Fringe (5×02) – In Absentia


“Eu acho que seria feliz se ficasse aqui pelo resto da minha vida”

Acho que a frase inicial de Peter a Olivia retrata bem meu sentimento com Fringe, afinal não me importaria em ficar mais tempo na companhia destas personagens que tanto amo. Penso que deveria existir outra dimensão, onde nesta Fringe nunca fosse cancelado, perdurando até quando quisesse. Mas como a ficção só está presente na própria série, temos que nos contentar com a contagem regressiva para o fim.

Entendo que a proposta seja correr com a história, concentrando-a no futuro caótico e na eminente guerra a ser travada com os Observadores, mas tenho sentido falta de rostos como o de Broyles e Nina, dois personagens recorrentes de extrema importância. Como tenho evitado spoilers, de qualquer cunho, não sei ao certo como e com que propósito eles irão retornar, mas acho que mesmo com apenas treze episódios, Fringe tem capacidade de trazer alguns aspectos que a fizeram o que ela é hoje e acho que estas personagens simbolizam isto, seja pelo que foi a Fringe Division e a Massive Dynamics.

Após um emotivo episódio, “In Absentia” mostra um pouco mais da realidade em 2036, mas o que mais interessa aqui é como este mundo é visto através do olhar de Etta, pois a filha de Olivia e Peter foi obrigada a amadurecer e consequentemente não teve nenhuma possibilidade de projetar uma vida melhor do que aquela que lhe foi imposta. Olivia assim como Peter no anterior, sonha com o dia que a filha desapareceu e é este sentimento incrédulo que os faz ainda ter dificuldade de compreender que agora estão finalmente juntos.

O esforço de Walter continua em vão para tentar reativar sua memória e após as inúmeras tentativas frustadas em fazer o “Unificador de Pensamentos” funcionar, Olivia sugere que o doutor possa ter deixado algum registro do plano em seu laboratório em Havard, porém o problema é que os Observadores transformam o prédio numa base cientifica, o que os obriga a entrarem nas instalações pelo sistema subterrâneo de ventilação.

O quinteto faz uma “viagem” ao passado, onde o laboratório simboliza exatamente a essência do que foi este universo a qual eles viviam. Uma coisa só me encana é como os Observadores parecem estar muito fora do radar, um pouco até despreparados, só vale lembrar-se do ataque da para desconectar os tubos de monóxido de carbono. Esta falta de percepção agora reflete num laboratório intacto, o que deixa a perguntar: eles realmente se importam com o perigo que a Fringe Division original transmite, principalmente o envolvimento crucial do Dr. Bishop?

Visando proteger as informações confidenciais, Walter envolveu uma parte de suas coisas no âmbar, entre elas uma filmadora, o que indicada que ele não anotou o plano e sim o gravou. Agora tudo que precisam fazer é removê-la dali, mas para isto precisarão ativar o laser, mas que devido ao corte de energia do laboratório não será possível utilizar.

Eis então que surge uma misteriosa figura, um Legalista, que são os guardas humanos que se aliaram aos Observadores, algo que ela como membro da Resistência abomina. Gael é obviamente mantido como prisioneiro para que sua posição na guarda ajude-os descobrir mais sobre o funcionamento do edifício cientifico, este que eles precisarão de alguma forma se infiltrar pra ativar a energia do laboratório.

A falta de tempo neste último ano da série para desenvolver a trama pode deixar alguns detalhes de lado, entre eles quem Etta foi até este momento. Seria interessante saber como ela se adaptou ao longo dos anos e com quem viveu, até chegar ao cargo de agente e membro da resistência. Ainda assim, conhecemos um pouco mais de sua personalidade quando se coloca frente a frente com Legalista. Sua carcaça fica exposta, mostrando uma moça impiedosa e aos olhares desconhecidos, até diríamos que fria, mas o que a motiva desde que se conhece por gente é esta realidade, ter que sobreviver em condições precárias e desumanas, principalmente quando é obrigada a enfrentar aqueles que se venderam ao inimigo por motivos pequenos ou por pura covardia. Seu olhar é profundo e cheio de mazelas e quando a vemos partir para outro método de interrogatório, percebe-se que ela está mais danificada do que aparentemente imagina.

O tal do “Dispostivo Angelical” foi um equipamento desenvolvido para os Observadores viajarem no tempo, mas os Legalistas acabaram encontrando outra forma de utilizar contra os membros da resistência, mas seu resultado é trágico, pois a cada voltagem que a pessoa recebe, perde-se de 25 a 30 anos de vida, causando um envelhecimento acelerado.

“This is a war and we’re losing it”

O que mais esperei desde este impactante momento de Etta é a reação de Olivia, pois conhecemos mais de seu caráter e senso de justiça, mesmo perante as dificuldades. Sua preocupação ficou evidente desde o momento que a vira se trancar na sala junto ao Legalista, mas quando vê o que Etta está fazendo lá dentro pra conseguir a informação, começa a juntar os fragmentos. O olhar de Olivia sempre foi o portal de sua alma e ela sempre acaba por dizer mais desta forma do que por vezes se expressando e é assim que Gael acaba por usar desta acessibilidade para tentar sensibilizá-la com a história de seu filho, barganhando que só irá ajudá-los a entrar no edifício, caso Olivia prometa que irá procurar seu menino.

Tentando poupar o pouco que resta de sua vida, sabendo que não terá a mesma sensibilidade por parte de Etta, o Legalista fornece o código de acesso do prédio, porém existe um segundo acesso: ele mesmo. Todos aqui pensaram que eles iriam arrancar o olho do homem, mas Olivia pede a Walter para enganar o leitor ocular, utilizando assim a iris dele implantada em outro olho qualquer. Aqui vemos outra disparidade entre mãe e filha, pois Etta sem duvida arrancaria o olho dele num piscar de seu próprio.

A maneira com que eles tem conseguido se infiltrar em locais dominados por Observadores tem sido bem curiosa e por vezes nem tão complicada, afinal após Olivia tatuar o rosto de Peter e Etta para estes passarem despercebidos, fico a me perguntar como é que a loirinha passa sem ao menos levantar suspeitas, considerando que o Observador que torturou Walter no anterior a identificou. Não há uma comunicação ou conselho prioritário entre os Observadores? Eles não deveriam ser mais organizados, afinal são os detentores de tudo e todos? Torço para que isto não seja uma falha brutal da trama, pois mesmo com um olhar desconfiado de um deles, pai e filha adentram no edifício.

Após inserirem o número de acesso, acabam por ser bloqueados, pois dois guardas pedem a confirmação de Gael naquele andar, considerando que este nunca anda por ali. Olivia que ficara com o Legalista o convence a enganar seus “colegas” pelo rádio, despistando assim quaisquer suspeitas para Peter e Etta que estavam no local, só a esperar o leitor ocular liberar o acesso.

Se antes havíamos descoberto que o Agente Foster havia sido capturado, agora é entendido o que fizeram com ele. Conhecidos por realizarem experimentos em seres humanos, Etta tem a triste visão da cabeça de seu parceiro e amigo conectada a fios, como se este fosse uma marionete dos Observadores. Provando que não tem sangue de barata e que age também por impulsos puramente emocionais, quase coloca tudo a perder , mas é seu pai, num momento de extrema dificuldade coloca juízo a ela, alegando que o tempo proverá tudo que ela deseja.

“There will be a time for vengance and a time for grieving, but it is not not! Stop. Stop! They will pay for what they have done. I promise.”

Desde que saira por ultimo do âmbar, Olivia tem tido um papel de observadora, mesmo sendo irônico o uso da palavra, mas a protagonista serve como uma espécie de cola que unifica tudo e todos e isto fica perceptível até para o Legislador. Gael pergunta a ela se realmente acredita que a resistência pode vencer esta guerra e é novamente com seu olhar aberto, que diz que eles precisam vencer, pois as mortes, como a do filho dele, não teriam sido em vão.

Mesmo a religar a força do laboratório ao som de uma música clássica automática de Walter, pai e filha retornam ilesos e é aí que Etta toma a frente novamente, levando o Legislador embora, ao que tudo indicada para entregá-los a resistência. Este aqui foi o momento mais importante de todo o episódio e talvez será esta conversa que transformará Etta na pessoa que ela deve ser, na filha efetiva de Olivia e Peter. Mesmo a acusar a mãe de ter sido manipulada pelas mentiras do Legalista, pois este claramente não tem nenhum filho, a sabedoria e sensibilidade de Olivia cutucam a dura carcaça de Etta.

“You’re right. I don’t know your world but I had hoped for you that, wherever you were, you weren’t hardened by what had happened to you. And it’s not that I don’t see what the observers have brought, I do but what concerns me more is what they’ve taken away.”

E são estas diferenças de olhar que as aproximam pela primeira vez, quando Etta escolhe por libertar o Legalista, após este falar que irá se unir a resistência, tudo isto graças a Olivia, que o fez enxergar esperança e a possibilidade de vitória pela primeira vez. Este mesmo olhar foi responsável por fazer a filha sentir pena, não só do Legalista, mas de todos eles por estarem nesta situação.

Fechando com um grande cliffhanger, eles conseguem remover a filmadora do âmbar e assim finalmente assistem o conteúdo gravado por Walter, este que a principio é confuso mas que os faz entender que o Doutor, como forma de preservar o plano, o separou em fitas, tendo então eles que encontrar a primeira. Começa então uma nova jornada, algo meio em busca das relíquias da morte ou diria aqui, relíquias da vida, pois a concretização do plano poderá salvar eles e toda a humanidade.

E para além da ficção, Fringe entrega mais um precioso episódio e mesmo com uma certa lentidão ao tão esperado conflito, até então cumpre com a premissa de um satisfatório e emocionante encerramento.

E a contagem regressiva continua: 13, 12, 11, 10, 09, 08, 07, 06, 05, 04, 03, 02 e 01……

Audiência: Já não é de hoje que Fringe pena com seus números e este episódio foi mais um resultado, com um baixo 1.0/3 no rating e 3.03 milhões de fieis telespectadores.

4 thoughts on “Fringe (5×02) – In Absentia

  1. São 40 minutos que passa e você nem percebe!
    Já imaginava que Etta seria assim, mais mente do que coração…
    É incrível ver as diferenças e as semelhanças de mãe e filha tão juntas!
    Quanto aos outros personagens é realmente uma pena não tê-los ainda nos primeiros episódios. Creio que teremos surpresas quanto à eles, não acho que serão aliados…. Principalmente Nina…
    Esperaremos!

    Por ser apenas 13 episódios acho que a história está meio freiada… Mas tenho quase certeza que uma reviravolta acontece amanhã🙂

    Seus reviews são fodas Mana ^^

  2. Adorando essa temporada já PQP viu!!

    Esse clima, essa relação entre os personagens, está fluindo tão bem, tudo está dando certo, tudo tem seu motivo agora pra acontecer, e o desenvolvimento da Etta é incrível!

    Olivia cada vez mais linda, muito amor❤

    Nem sei oq vai ser de mim com esse fim, só sei que já estou contente e pensando positivo com essa temporada *-*

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