar a fita no laboratório, progresso este que lhe faz entender que além de “Ir para Pensilvânia”, eles terão que “Localizar uma Mina”. Como não rir do timing sempre certeiro entre ela e Walter quando pergunta se existe uma “M-I-N-E de Mina e ele entende M-I-M-E de Mímico. É aí que eles ligam os fatos de que o que precisam encontrar pode estar nesta mina de ouro.

Depois de parecerem estar a ZZZZZZZ na ação toda, os Observadores parecem mostrar-se preocupadas, mas ao que tudo indica senão fossem pelos Legalistas, pouco teriam feito até então, o que acho que só pode ser uma estratégia para o “guardar o melhor para o final”. Mesmo tentando evitar de serem vistos, o quarteto familiar é captado pelas câmeras e sua nova localização na Pensilvânia será comprometida em poucos instantes.

Seguindo as indicações da fita #3, precisam de tempo para explorar a caverna, mas quando acham um poço com um corpo totalmente calcificado, assim como Edwin, River e os demais ali presentes na região, Walter percebe que este exato ponto é o centro de maior exposição ao cálcio, por isto o corpo que encontraram fora altamente afetado.

Com a ajuda de Edwin, as peças do quebra-cabeça começam a ficar mais claras quando este se recorda da visita de um homem que foi até a mina para recolher pedras avermelhadas, cinco semanas após a invasão. Este tal de Donald fora registrado pelo pai dele na base de dados e o que mais chamou atenção foi que ele dissera que aguardava por um cientista de Boston, o que obviamente só poderia ser o Dr. Walter Bishop, mas  infelizmente os Observadores chegaram antes e o levaram preso, o que ninguém sabe qual poderá ter sido seu destino.

Bravos resistentes surgem e desta vez uma fonte segura dentro do quartel dos Legalistas avisa Anil sobre a localização comprometida de Etta, Olivia, Peter e Walter, fazendo este avisar sua amiga, o que os impedirá de ficarem mais um minuto por ali, mesmo que o Dr. tente elaborar uma vestimenta resistente a alta exposição de cálcio presente na caverna, principalmente porque mais um pouco e os efeitos colaterais começaram a afetá-los.

“Não é que eu não consiga lembrar. É que não consigo me esquecer”

É impossível não se sensibilizar com cena tão vulnerável como esta entre Olivia e Peter, ela que até então esteve muito calada e observadora, agora parece tentar, mesmo que com dificuldades, expressar tudo que veem sentido, principalmente por reativar o pior período de sua vida“. Sabemos que a protagonista sempre fora uma mulher de ação com seu trabalho mas ao tratar de seu coração e sua vida pessoal sempre se debatera.

Ao tornar-se mãe, um desejo que sempre teve por assim dizer, acabou por colocá-la em conflito com a pessoa  a qual fora “programada” pra ser desde pequena. Receber o presente que fora Etta balançou seu mundo, afinal estaria destinada a um bem maior do que ser somente uma “super criança de um projeto cientifico”. Tornar-se mãe a fez sentir-se mais humana, afinal seria eternamente responsável por este bem precioso. Quem ela foi e quem ela é que a fazem sentir-se culpada ou até mesmo punida, por talvez não ter aproveitado-a e claro por tê-la deixado escapar de seus braços.

“Naquele dia no restaurante eu sabia que tinha que voltar para Nova Iorque porque não queria encontrar o que sabia que encontraríamos. Eu acreditei tanto que ela estivesse morta que não queria enxergar e você pensou que voltei pela minha força e ela disse como me admirava hoje.”

Peter consequentemente recebe uma parcela da culpa e isto fica evidente no distanciamento físico que ele e Olivia tem desde que saíram do âmbar e até mesmo antes, quando Etta sumira. O posicionamento de Peter é claro na relação deles como casal, pois precisam se agarrar a ideia de que ali, novamente com sua filha, tiveram uma segunda chance, mas que para isto ocorra, é preciso deixar o passado lá trás, parando de carregar a culpa e a dor destes mais de vinte anos separados.

Precisando de cobre para finalizar armadura para a caverna, a única alternativa que eles tem para manter o acampamento intacto e obviamente impedirem que os Observadores os alcancem é negociar com um outro acampamento vizinho, este um pouco difícil de negociar. A fé de Peter em seu pai parece ser inabalável mesmo após tudo que já passaram separados e juntos e é isto uma das coisas que ajudam Edwin a mudar de ideia, concordando em ajudá-los.

Um pai sabe que a coisa mais difícil a se fazer é dizer adeus a um filho, ainda mais quando não lhe há garantias alguma de sucesso, porém certos vínculos nunca poderiam ser desfeitos e é esta proteção extra, por vezes invisível, deixada para as próximas gerações que faz toda a diferença. Percebendo que não basta somente registar, tende de se fazer a história, Edwin num discurso emocionado abraça seu papel nesta jornada para salvar a humanidade, esta a qual ele como qualquer outra pai deseja ser um lugar digno para seu filho viver.

“Covarde é aquele que sabe o que fazer e não o faz”

Tal  pedra vermelha pelos registros da fita irá ajudá-los a gerar uma poderosa fonte de energia que irá permitir concluir a fase final do plano, mesmo que o restante esteja perdido entras as fitas 6 ou 2 ou 7 ou 1 ou 4. Edwin passa a localização do outro acampamento, este que forneceria cobre, porém o que Peter e Olivia por fim descobrem é que não existe nada por ali e tudo isto não passara de uma distração para que Edwin se sacrificasse no poço em busca das pedras vermelhas, estas que ele trocara por sua vida, transformando-o num mártir da salvação.

“Um herói morreu hoje sacrificando-se para que a equipe Fringe obtivesse os recursos que precisava para salvar nosso mundo. Edwin Massey o homem que registrava a história, fez história. Ele fará uma falta enorme como outros grandes homens antes dele, pois deu sua vida de boa vontade em busca de liberdade e um futuro melhor.”

Se estes Legalistas não dormem no ponto, eu é que estou a dormir. Este jogo de gato e rato só vai ficar interessante quando os Observadores pararem de terceirizar o trabalho, arregaçando a manga uma vez por todas, mas até então é divertir ver o lado negro da força a se dar mal.

Enquanto isto a família viaja de volta para Boston com as promessas de um hoje concluído, de um amanhã de muito trabalho e um depois de amanhã no qual desejam mais que tudo poder chamar de amanhã, em sua plenitude e humanidade dada-lhe o ar puro que merece após tantas falta de ar.

Ver Peter, Olivia, Etta e Walter a seguir em frente naquela deserta estrada só me fez pensar o quanto desejo e muito que eles tenham juntos seu tão aguardado final feliz, pois por mais que Fringe seja uma série de ficção cientifica, foi uma série familiar, que fundamentou-se do começo ao fim neste laço inquebrável e intrespassável, até mesmo a considerar os diferentes universos.

E como bem disse no amado Dr. Bishop:

“Agora isso sim é um passeio”

E a contagem regressiva continua: 13, 12, 11, 10, 09, 08, 07, 06, 05, 04, 03, 02 e 01……

Audiência: Sem sinais de mudança, a série manteve-se com os mesmos 1.0 no rating e uma pequena queda para 2.713 milhões de fieis telespectadores.

5 thoughts on “Fringe (5×03) – The Recordist

  1. Esse eps me arrepiou! Sério ele foi sensacional no fato de tocar quem estava vendo, a dose usada nesse eps foi incrível!
    Eu não estou aguentando, quase chorei vendo esse eps, de tão bobo que estou hehe
    Fringe quer apresentar um eps dessa forma e ainda me socar na cara a cada eps que o fim se aproxima u.u
    Ai ai, viu, tá foda demais….

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