Hung – 3ª Temporada (2011)


Hung teve tudo para ser a melhor comédia masculina que a HBO nunca teve, mas não fora. A série era limitada em diversos sentidos, o roteiro que deveria focar em atrair um público mais masculino se perdeu em problemas femininos e a trama nunca se movimentava, girávamos, girávamos e encontrávamos presos no mesmo lugar. As duas temporadas inicias foram medianas, tiveram os seus momentos mas não apresentou um belo conjunto da obra, ficando sempre nos devendo em alguns sentidos. Esta terceira temporada não elevou muito o nível de qualidade da série, mas certamente fora bem mais interessante do que as demais.

O grande problema de Hung, o que certamente fora um problema nesta temporada, é que a série nunca conseguiu intercalar o drama com a comédia. Ou esta nos forçava a rir com piadas e momentos absurdos, ou esta entrava em uma sessão de dramalhão mexicano que parecia nunca ter fim. A série seria muito melhor executada caso tivesse um ar mais critico, uma tentativa de caracterizar fielmente uma geração, algo que Men in a Certain Age conseguiu fazer com grande destaque.

Ray mostrou apenas uma centelha das preocupações que um homem possui em sua idade, e a série poderia ter ido além, uma vez que a profissão do protagonista abre diversas linhas de diálogos e possíveis tramas. Não seria necessário investir no drama, apenas era necessário fazer uma comédia mais inteligente. Mas ainda assim, Ray é o personagem que mantêm a série e esta fora sua melhor temporada, pois esta mostrou, mesmo que em poucos momentos, toda uma crise que o personagem começou a sofrer e também mostrou as maneiras, mesmo que cômica, desde não deixar ser derrotado pela juventude.

Posso dizer claramente que o acréscimo de Jason a trama deixou as coisas bem mais interessantes e elevou o nível da série. Pois com a entrada de novos personagens ficamos abertos a novas tramas e estas se mostraram eficiente, no limite que a própria série lhe dá, em sua execução. O contraste entre a juventude e a experiência nos apresentou os melhores momentos da temporada e, conseqüentemente, os melhores momentos da série.

Vou dizer novamente, Hung deveria ser uma série para macho, no sentido literal da palavra, assistir, porém a série preferiu dar preferência aos seus personagens femininos e tudo fora por água abaixo. Apesar do nível mais alto desta temporada, ainda consegui encontrar milhões de defeitos nas mais variadas personagens femininas da série. Tanya é um porre total, Jessica possui as maiores inseguranças do mundo e nunca mostrou um desenvolvimento significativo e Lenore é a única que consegue nos proporcionar alguns momentos interessantes provindo deste núcleo feminino.

Enfim, apesar da significativa melhora, acredito que tenha sido uma sábia decisão da HBO em cancelar Hung. A série encontrava-se em seu terceiro ano e pouco acrescentou para o canal, possuía um bom elenco, mas este cada vez mais estava por ser ignorado pelas premiações e pela audiência, e havia novas, e excelentes, comédias esperando o seu espaço na emissora. O chato é que ficamos sem um final, ficamos apenas com um promissor cliffhanger sem termos a mínima idéia de onde este pretendia chegar. Não sei se daqui a alguns anos conseguirei me lembrar de Hung sem ter um gosto amargo ao pronunciar seu nome, mas se me perguntarem qual temporada da série merece a pena ser vista, esta terceira temporada será certamente a temporada que mencionarei.

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