Downton Abbey (3×03) – Episode 3


Apesar de já sentir saudades de Shirley McLane e sua Sra. Martha Levinson, Downton Abbey continua a fazer funcionar sua fórmula, regada de momentos intensos e pra lá de dramáticos, mas que pelo menos rendem um final feliz. Confesso que fiquei surpresa com a possibilidade de outro casamento no castelo, mas tratando-se de Lady Edith, a Crawley que acredito eu, mais sonhou com este momento, os preparativos e a atenção gerada em torno dela fazem jus a personagem mais fora do radar da família.

A ação no andar debaixo foi intensa novamente, mas não só a tratar da decoração e do grande banquete a ser servido. Ms. Hughes ainda está na estaca zero com relação aos resultados de seu exame, o que a deixam extremamente cautelosa, principalmente para evitar que alguém descubra sua situação. Mr. Carson que de bobo nunca teve nada, percebe que seu braço esquerdo anda meia evasiva e ao ouvir uma conversa dela com Mrs. Patmore acaba ligando os fatos que ela pode não estar bem de saúde. Apesar do jeito mandão, até porque sua posição na casa exige que seja assim, o mordomo tem um bom coração e é realmente triste vê-lo descobrir, sem querer, após um palpite que joga sob Mrs. Patmore – o famoso joga o verde pra colher o maduro – que Mrs. Hughes pode estar com câncer.

Por enquanto a rivalidade entre Thomas e O’Brien tem sido divertida, mas algo me diz que não será tanto assim daqui pra frente, principalmente a considerar que ambos são capazes de tudo para manterem suas posições, principalmente quando existe alguém a ameaçá-los. Ainda ferido com a pegadinha do sumiço das camisas, Thomas resolve jogar baixo e desta vez envolve Mosley. O novo valete do Lord Grantham ingenuamente acredita que O’Brien pretende abandonar seus serviços e com isto resolve indicar uma substituta para a Condessa Grantham, afinal esta ficará sem sua criada pessoal. O buzuzu se espalha pela casa e acaba por deixar o valete numa situação comprometedora, pois fica claro que O’Brien não pretende deixar a casa. Quando esta descobre que Thomas que está por trás da tramoia, de fato podemos esperar uma vingança bem arquitetada, mesmo que esta não saiba ainda o que fazer exatamente.

A trama de Bates e o papel de Anna para descobrir a verdade sobre o assassinato de Vera tem mais destaque neste, porém algo me diz que a doce e atual Sra. Bates poderá descobrir mais coisas do passado e do comportamento de seu marido que talvez não gostaria de descobrir, a começar com a conversa que teve com a vizinha da falecida. Continuando sua jornada para provar sua inocência, Anna vai até onde Vera morava e descobre que esta andava muito apreensiva e assustada, principalmente a respeito da visita de Bates.

A mulher diz ter conhecimento da carta que ela escrevera e o súbito desaparecimento que foi seguido a revelação de sua morte só consegue associar a ele, ou seja, acredita sim que Bates é o culpado.

Bates continua a reprovar no teste de popularidade na prisão, então um dos “colegas” o alerta que seu companheiro de cela implantou algo em seus pertences a fim de complicá-lo com os guardas. Provando ser verdadeira a informação, Bates encontra um objeto que parece ser uma faca antes da vistoria dos guardas, que estavam ali realmente a procurar algo, considerando a emboscada que armaram.

O inevitável está prestes a acontecer e mesmo com o grande dia de Lady Edith a chegar, todos os membros da família começam a se organizar para a grande mudança. Lord Grantham leva todos para conhecer o novo “Downton Place”, casa suficientemente confortável que faz parte de sua herança, local que consequentemente não precisará do staff completo.

Sra Violet mesmo descontente com o humilhante rebaixamento social/econômico, continua a ironizar sua situação e durante o piquenique de “reconhecimento do novo lar”, sugere que abrirá uma loja para se sustentar. Mesmo com o clima descontraído no campo, as tensões de Mary e Matthew a respeito da herança dos Swire continuam, ainda mais agora que ele recebera uma carta de seu ex-sogro, cujas palavras se recusa a ler, temendo um novo tormento a sua consciência, afinal o pai de nada sabia sobre sua real situação final com Lavinia.

Mary que nunca jogaria a bandeira branca sem tentar de todas as formas resolve arriscar-se e numa jogada ousada, bem típica de sua personalidade intransigente, lê a carta sem o consentimento de seu amado e para sua grande surpresa, descobre que o Sr. Swire parece estar ciente de todo o ocorrido, mas que ainda assim o preza imensamente, pedindo que não se sinta culpado por usufruir dos bens de sua família caso ele os herde. O problema aqui é processar como que Lavinia pode ter informado o pai sendo que estava a dar seus últimos suspiros no castelo. Qualquer um pode até ter pensado “Isto é coisa da Mary, só pode”, mas nem mesmo sua motivação desenfreada por salvar os Crawley seria capaz de fazê-la jogar tão sujo.

Desconfiada, Mary investiga quem pode ter escrito a carta que o pai de Lavinia recebera e nada mais sensato do que perguntar aos criados do castelo se algum deles ajudou-a a redigir a carta. Daisy que não estava na cozinha no momento escuta a conversa e revela com naturalidade que fora ela quem escreveu tudo a pedidos da falecida, o que somente pelas expressões de Mary já fica entendido um “Estamos salvos”.

A cena seguinte é muito importante para a que parecia ser a trama principal desta temporada, mas a solução ao problema financeiro dos Crawley abre portas para novos dramas, estes que aguardo ansiosamente. Com isto, Mary tira então o fardo angustiante da culpa das costas de Matthew, fazendo-o finalmente concordar em abraçar a herança deixada, mas logicamente só darão as boas novas após o casamento de Edith, afinal os holofotes merecem ser todos dela.

Como num belo romance o melhor sempre fica para o final, ainda mais quando a série de acontecimentos marca a primeira trégua entre Mary e Edith, considerando o histórico de maldades e ofensividades que sempre soltaram uma a outra. E é assim, após o belo retrato entre as agora ex-Ladys, que a irmã do meio está a poucos passos de realizar seu maior sonho.

Sir Anthony já havia conversado com Lord Grantham e a pergunta que fizera foi categórica: “Estas feliz com o casamento?”. Tentando não destruir o momento e mesmo assim o fazendo, o pai responde meio que friamente que a felicidade de sua filha é sua própria felicidade, o que ao ver de um pretendente isto não é lá um bom sinal, principalmente quando as expressões do noivo, em plena igreja lotada, confirmam tais incertezas.

Sim meus caros, a alegria durou pouco, pois só foi ele mirar o olhar sob ela que já previ o que viria dali pra frente. E é com as temidas palavras “Eu não posso fazer isto com você”, uma direta objeção ao fato dele, com sua idade avançada, estar a arruinar sua vida, afinal daqui uns anos estará a cuidar de um idoso inválido, que o cavaleiro armado de Lady Edith a abandona no altar. Mesmo com objeções da família, todos sabiam que aquele era o desejo de Lady Edith, mas como uma mulher não tem poder de voz numa situação como estas, foi totalmente previsível sua avó intervir no momento, ela que sempre abominou a ideia da união. Sir Anthony de fato a ama mas este sentimento não é maior que a culpa que sente em atravancar sua mocidade.

Com uma casa totalmente decorada e um banquete pronto pra ser servido, tristemente vemos o véu sobrevoar sobre o salão principal do castelo e com a cama a sua espera, Lady Edith se joga num choro que demorara para secar, principalmente considerando o vazio e frustração, além da revolta que senti em continuar solteira, enquanto sua irmã mais nova está gravida e a primogênita provavelmente estará em breve.

Pois é, Lady Edith parece que irá continuar com o fardo de encalhada, mas espero sim, que encontro a felicidade, afinal a prefiro sorridente do que toda trabalhada no recalque.

Nem tudo é lágrimas, então provando ser um homem de fibra e caráter, Matthew dá as boas novas a seu sogro, mas este possui uma integridade quase que perfeita – não podemos esquecer sua traição – então aceita o dinheiro porém o genro entrará como investidor de Downton, colocando-o lado a lado para co-administrar a propriedade como sócios familiares.

Sempre torci para Mr. Carson e para a Mrs Hughes, não sei dizer ao certo, mas mesmo eles sendo reservados ao extremo e super profissionais, acredito que os dois poderiam desenvolver algo um pelo outro e meu coração mole gosta de acreditar que seja para além da admiração, existe algo. O mordomo ficara apreensivo durante todo o período, tentando disfarçar a todo custo sua ansiedade pelo resultado e quando este vem, não lhe resta outra coisa a fazer a não ser cantar. Não sei se Mrs. Hughes pediu para Mrs Patmore confirmar que o câncer era benigno somente para tirar o peso das costas dele, mas quero acreditar que mais uma boa noticia bateu a porta do castelo e o mais importante disto tudo foi a humanidade e respeito da Condessa por sua dedicada governanta a dizer que independente do que acontecer, ela irá cuidar dela.

Concordo plenamente Mrs Hughes, um gesto como este é mesmo de comover e é assim que Downton Abbey encerra mais um maravilhoso episódio.

One thought on “Downton Abbey (3×03) – Episode 3

  1. Como uma série pode manter um nível tão alto nos três primeiros episódios da temporada?
    Agora estou achando mesmo que Bates matou a ex mulher, o personagem mudou muito nessa temporada! Coitada da pobre Anna, vai vir polêmica por ai!

    Existe pessoal com mais falta de sorte que a Edith? Nossa, muita pena dela. Fiquei até com vontade de chorar na para em que ele jogou o véu pelas escadas. Espero que arranjem alguém para ela sim, senão vai voltar aquela coisa chata de recalque máximo.

    Mal posso esperar pelo Matthew como administrador da abadia! A Mary agora que vai se achar ainda mais a rainha da Inglaterra xD

    Muito amor a relação entre Mr. Carson e Mrs Hughes, sempre torci pelos dois juntos. Espero que aconteça algo.

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