Doctor Who (7×03) – A Town Called Mercy


“By the time the Gunslinger arrived, the people of Mercy were used to the strange and impossible. Where he came from didn’t matter. As a man once said, “America is a land of second chances.” Do I believe the story? I don’t know. My great grandmother must have been a little girl when he arrived. But next time you’re in Mercy, ask someone why they don’t have a marshall or sheriff, or policeman there. “We got our own arrangement” they’ll say. Then they’ll smile like they got a secret. Like they got their own angel watching out for them Their very own angel who fell from the stars”.

Quem disse que um homem de calças com a barra curta, suspensórios e gravata borboleta não tem estirpe para ser um cowboy? Essa foi a grande experiência da vida do Doutor, cujo desejo de uma aventura no faroeste foi riscada da sua desconhecida lista de Natal. Entre tentativas de sair por cima da situação em ter errado o trajeto pela milésima vez – os Pond e ele deveriam estar no México –, com direito a uma tentativa de sedução com o palito de dentes na boca e a voz pseudo-caipira, o Senhor do Tempo nos leva a uma emocionante aventura que, no final de contas, se tornou a lenda de um lugar chamado Mercy.

O Doutor começa o episódio todo engraçadinho, o que deu a entender que a trama seria super descontraída com passeios a cavalo, muita poeira e calor, jargões do faroeste, visita aos salões e a famosa cena do duelo entre dois cowboys armados, onde o mais ágil é o que sobrevive no final. Isso aconteceu, em partes, mas não foi o ponto crucial da trama. Eu gargalhei muito com o novo comportamento do Senhor do Tempo, pois ele não tem nada de cowboy e eu não fui a única a perceber isso. Os Pond já aprenderam a ter jogo de cintura para tolerá-lo quando assume a personalidade ingênua e infantil.

O clima de descontração logo é quebrado pela estadia do Pistoleiro em Mercy. O ciborgue  – metade homem + metade robô = arma mortal – Kahler-Tek quer aniquilar o último doutor-cientista (que não é Time Lord) que fez parte da equipe de responsáveis pela sua transformação em máquina mortífera. Como o papel do Doutor é sempre apaziguar a situação e salvar o dia, não demora muito para ele arregaçar as mangas e tentar ajudar Kahler-Jex, a figura na mira do Pistoleiro.

Nas reviews passadas, comentei sobre o novo comportamento do Doutor e a falta de experiência dele em lidar com as reações emocionais dos humanos. Por mais que ele brinque e tente ver o lado bom de todas as situações, nesse terceiro episódio de Doctor Who, o Senhor do Tempo ficou fora de si por conta da desumanidade de Jex. Enquanto ele acreditava que o homem tinha boas intenções, o alienígena descobre que o cientista foi responsável por experiências cruéis em humanos e os transformou em ciborgues para lutar na guerra do seu planeta de origem. Se comparado aos dois episódios passados, o Doutor ficou mais histérico, mais fora de si, descontrolado e irracional, totalmente cego às consequências das escolhas que poderia tomar, tendo em vista a eliminação do impasse do qual se encontrava.

Jex teve o papel importante de incitar o pior lado do Doutor, aquele que ele nunca gosta que venha à tona, pois o alienígena não tem estribeiras e autocontrole para ficar quieto quando é provocado. O cientista afirma a dura verdade sobre o caráter do Senhor do Tempo – solitário e magoado, perdido entre o tempo e o espaço, na missão de proteger o universo e nem sempre se sair bem com isso. Ao contrário de Jex, que se julga um bom samaritano e sente orgulho em ter salvado milhões de pessoas em um duelo. Mesmo com as atrocidades feitas contra seres humanos, ele enche o peito ao assumir o que fez.

Fiquei abismada com a maneira como o Doutor “chutou” Jex para fora da delegacia com o intuito de entregá-lo ao Pistoleiro. Como ele mesmo disse, a importância da sua atitude visa o bem-estar e sobrevivência, além da vingança, das vítimas. Nada de misericórdia foi permitida. Quando o Time Lord descobre a nave de Jex e assiste aos vídeos relacionados às transformações de humanos em ciborgues, o close no olhar do personagem foi o suficiente para deixar nítido que o pior do alienígena de dois corações entraria em cena.

Eu gosto de ver o Doutor furioso, pois é um sinal que ele tem sentimentos adversos com relação ao que é, sobre sua função e a infelicidade muito bem disfarçada em viajar sozinho, o que dá respaldo para a questão das companions. O Senhor do Tempo possui sentimentos que precisam ser trabalhados, descobertos e controlados. Nesse episódio, o vimos tomar as rédeas da situação, sem pensar duas vezes o quanto custaria botar fim ao problema do Pistoleiro versus o seu criador. O Doutor os colocou frente a frente, sem usar a parte inteligente do seu gigantesco cérebro.

But they keep coming back, don’t you see? Every time I negotiate, I try to understand. Well not today. No, today I honor the victims first. His, The Master’s, the Daleks’. All the people that died because of my mercy!

E as coisas ficaram ruins e tensas de uma maneira que foi impossível piscar para não perder nenhum lance do episódio. Com os ânimos à flor-da-pele, Amy Pond consegue botar juízo na mente do Doutor e, como de praxe, me fez debulhar em lágrimas pela veracidade da frase que chamou o Senhor do Tempo à realidade. Essa cena realmente me desconcentrou e Amy arrasou em um simples diálogo de quase 5 minutos, ao lado do amigo imaginário. O papo de misericórdia e a maneira como a palavra foi gritada pelo Doutor, me deu calafrios na espinha, pois vemos mais uma vez o quanto o Senhor do Tempo se sente culpado por não ter encontrado uma solução para todos os problemas que ele lidou ao longo dos seus 1.200 anos.

We all carry our prisons with us

Essa foi a frase de efeito moral desse episódio de Doctor Who. Quem é que não carrega o mundo nas costas? Quem é que não luta para fazer o melhor todos os dias? Sendo Senhor do Tempo ou não, queremos ser amados, queremos impressionar, queremos ter algo conquistado pelos nossos esforços e, acima de tudo, queremos ser felizes. O Doutor finge que não sabe o verdadeiro valor de determinados sentimentos, mas ele foi arrebatado pelas sensações humanas várias vezes ao lado de Rose Tyler e nos vínculos de afeto com as/os companions que vieram depois dela. O Time Lord aprendeu com as próprias falhas, mas, mesmo assim, ele carrega o fardo do nome, o fardo de viajante do tempo, o fardo de ser um alienígena que, nem sempre, garante um final feliz para todo mundo.

Nós temos nossa prisão e nossos traumas. O Doutor aguenta a eterna sensação de solidão, que ele disfarça nos momentos divertidos. Ele quer ser impressionável, pois se acha extremamente brilhante. Agora, ele duela com o alienígena que costumava ser contra o novo Senhor do Tempo, que simulou a própria morte, que não raciocina e que age por impulso. O Doutor disse algo bem interessante, sobre o fato de que nós não somos responsáveis em definir quando as pessoas devem pagar os débitos, por terem sido malévolas com o próximo. Em outras palavras, o mundo dá voltas e esta frase é cabível para o que o Senhor do Tempo viveu ao longo da trama, pois não era da estirpe dele e nem da sua moralidade decidir o final de Kahler-Jex.

O fator moralidade também virou pauta e o Doutor lidou com essa parte da sua personalidade o episódio inteiro. Ele tentou dar lição de moral em Amy e não deu certo, fez o mesmo com Jex, com o Pistoleiro e, para quebrar um pouco o clima de tensão, para o rapazinho que queria desafiá-lo e fazê-lo entregar o cientista ao ciborgue. O Senhor do Tempo sempre age de acordo com a jurisdição da sua moralidade, que é salvar o dia, por mais que isso reflita de maneira negativa em sua pessoa.

Os empecilhos entre o Doutor, Jex e o ciborgue se tornaram uma lenda em Mercy. Em uma cena brilhante e bem produzida, Jex se sacrifica para colocar um fim naquela perseguição que poderia durar para sempre. Pela milésima vez, o Senhor do Tempo salva quem não merece, mas seria muito mais aterrorizador se ele simplesmente o entregasse e se desse por vingado no lugar do ciborgue. Certos males vão para o bem e o ciborgue ganhou motivos para acreditar que pode ser bom para outras pessoas, sendo oficializado o xerife daquele pedaço de faroeste.

Há outros pontos pequenos e importantes do episódio que precisam ser mencionados. O cenário ficou impecável e realmente remontou o clima de faroeste. A população pequena, o excesso de fé e o xerife local foram colocados de maneira muito fiel ao que esse universo representa. Além disso, a trilha sonora foi espetacular e colaborou para dar mais intensidade aos conflitos internos do Doutor, do ciborgue, de Jex e do restante dos personagens. Sem contar que, do humor fomos para a tensão, de uma maneira sutil e interessante. A Town Called Mercy está na minha lista de favoritos.

Por mais que não tenham brilhado o quanto mereciam, os Pond apareceram em missão com o Doutor e, dessa vez, sem a materialização da TARDIS em momentos nada oportunos. Mas, o que realmente importa, é que eles estavam lá, algo que não acontecerá depois dos próximos dois episódios, o que me deixa com o coração na mão. Amy voltou a ser a consciência do Doutor e Rory permaneceu atrapalhado e perdido, de fora dos assuntos e dos postos importantes, um lembrete do quanto o personagem é adorável sem fazer muita coisa. Quando ele protege Amy, ao impedi-la de sair da delegacia, foi muito fofo.

Entre brincadeiras com o palito de dente, o conflito com golpes de ninja na nave espacial de Jex e revelar que também fala a língua dos cavalos (cena que foi a sensação desse episódio. Eu shippo Susan e o Doutor, Hahaha), o Senhor do Tempo está mais humano do que imagina e já me preparo para a reação transtornada dele quando um dos Pond for perdido (pelo menos, é o que penso que acontecerá com um deles).

O episódio foi muito intenso, reflexivo, com frases que me deixaram muito pensativa. Não é à toa que não vou poupar a segunda nota 10 para o terceiro capítulo da saga do Senhor do Tempo, nessa sétima temporada, pois merece all the awards para Toby Whithouse, o escritor dessa trama muito bem trabalhada, com uma conclusão incrível.

4 thoughts on “Doctor Who (7×03) – A Town Called Mercy

  1. Concordo plenamente com a review, e ficou muito boa =D só uma observação, as experiências do cientista eram feitas no povo do planeta dele. O Cyborg era do planeta dele. É a raça com a “tatuagem” no rosto. O que morreu no inicio do episódio e o cientista fugiram do planeta natal e caíram na Terra por acidente e o Cyborg veio atrás. =P

    • Obrigada pelo coments! Ah sim, eu preferi não descrever todo o ocorrido na reviews pq acho que sempre fica chato pq quem assistiu vai saber HAHAHAHAAH

      Então só fiquei no principal, cientista + experimento, como sinal de localização na trama😀

      Beijão!

      • Ah sim sim, entendo. É bem melhor mesmo quando o crítico faz isso ao invés de contar cada vírgula. Se a pessoa tá lendo a review, é por que provavelmente já viu o episódio. Continue o bom trabalho o/ acompanho o blog desde o antigo endereço e curto bastante😀
        bjs

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