Doctor Who (7×05) – The Angels Take Manhattan (Fall Finale)


New York. The city of a million stories. Half of them are true, the other half just haven’t happened yet. Statues, the man said. Living statues that moved in the dark.

O que você faria pelo grande amor da sua vida? Essa foi a primeira pergunta que surgiu na minha mente assim que terminei de assistir a fall finale de Doctor Who. Antes de começar meu discurso, eu sei que há pessoas que não gostam da Amy por achá-la arrogante demais, do Rory por ser bobo em alguns momentos e até mesmo pela versão do Doutor interpretada por Matt Smith. Dando minha opinião particular, acho que quem acompanha a série deveria compreender melhor do que ninguém que cada “versão” do Doutor automaticamente corresponde à personalidade dos companions que embarcam na viagem com ele na TARDIS.

Matt Smith, Karen Gillan e Arthur Darvill mostraram uma química inquestionável ao longo de duas temporadas e meia. A interpretação do trio no decorrer dos episódios amadureceu. Concordo que foi difícil se acostumar com três novos personagens logo de cara, sem compará-los a herança de David Tennant e as companions anteriores. Afirmo que é impossível dizer que o 10º Doutor foi superado pelo 11º, assim como Rose, Martha e Donna, mas Amy Pond e Rory Williams fizeram o possível para honrar a magia que Doctor Who representa, da mesma forma que o 11º Doutor.

Com a chegada do trio, houve um novo viés para a série e nada do passado poderia ser prolongado. Mesmo com a estranheza, os Pond e o novo Senhor do Tempo conseguiram me espantar, me emocionar e me fazer isso tanto quanto outras histórias que nos fazem acompanhar a série até aqui. Ao longo da saga dos Pond, descobrimos que eles foram criados para mostrar que o amor é importante, que o sentimento pode vencer quaisquer obstáculos, sem contar a importância da amizade que é uma das coisas mais preciosas que um ser humano precisa ter na vida.

Eu estava com medo de assistir à fall finale de Doctor Who, admito. Eu passei a semana inteira em clima de luto. Pode soar exagerado, mas era como se a cada dia um peso sobrecarregasse meus ombros de maneira que eu me sentisse cansada e, acima de tudo, chateada. Há uma estátua de anjo na porta da minha casa e, toda vez que a avistava quando chegava do trabalho, eu dizia: Don’t Blink. Eu sofri por antecedência, pois eu tenho o dom de gostar de personagens que sempre morrem no final das contas. Pensar assim, me machucou triplicamente mais.

Eu odeio despedidas com a mesma intensidade que o Doutor odeia finais de livros para não saber o final da história. Ele também não idolatra o momento de dizer adeus. Eu queria poder arrancar a última página de muitos capítulos da minha vida, pois pensar no que me espera no final das contas é apavorante. Ainda mais se eu tivesse um livro nas mãos que contasse todos os detalhes dos meus próximos dias, como a minha saga terminaria e se eu teria ao meu lado uma pessoa que jurei honrar, proteger, amar, na saúde e na doença até que a morte nos separe.

Com meus personagens favoritos eu sou bastante emotiva, não tem jeito. Quem me conhece, sabe que precisei de apoio moral e estrutural para aguentar a morte do Snape em Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2. Agora, assistir ao acontecido com os Pond, sozinha, e ainda desestruturada depois de um episódio cruel de Grey’s Anatomy, os soluços demoraram a serem silenciados. É bom que você saiba, caro leitor, que meu teclado está banhado em lágrimas e, ao lado do meu notebook que se chama Rory, encontram-se lenços salpicados de emoções incontroláveis. Escrevo cada palavra desta review com honestidade e peço desculpas por ela ter ficado gigantesca.

Certas coisas não deveriam doer como um baque surdo no peito, mas quando se trata de despedidas de companions, as coisas tendem a ser bastante hardcore. Moffat tomou todo o cuidado e nos preparou aos poucos com relação ao que estava por vir. O começo do episódio foi um flashback do poder dos weeping angels em um antigo prédio chamado Winter Quay, que nada mais é que o antro de energia das estátuas. As coisas se tornaram ainda piores quando a tomada de cena é cortada e vemos o Doutor e os Pond felizes da vida, como se fossem ver o sol nascer no dia seguinte, com direito a uma musiquinha sobre alien, super a cara do 11º Doutor.

Meu mundo começou a ruir quando Rory desapareceu. Ao se dar conta que o livro que lia era uma narração do que aconteceria com eles, o Doutor e Amy se desesperam e o close no túmulo dele me fez querer arremessar o controle remoto na direção da televisão. Minhas premonições com relação ao descarte do The Nose se confirmaram e eu entrei em desespero, pois sou apaixonada pelo rapaz. Por que derrubar a Amy se ela foi a primeira companion a entrar na TARDIS antes do Rory, certo? Por mais que não desejasse que acontecesse algo de ruim com a ruiva, o centurião morreu várias vezes ao longo da série e não precisava de mais um tapa na cara, embora a situação toda fosse a esperada.

Eu achei a trama muito bem feita e construída em clima de história de terror com uma pegada gangster entre Grayle e Garner. Os dois personagens deram um bom viés para o que viria acontecer com os Pond. Além disso, o ocorrido no passado deu uma justificativa para a presença de River na finale, pois achei que ela apareceria feliz da vida e sem motivo, por ser o último dia dos pais dela na série. Adorei ela ter reaparecido toda fuckyeah, com a falsa responsabilidade de ter o papel de detetive especialista em weeping angels. Não pensaria em ninguém melhor que ela para assumir essa posição, fato!

Nada se comparou ao meu frenesi ao rever River imponente nesse episódio de Doctor Who. Realmente, ela merecia estar presente na despedida dos pais e fazer o melhor para que nada de ruim acontecesse. Se não fosse por ela, o Doutor teria reagido muito pior com relação ao futuro dos Pond descrito no livro sobre a detetive Melody Malone (que era ela). O saudoso sweetie foi música aos meus ouvidos, assim como o comportamento irônico dela para cima do Senhor do Tempo, os flertes e o tapa na cara. O toque gentil da filha dos Pond foi essencial e importantíssimo para o episódio conclusivo.

O desenrolar da história me fez ficar preocupada com o tempo do episódio. Imaginei se a tortura começaria logo de cara ou se seria prolongada a felicidade ilusória dos Pond, antes da situação ficar impossível de respirar. Depois do fim de Garner no Winter Quay, as tomadas se focam na Nova York de 2012 e eu cheguei a acreditar que nada de tão ruim aconteceria com Amy e Rory. Ambos estavam muito felizes na companhia do Doutor. Juro que cheguei a acreditar que todo aquele climão criado por Moffat e pelos atores sobre o gran finale era mera fachada, só para fazer os fãs se desesperassem.

Ora, Doctor Who é uma série familiar. Depois de Rose terminar em um universo paralelo, Martha desistir do Doutor, Donna perder a memória, o que mais poderia ser pior? Matar o Rory? Não, eu fui esperançosa até quando deu para ser, e cogitei por breves segundos que Amy e Rory simplesmente voltariam para casa por presenciarem algo terrível que os fizessem desprezar o Doutor por ter matado algum inocente. Minha convicção sobre essa ideia sem pé e nem cabeça saiu pela culatra quando Rory é sugado pelo tempo e encontra River. Eis que começa meu pior pesadelo na Nova York da década de 30, quando pai e filha encontram Grayle, o doente colecionador de weeping angels.

River e Rory têm a missão de seguir os passos de Garner no Winter Quay enquanto o Doutor e Amy seguem o livro para voltarem no tempo e alcançar os dois. O único momento de risada garantido foi quando o Senhor do Tempo arruma os cabelos, as vestes e dá uma piscadela para seu reflexo, pronto para reencontrar River. O silêncio voltou à tona quando Rory é arremessado com os querubins porão abaixo e foi nesse momento que meu coração quase saiu pela garganta. A maneira como um dos capangas de Grayle o arremessa pela escada me deixou revoltada e eu fiquei crente que ali seria o fim dele, antes mesmo de Amy aparecer para dizer adeus.

Nada mais aterrorizante do que estar em um lugar onde anjos das trevas querem arrancar sua alma, sem pedir autorização. Por mais que eu ame a Amy (amo muito, diga-se de passagem), eu pensei: por que Rory de novo? Ele fez tantos sacrifícios pela ruiva, sofreu com tanta insegurança por achar que a esposa não o amava e, mesmo sendo chutado para fora de casa, ele nunca hesitou em querer salvar a vida dela. Dentre todos os fatos que fizeram parte da história dos Pond, nada se compara à sua espera de dois mil anos pela esposa e nada foi mais destruidor do que ouvir Amy chamá-lo de centurion pela última vez.

Volto àquela sensação de assistir um filme de terror e tentar avisar a vítima sobre o perigo, mas quando descobrimos o que o futuro nos reserva, não há como alterá-lo ou reescrevê-lo. Palavras do Doutor.

Eu achei bem inteligente a questão do livro com a história de Melody Malone que, no final das contas, teve uma finalização no ponto de vista de Amy Williams. Esse papo de que o futuro não pode ser reescrito a partir do momento que você sabe sobre ele faz todo o sentido. Se algo está destinado a acontecer, não tem como mudar o desfecho. É como viver no filme Premonição e tentar fugir da morte o tempo todo. Eu acredito e muito no que é destinado para cada um de nós, mas também acredito em mudanças, da mesma forma que Amy, pois ela confiou nas possibilidades e nos seus instintos ao decidir não abrir mão do seu bem mais precioso que é Rory.

O Doutor voltou a duelar com os piores fantasmas diante de mais uma despedida que ocorreu de forma antecipada. O livro não foi explorado na leitura, mas Amy viu a esperança nos títulos que, às vezes, dão muitos spoilers. E foi isso que aconteceu e não houve estrutura emocional que fizesse o Senhor do Tempo suportar e segurar mais uma crise de ira e inconformismo gerado pela probabilidade de perder não só um, como dois companions. Achei válida a maneira amorosa como River cuidou das emoções do seu marido e vice-versa. Foi um episódio realmente voltado para os casais, em diferentes casamentos, que de uma maneira ou de outra, se mostraram fortes para duelar contra os weeping angels.

Preciso mesmo mencionar que foi linda a atitude do Doutor regenerar o pulso de River? Eu não sei se estava emotiva demais, mas foi uma das cenas mais tocantes do episódio. A atitude me fez relembrar da cena em Let’s Kill Hitler em que a Dr. Song na versão Melody Pond regenera o Senhor do Tempo por conta do veneno de um beijo assassino. Eles precisavam de um momento só deles, ainda mais depois da verdadeira identidade da mulher ter sido revelada e por terem concluído tão bem a sexta temporada oficializados como um casal.

Estava mais que na hora do Doutor e River demonstrarem o amor alienígena que sentem um pelo outro, um sentimento entre Senhores do Tempo, tão engraçado, tão preocupante e tão desgastante que chega a machucar. O ápice de confiança e cuidado entre eles foi quando ela mente para o Doutor sobre o pulso quebrado para não tentar desesperá-lo mais e dar-lhe esperança com relação às mudanças que podem acontecer no futuro dos Pond. Julgar o alienígena de emotivo foi engraçado, ao mesmo tempo perturbador, pois até aqui ninguém sabia como ele reagiria ao adeus a Amy e Rory.

Together or not at all

Volto a perguntar: o que você faria pelo grande amor da sua vida? Não há exemplo melhor para dar essa resposta que Amy e Rory. Ele nunca recuou em dizer a ela com todas as letras do alfabeto que a ama e que sempre a amará. Nesse episódio, isso ficou muito mais claro, pois o amor ultrapassa limites e as pessoas dentro de um relacionamento precisam se sacrificar uma pela outra. Rory reconheceu esse momento e, com um discurso lindo, de fazer qualquer pessoa chorar, ele resolve aniquilar a própria vida para que os weepings angels deixem de existir, na esperança que ocorresse um paradoxo.

Anyway, what else is there? Dying of old age downstairs, never seeing you again? Amy, please. If you love me, then trust me and push.

Você empurraria? Acredito que não, mas é preciso de muita coragem para bater no peito e resolver pular de um prédio ao lado de alguém que ama. Foi uma atitude Romeu e Julieta ou Jack e Rose do filme Titanic, mas como foi dito ao longo do episódio “isso se chama casamento”. Você não ignora a pessoa que passou tanto tempo junto com você, o tempo que compartilharam juntos ou a intensidade do que viveram. Não há como simplesmente dar as costas e deixar a pessoa que ama morrer, pois não há possibilidades de ficarem juntos.

Amy e Rory fizeram o juramento de se amarem e se protegerem nos melhores e piores momentos da vida deles. Esse sempre foi o propósito da história de amor dos Pond, pois o casal sempre mostrou de maneira graciosa que esse sentimento tão puro quando é honesto existe e que ele consegue sobreviver a qualquer coisa, mesmo que seja além da vida, do tempo e do espaço.

Eu assisto outras séries e muitos filmes, mas nenhuma história de amor conseguiu ser tão perfeita e me tocar de forma tão profunda quanto a de Rory e Amy. Especialmente o intenso amor e dedicação que vinha por parte do rapaz. Isso me fez respeitá-lo. Ele nunca abriu mão do que sentia pela esposa e desistiu inúmeras vezes da própria vida pelo bem-estar dela. A atitude dele nesse episódio não me surpreendeu, pois ele optou pelo lógico que foi morrer a viver sem a pessoa que ama ao seu lado. Quando Amy resolve pular ao lado dele e o Doutor surge desesperado em querer salvá-los, eu já estava fora de mim e mal conseguia respirar de tanto que chorava.

Minhas esperanças tinham chegado ao fim, mas o Doutor e River reaparecem com a TARDIS, e Amy e Rory pareciam ter sido bem-sucedidos com a realização do paradoxo. Nessa hora, eu fiquei com uma vontade imensa de xingar o Moffat e decretar meu abandono oficial de Doctor Who, por achar uma mancada tremenda o fato dos Pond terem sobrevivido após uma cena tão perfeita, chorosa e recheada com o tom de despedida. Eu me senti uma idiota, pois era como se Moffat quisesse estilhaçar todo o clima de depressão para rir da minha cara por ter sido tolinha demais em ter chorado as pitangas. Mas me convenci que aquela cena não era a conclusão, pois o abraço arrebatador do Senhor do Tempo que respirou aliviado ao vê-los simbolizava que aconteceria algo mais.

Eu não estava errada. Rory vê seu túmulo e ele desvanece dos olhos de Amy, pois um weeping angel se safou. Assistimos a mais uma crise de loucura, insatisfação e revolta do Doutor, acompanhada de mais uma onda de lágrimas intermináveis. Mais uma vez, a ruiva se vê diante de uma escolha, entre ficar com o Senhor do Tempo e a TARDIS ou seguir caminho ao encontro de Rory para que ambos envelhecessem juntos. Foi realmente brilhante terem colocado esse impasse mais uma vez na vida da jovem que, pela segunda vez, fez a escolha certa.

Rory sempre foi o garoto inseguro, que estava prestes a casar e quase perdeu Amy por causa da chegada do Doutor. Ele foi embora de casa por achar que a esposa não o queria mais. Ele foi atrás dela quando ela ficou empacada em Demon’s Run e deu à luz a filha deles. No final das contas é bom reviver o episódio Amy’s Choice e relembrar o quanto os Pond sempre foram feitos um para o outro. Esse foi o episódio crucial na construção do relacionamento de ambos, pois pela escolha de Amy a história do casal começou a ser desenrolada. Por meio da escolha, ela leva ao fim a trama deles na série.

You look after him and you be a good girl.

Achei excepcional a relação mãe e filha entre Amy e River. Realmente faltava esse toque maternal entre elas. Quando as mulheres se encontram e a ruiva questiona o por que dela ter mentido sobre o pulso, vimos uma relação de respeito de River com relação à mãe, mesmo com a diferença gritante de idade. Dr. Song repete as palavras que Amy tinha escutado: o Doutor odeia finais. E ela não estava errada quanto a isso. Eu perdi o chão quando Amy e River dão as mãos e a ruiva pede para que a filha cuide do Doutor. Tudo foi ainda mais lindo quando River a chama de mãe no decorrer da trama e a vê com devoção.

Por isso, destaco que a presença de River foi de suma importância para a fall finale, pois ela deu equilíbrio à trama. A filha dos Pond foi responsável em controlar muitas emoções, inclusive, as do Senhor do Tempo. Sabemos o quanto o homem é fraco com relação a finais, não importa quantos corações ele possui. O Doutor nunca teria jogo de cintura para suportar mais uma despedida, ainda mais de maneira tão trágica. Eu queria perguntar a ele, agora, qual é a sensação de sentir dois corações doerem ao mesmo tempo. Se um só falta matar, dois deve ser um pedido de AVC fulminante.

Rory foi embora primeiro e levou um pedaço do meu coração. Logo em seguida, foi Amy que, pela segunda vez, se sacrificou pelo homem que amava no mesmo dia, em diferentes décadas. Ela foi tocada pelo anjo. Não bastava apenas pular do prédio, ela tinha que acatar a regra de não piscar. A frase final de despedida para o querido amigo imaginário, ou como ficou apelidado, raggedy man, deu por encerrada a saga da garota que esperou. Ela começou como Amy Pond e termina sua história com Amy Williams, a escritora.

Eu tenho uma devoção pela Amy, pois minha personalidade sempre bateu muito com a dela. Quando ela mencionou o Doutor como amigo imaginário na quinta temporada, pensei na hora: essa é minha garota. Ela cresceu em um lar sem esperança e o único sentimento de felicidade que ela teve no decorrer da vida foi acreditar que um tonto de suspensórios e gravata borboleta fosse buscá-la para dar continuidade ao conto de fadas. O único ombro amigo que ela tinha era Rory, mas a jovem era muito imatura para dar o respeito e amor ao rapaz.

Amy foi uma figura não muito distante do público-alvo da série e tenho certeza que ela representou muitas garotas. Quem não queria um amigo imaginário capaz de mostrar coisas incríveis, sem se importar se você está de pijama ou não?

Eu me vejo facilmente como a garotinha sentada na mala à espera de algo incrível e promissor acontecer na minha vida. O imaginário infantil ultrapassa barreiras e é onde se abrigam as melhores e piores memórias da vida de uma pessoa. Como diria o Doutor, paciência é para os fracos, mas Amy foi paciente e isso só comprova que precisamos ter um pouco de fé para seguir em frente. Querendo ou não, Amy Pond foi o exemplo de esperança e da crença pela espera de algo melhor.

Antes de finalizar essa review bem emocionada, vale comentar os pontos altos da fall finale. Meu voto vai para a versão aterrorizante da Estátua da Liberdade como weeping angel líder. Ela conseguiu me assustar e nunca mais olharei à herança cultural de Nova York com os mesmos olhos. Com relação à trama, gostei bastante como ela foi construída, o enredo respeitou os limites e o timing de cada personagem, embora eu tenha achado que as situações demoraram um pouco para se desenrolarem. No final, as conclusões do episódio passaram como um flash, sendo necessário dar mais uma conferida para ter certeza que o que foi visto fazia sentido.

Uma curiosidade e que pode ser uma deixada para o retorno da série ano que vem é que River nos relembra que ela sabe que ninguém mais liga para a existência do Doutor. Eu esperei ansiosa que a mulher comentasse sobre os Daleks, mas infelizmente isso não aconteceu. Desde o início da sétima temporada fala-se muito de Doctor Who? e eu quero saber se esta camuflagem do Senhor do Tempo durará para sempre ou se ela será desvendada ao lado da nova companion.

Outra coisa, eu não sei se estava muito concentrada na questão da despedida dos Pond, mas os weeping angels costumavam ser mais aterrorizantes. Não que eles não tenham sido, mas achei que eles foram chutados de lado por conta da carga emotiva que imperava na saída de Amy e Rory. Não tem como negar que esse episódio e os anteriores foram focados nas últimas aventuras do casal e eu não tenho nada do que reclamar quanto a isso. Se for para pensar bem, não adianta começar uma trama fresquinha com os Pond inclusos, sendo que a nova companion chega no especial de Natal. Convenhamos, não fazia sentido criar um enredo mirabolante com dois personagens que estavam de malas prontas para partirem.

Eu não pensaria em final feliz para os Pond, pois viajar com o Doutor nunca rende uma ótima conclusão. Ele alastra discórdia, lágrimas e perdas. Por mais estranho que possa parecer, Amy e Rory tiveram o final perfeito, pois ambos terminaram juntos, em qualquer que seja o universo, era, planeta ou época. O Doutor não gosta de finais. Eu muito menos. Foi de soluçar a cena em que ele corre atrás da cesta largada pelos Pond e por ele, com o intuito de ler a última página do livro sobre Melody Malone. A página do futuro. O futuro que não pode ser reescrito.

Hello, old friend. And here we are. You and me, on the last page. By the time you read these words, Rory and I will be long gone. So know that we lived well and were very happy. And above all else, know that we will love you always. Sometimes I do worry about you though. I think once we’re gone you won’t be coming back here for awhile. And you might be alone. Which you should never be. Don’t be alone, Doctor.

Ver os olhos tristes do Senhor do Tempo mais uma vez, por conta de uma nova perda, é uma realidade que ele deveria estar acostumado. O Doutor aprende todos os dias a amar e a se preocupar demais com alguém. Com os Pond, ele teve uma preocupação dupla e a responsabilidade de cumprir a promessa feita a Brian, antes do trio embarcar na TARDIS pela última vez. A verdade é que Amy e Rory fizeram do Senhor do Tempo um alien mais humano do que ele imagina. Esse foi o marco primordial que o casal trouxe e deixou com carinho para ele: resquícios de humanidade, de amor, de carinho e, acima de tudo, de respeito e de juízo.

River pede para que o Doutor não viaje sozinho. Amy pede para que ele não fique sozinho. Reviver a pequena Pond foi um golpe muito baixo e realmente não teve como não se emocionar com a tomada de cena final. The Girl Who Waited e The Last Centurion se despediram com classe, geraram muitas lágrimas e deixaram em nossa responsabilidade a crença de ter esperança e acreditar no impossível. Sem contar, no encontro de almas gêmeas que sobrevivem no final das contas.

Os Pond deixarão saudades. É meio cedo para isso, mas dou as boas-vindas a Jenna-Louise Coleman e espero que ela faça um excelente trabalho ao lado de Matt Smith.

Nos vemos no especial de Natal, whovians!

And do one more thing for me. There’s a little girl waiting in a garden. She’s going to wait a long while, so she’s going to need a lot of hope. Go to her. Tell her a story. Tell her that if she’s patient, the days are coming that she’ll never forget. Tell her she’ll go to see and fight pirates. She’ll fall in love with a man who’ll wait two thousand years to keep her safe. Tell her she’ll give hope to the greatest painter who ever lived. And save a whale in outer space. Tell her, this is the story of Amelia Pond. And this is how it ends.

Come along, Pond.

5 thoughts on “Doctor Who (7×05) – The Angels Take Manhattan (Fall Finale)

  1. Oh céus o que falar desse episódio? Como você e o querido Doctor eu odeio finais, embora eles sejam necessários para começar uma nova jornada.
    E esse episódio posso dizer que Moffat fez uma despedida excelente com a carga emocional na medida certa.
    Também chorei horrores em várias partes do episódio. Acompanho a série tem pouco tempo (mais ou menos 1 ano), mas acho que os Ponds foram os que mais me identifique e amei…
    Foram eles que tiveram uma história bem diferente das outras 3 envolvendo um casal na TARDIS, uma filha que é agora esposa do Doctor e além da Amy conhecê-lo logo na época da vida em que se tem uma imaginação tão fértil.
    Vai ser difícil acompanhar a série com outra companion, mas acho que vai dar um ar diferente e ótimo no final das contas.
    Mal posso esperar pelo Natal trazer esse novo começo para nosso querido alien!

    PS: A morte do Snape é sacanagem com qualquer pessoa mesmo!

    • Realmente, os Pond tiveram uma ótima construção de história. Moffat conseguiu resgastar a magia do suspense e do bom humor e acidentalmente formou o trio perfeito com Gillan, Darvill e Smith. Eu não consigo nem me ver assistindo o especial de Natal, pq procurarei meus Pond, sem dúvidas Hahahahaha

      Mas eu fui com a cara da Jenna. Ela foi bem no primeiro episódio da temporada. Mas eu senti que ela tem meio o appeal da Amy e isso eu fiquei com o pé atrás Hahahah

      Beijão!

  2. Fiquei triste o domingo inteiro…acho q a semana inteira..eu nao tinha acompanhado os spoillers ou noticias….foi lindo, lógico até..se algo nao os separasse em definitivo eles jamais se apartariam…mas foi triste de dor, pelo menos para mim! fora o soco no estomago de quem nao sabia que seria a despedida final (termo estranho rs). Comecei odiando o novo Doc – a figura de Tennant sera sempre marcante e historica no papel, mas hj o acho q altura do 10. Foi lindo! Triste, mas lindo

  3. Brilhante seu artigo. Eu sempre admirei o amor entre Rory e Amy, mas esse final dos dois, que há pouco presenciei, foi mais intenso do que qualquer outra história de amor já escrita. Das companhias do Doctor que já vi até agora, da série atual, começando por Rose Tyler, considero Amelia a melhor de todas. E Matt Smith, aquele que estranhei por um bom tempo, acabou me conquistando, superando a si mesmo a cada episódio, Quanta intensidade em seus olhos, em seu semblante! Também não posso me esquecer de River Song, marcante em todos os episódios. Bom, vamos lá conhecer Jenna-Louise Coleman!

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