Downton Abbey (3×01) – Episode 1


Qualquer pessoa que assista e ame Downton Abbey, responderá a mesma coisa a respeito do retorno da terceira temporada: “Que saudades estava”. A mini-series da PBS, vencedora do Emmy em 2011, chega ao seu terceiro ano após duas aclamadas temporadas. Esta produção honra do começo ao fim as tradições e costumes da monarquia britânica, nos quais suas personagens são tão bem construídas, que é impossível não se apaixonar e torcer perante os dramas da família Crawley e os de seus dedicados criados.

Seria impossível deixar este retorno passar batido, por isto ficarei responsável em expressar minhas apaixonadas opiniões a respeito da série aqui no Casa de Séries.

Após um revés de alegria e tristeza no season finale anterior, esta premiere dá continuidade aos acontecimentos que marcarão esta nova década, o inicio dos anos 20, estes que sofrem os reflexos do final da I Guerra Mundial. No lindo episódio natalino, vimos que Mary e Matthew finalmente cederam ao amor que sempre sentiram um pelo outro, acertando assim suas diferenças após tantos contras. Outra que deixou o sentimento falar mais alto foi Lady Sybil, a irmã caçula, ao fugir com seu grande amor, o chofer Tom Branson. Descendo um pouco os degraus do castelo, Anna, recém casada com Mr. Bates, encarava a dura realidade do aprisionamento de seu marido, tudo isto porque havia indícios dele ser responsável pela morte de sua ex-mulher.

Com tantos dramas a desenvolver, o foco deste primeiro episódio gira em torno destes casais, sem considerar uma grande revelação que mudará todo o curso da vida da família e também de seus empregados.

Com o retorno de Anna e Mrs Hughes, que a acompanhara, da visita ao presidio, começa o burburinho a respeito de sua reputação, esta que sobre cai diretamente na figura de Anna, sua esposa. Os conflitos hierárquicos sempre foram um dos pontos mais fortes de discussão entre a criadagem e agora a considerar que o felino Thomas, tecnicamente ocupa o posto de valete pessoal do Lord Grantham, fica uma vaga em aberto para um lacaio, deixada após a triste morte de William e com a “promoção” de Thomas. Surge então Alfred, o alto jovem indicado pela cobra O’Brien, mesmo que a contragosto do Mr. Carson, que não espera, nesta altura do campeonato, com um casamento a correr, trinar um inexperiente empregado.

As visitas de Anna a Bates na prisão tornam-se constantes neste inicio, principalmente pois ela tentar ajudar a provar sua inocência através de registros e anotações, estas que poderiam levar ao possível assassino ou naturalmente que o assassinato que todos preveem na verdade foi um suicídio. A grande questão de sua culpa ou inocência foi o período que este viajara pra confrontar sua esposa, esta que retornou a sua vida para chantagear a família Crawley a respeito do escândalo de Lady Mary com o duque turco. Em meio a relacionamento conturbado e cheio de conflitos, Mr. Bates desejou vê-la morta, porém quando esta apareceu efetivamente neste estado, após ingerir arsênico – ele comprava o produto pra matar ratos – sua palavra e honra é colocada a prova, mas sua amada Anna nunca duvidara, afinal escolhera amá-lo em qualquer das circunstâncias.

“Nunca duvidaria,assim como não duvido que o sol nascerá no leste novamente”

Com os preparativos do casamento do ano, os Crawley e os criados se desdobram dia a dia a fazer acontecer o momento mais feliz de uma família: o casamento de sua primogênita, esta que após tantos agouros no amor, finalmente recebera sua chance de amar e ser amada por aquele que sempre estivera destinada.

Em meio a tanta festividade, pela primeira vez conhecemos um lado mais vulnerável daquele que tem a responsabilidade de carregar em seus ombros largos o nome e as finanças da família. Lord Grantham é convocado as pressas para uma reunião com um de seus gestores em Londres, tudo isto para que descubra da trágica e alarmante noticia: todo o dinheiro investido em ações ferroviárias foi perdido após o término da guerra, inclusive a fortuna de sua esposa, esta que é proveniente de uma rica família norte-americana.

“Tenho um dever além de salvar minha própria pele”

As incertezas em manter o padrão costumeiro e até mesmo a posição que eles tem frente a Abadia é colocada em risco e com o casamento de sua filha mais velha a bater em sua porta, o desespero toma conta quando Robert revela a sua Cora, durante uma linda e emotiva cena, que estão falidos, pois perdera todo seu dinheiro em ações que agora estavam desvalorizadas totalmente devido ao inicio da Revolução Industrial. O apoio incondicional de Cora é o que dará estrutura e força nestes tempos difíceis, porém é como isto afetará os demais que será o grande revez nesta nova fase.

O relacionamento de Mary e Matthew se tornou uma de minhas maiores tristezas e alegrias, afinal que fã de Downton Abbey não torcia pra estes dois finalmente ficassem juntos? Após desencontros tomados de escândalos; idas e vindas da guerra’; um noivado infeliz; um casamento incompleto e o milagre da recuperação física de Matthew, a paz finalmente reinara aos primos pra lá de distantes.

Viver no castelo não é lá uma tarefa fácil, afinal a forte influência hierárquica é muito presente, principalmente a se tratar de Lady Mary, a mais velha e mais complicada das filhas do Lord e da Condessa Grantham. O maior desejo de Matthew é que agora, nesta nova fase de suas vidas, eles consigam se conhecer cada vez mais, sem claro a presença de todos, então fica no ar qual decisão tomara sobre onde morar, apesar dele se opor a mudar-se pra Londres. Será muito interessante ver como este espírito livre e esta tensa primogênita conseguiram trilhar suas vidas, amando e aceitando suas diferenças e também aprendendo a se aproximar daquilo que os une.

Esta nao será a unica escolha que terão que fazer. Matthew recebe a repentina noticia que o testamento do Sr. Swire, pai de Lavinia, o coloca como terceiro herdeiro, porém com a morte do primeiro e o desaparecimento do segundo, ele entra na linhagem para receber a fortuna, esta que é bem gorda por assim dizer.

Apesar da grande expectativa com a vinda de Martha Levinson, mãe de Cora, dos Estados Unidos, o grande comentário que gira em torno da grande mesa dos Crawley é a vinda de Lady Sybil, agora Mrs. Branson, para o casamento de sua irmã. Após deixar Downton a caminho de Dublin, a caçula abnegou o conforto e o respaldo familiar, para viver com dificuldades, agora que Tom resolveu se dedicar como jornalista, um dos mais engajados dentre as lutas separatistas da Irlanda.

“‘Somos concunhados com esposas generosas. Precisamos ficar juntos”

Tom vira alvo de comentários e discussões politicas, afinal suas opiniões sempre foram calorosas a respeito de sua terra natal. Lady Sybil, fica dificil chamá-la de outra forma, abre seu coração com sua irma mais velha, confessando que mesmo com dificuldades financeiras, não trocaria sua vida atual e aquele que ama por nada. O interessante na relação das irmãs é que enquanto Lady Sybil sempre pensara por si só, agindo conforme suas crenças e sentimentos, Lady Mary sempre relutara a ouvir o que seu próprio coração, sofrendo a pressão de ser perfeita, pressão esta que dada a sua criação, a fez sempre tomar atitudes por influências, além claro, de seu orgulho ferido.

Orgulhos a parte, os criados servem um banquete para alguns poucos convidados, recepção que prepara todos para o casamento M&M. Lady Edith volta a sorrir com a presença do mesmo mais velho, Mr. Anthony, a qual ela sempre mostrara afeição, mas este nunca tomara nenhuma atitude até então. Alguns desconfortos ocorrem com a presença da família Grey, entre eles Larry, que tinha interesse declarado na irmã caçula e que naturalmente não ficará muito disposto ao saber de sua escolha matrimonial. Em meio a conversas sobre quem será o padrinho de Mathew e as investidas sutis de Edith a Anthony, uma ação passa percebida a seu olhar, este que é explicado logo após, num indigesto momento durante o jantar.

Com todos a mesa a degustar mais um saboroso banquete no Castelo de Grantham, eis que Tom ou como alguns o veem, “o chofer”, começa a fazer uma cena digna de um drama de Jane Austen, porém enquanto alguns acreditam que este ultrapassou os limites alcoólicos, Sr. Anthony tem a hombridade de revelar uma ação suspeita que o deixara cismado momentos antes. Como uma forma de pregar uma peça devido a sua descrença pela escolha amorosa de Lady Sybil, Larry Grey batiza a bebida de Tom para deixá-lo neste estado. Indignando a todos, inclusive ao próprio pai, a os Grey viram o centro das atenções após a atitude infantil do filho. Eis então que Matthew tira todas suas dúvidas ao decidir convidar Tom Branson para ser seu padrinho, este que estará ao seu lado na igreja.

Outro contratempo que ocorre se dá mais abaixo n0 castelo, quando O’Brien, acreditando que tem algum poder de persuasão sobre Thomas, pede para o agora valete, ajudar seu protegido Alfred a “subir” posições na casa. Com Matthew a dispensar os serviços de Mr. Mosley, deixando este a serviço de sua mãe, a cobra criada vê uma grande chance a sua frente, porém quem não compreende muito é Thomas, que não consegue como ela tem a coragem de lhe pedir tal coisa, considerando o quanto ele próprio penou para chegar aonde está.

Antes mesmo do grande encontro das avós, Sra. Violet procura refugio na casa da Sra Isobel, afinal segunda ela, não está ainda disposta a fazer sala para a “Rainha de Sabá”. Intransigente como ela só, não basta confessar que que enviou o dinheiro ao casal, mas que também é a responsável por obrigar Tom a fazer a prova de seus trajes, afinal es padrinho e não pode aparentar como um qualquer.

Por falar em mães, a grande novidade desta temporada surge, diretamente da Terra Sam, Shirley McLane, interpretando a Sra. Martha Levinson,mãe de Cora, que chega para o casamento de sua neta, para arrepios de alguns e desespero total da Sra. Violet, que já expressara diversas vezes sua opinião a respeito da sogra de seu filho.

Este choque trará diversos conflitos, afinal temos a presença de uma nova iorquina influenciada pela modernidade, esta que sempre bateu de frente com os costumes engessados da sociedade britânica e principalmente, com a dificuldade que eles tem em se adaptar ou mesmo, se moldar ao que ocorre no mundo.

“Parece tão estranho pensar num inglês abraçando a mudança”

Agora melhor do que os comentários desagradáveis de “quão distante é o parentesco de Matthew”, a Sra. Martha encontra com aquela que estava a fugir: Sra. Violet. Impossível não gargalhar com o choque da vovó moderna e da vovó careta, esta segunda cheia de regras e costumes, entre eles a clássica proibição do noivo ver a noiva um dia antes do casamento, algo que não acho nada careta e que é usado até hoje por sinal. Se tal acontecimento dá azar ou não já não sei, porque acredito que se a noiva ou o noivo não tiverem certeza na hora se devem ou não, nem o azar ou asorte poderão ir contra, ainda mais se tratando de Matthew e Mary.

“Americanos não entendem a importância da tradição”

Podemos esperar aqui  cenas preciosas entre estas duas incríveis lendas do cinema chamadas Shirley McLane e Dame Maggie Smith, que por sinal aproveito para parabenizar pelo Emmy de ontem, como atriz coadjuvante na categoria drama, a considerar que Downton Abbey sairá do posto de mini-série.

A cena mais dilacerante claro que tinha que envolver o casal mais lindo, perfeito e complicado dentre todos. Lady Mary mostrou-se incisiva a respeito da fortuna de seu futuro esposo, porém agora que sabe da verdade sobre a falência de seu pai – este que resolveu contar a filha antes do casamento – acaba colocando as esperanças e a salvação da família nas costas de Matthew, mas este espírito livre também tem um caráter e personalidade tão fortes quanto os de sua amada. Considerando que recebera a honraria de ser o herdeiro de seu ex-sogro, é evidente que não se senti nada confortável em lucrar com a morte da família a qual fez parte por pouco tempo que seja, principalmente porque carrega a culpa de tê-la sepultado com o coração partido, afinal sempre soubera de certa forma que ele amava Mary.

A construção da personagem de Lady Mary tem toda a relação com as jovens vitorianas, inclusive ela poderia ser facilmente retratada como uma personagem de Jane Austen, pois é inteligente, tem fibra, ganância, personalidade forte e um orgulho que homem algum parece conseguir dobrar. E quando o assunto é aqueles que ama e principalmente a reputação de seu Papa, a Lady deixa os modos de lado, ao colocar seu futuro marido contra a parede, questionando seu papel e suas escolhas, estas que não só refletem em sua família direta, mas também a família que irão construir quando tiverem seus filhos.

“Não! Não vê o que isto significa? Não vê a diferença que isto faz? Significa que não está do nosso lado, Matthew”

Voltando as duas temporadas, é visível quão importante Anna é nas ações da casa, mas são suas opiniões e conselhos, estes sempre solicitados por sua senhoria Lady Mary, que a fazem mostrar seu valor e importância dentro do castelo. Anna é o tipo de empregada que faz além de suas funções primordiais, pois como esquecer que foi ela que ajudou a carregar o corpo frio do duque turco, guardando para si o segredo que assombrou e quase destruiu a vida de Mary. Esta cumplicidade, maior desde aquela noite, criaram um vinculo inquebrável e mesmo que Anna decida ficar por causa de Bates, esta será a amizade mais sólida na morada dos Crawley.

Enquanto Mary chora descontroladamente após a calorosa discussão, Anna pontualmente diz que mesmo com suas convicções fortes, Matthew é um homem bom e homens assim são raros de se encontrar. Outro que tem grande importância, servindo como conselheiro amoroso, afinal alguém precisa colocar juízo neste outro cabeça dura, é Tom Branson, o padrinho, que na minha opinião foi a personagem que mais cresceu neste primeiro episódio.

Numa sincera conversa de concunhados, o ex-chofer fala algo que qualquer pessoa que assisti a série teve concordar, acenando então positivamente com a cabeça.

“Você não será feliz com ninguém, enquanto Lady Mary existir”

Chega de arruinar tudo pela terceira vez, não é mesmo? Aqui vai a cena que revi milhares de vezes, afinal meu coração sempre desmanchou por estes dois. O momento mais romântico e sincero acontece de lados opostos da porta, afinal como um bom cavalheiro, Matthew não vai além do que lhe é permitido na noite anterior ao casamento. Com os conselheiros Anna e Tom a se afastar após fazerem sua parte, Mary mesmo que com os trajes de dormir, resolve escutá-lo. As inseguranças dela sempre foram o grande empata da relação, claro que outros fatores contribuíram, mas mesmo ali,continua a questionar a capacidade que tem de discordar, principalmente agora, com algo de suma importância para o futuro deles como um casal propriamente.

Mas vamos voltar ao que Tom disse, a maior das verdades: eles nunca poderiam ser felizes com outro alguém a não ser um ao outro. Facilmente os imaginaria ano após ano, a viver amargamente seus arrependimentos. O passado está lá trás e agora não tem mais nada e ninguém a se colocar perante este avassalador amor.

Com uma suplica de beijo, este que a danada o negou durante os dias que se passaram, o casal se beija de olhos fechados, pois tradições são importantes e devem ser mantidas, mas a palavra não né Lady, que abriu o olho para ver seu amado, este que mereceria muito mais após a linda declaração ao pé da porta. Agora é só aguardar mais um pouco queridos pombinhos, pois vocês poderão aproveitar muito mais da vida de casados.

Os dramas de época são diferentes dos dramas de hoje claro e percebo isto pelas minhas reações e nervosismos aos ver os empasses de meus casais favoritos, pois em disparada, o casal turrão M&M foi o que mais apertou meu coração nestes últimos dois anos. Chega de sofrer, agora é tempo de chorar, porque sempre choro em casamentos e claro, de fugir do buque quando a bela noiva arremessá-lo, o que espero que Lady Edith o pegue, assim acabará um pouco com este recalque que a consome, impossibilitando até de ficar minimamente feliz pelo momento de sua irmã, mas considerando que as duas não tem as melhores das relações e a inveja sempre reina, fica a cargo da doce Sybil desejar a maior das alegrias a sua irmãzona.

“Estou tão feliz que sinto que meu coração vai sair pela boca”

E são com estas lindas palavras do Papa, que a Lady Mary se aproxima do altar, se posicionando ao lado daquele que de fato a tornaria a pessoa mais amarga e infeliz caso não escolhesse também ali estar.

Posso já jogar o arroz e beber meu pró-seco? Cadê a Vovó Violet pra soltarmos o veneno a respeito da Rainha de Sabá?

 

Welcome back and lets party in Downton Abbey!

One thought on “Downton Abbey (3×01) – Episode 1

  1. Sem dúvidas foi um episódio excelente (para DA isso nem é muito difícil xD). Matou a saudade em grande estilo.
    Eu só esperava por mais cenas do casamento em si, mas gostei muito de terem abordado como os personagens estavam depois do episódio natalino.
    Espero que M&M fiquei na abadia por um tempinho para ver as fofocas e intrigas que sempre aparecem na casa. Mas, pelo bem deles fugir um pouco dessa loucura é ótimo, já que eles tem muito a se entender ainda.

    A cena do reconciliamento deles foi linda realmente! E que danadinha é Lady Mary hein! haha

    Quero ver mais a relação entre a vovó americana com a vovó inglesa, acho que vou dar muitas boas risada com essas duas.

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