Sons Of Anarchy (5×01) – Sovereign


Foi na tentativa de fugir, conhecendo os erros do passado, que Jax Teller se condenou a repeti-los. No final da incrível quarta temporada, o nosso protagonista assumiu a cadeira de comando dos Sons, cadeira que foi a responsável pela morte do seu pai. O trono de SAMCRO é cheio de sangue e para alcançá-lo Jax teve de derramar mais sangue.

Nas reviews da ultima temporada deixei claro que considero Hamlet a grande inspiração de Sons of Anarchy e isso vem dos motes muito próximos que as duas obras possuem. Ambas falam da trilha de vingança de um filho que depois de ouvir as histórias do fantasma do pai assassinado pelo homem em que ele confiava. Se esse paralelo continuar se mantendo, Sons of Anarchy entrou em seu ultimo ato, o momento em que o protagonista senta no trono de sangue agonizando ao perceber que não há perdão para nenhum dos envolvidos e que todos partilharão o mesmo destino.

Os pecados começaram a aparecer na temporada passada,Jjax soube que Clay quem estava por trás da morte de Jt, mas essa é só uma parte da história, o que ele ainda não sabe é o envolvimento da Gemma. O circulo se fecha no momento em que a verdade destrói todos os aqueles que estão envolvidos, talvez seja esse grande mote da temporada, fechar a cadeia de pecados que destruirá a todos e inserir pecados naqueles que ainda não os tem.

Tara é aquele que mais tem de evoluir no quesito. Mesmo que o processo de transformação da personagem tenha evoluído vertiginosamente na última temporada, ela ainda carrega algum ar de inocência, sendo que maioria dos seus “pecados” se justifica como oportunismo ou inocência. Tara ainda não planeja conscientemente como Gemma o faz. Esse “Sovereign” deu um bom exemplo de como isso é forte para os outros personagens, no momento em que Jax escolheu ouvir a mãe (muito mais calejada no que diz respeito a situações limite) que a mulher. Talvez o grande embate entre Tara e Gemma, tão prometido durante a série, seja o responsável pelas transformações necessárias para a personagem.

O episódio em si, foi pior que a premiere da temporada passada, por não ter tantas perguntas diretas para responder. Nessa falta, o grande objetivo ficou só por mostrar  novos personagens e ameaças.

O fato de série opta por não ter um longo salto temporal, passada a ascensão de Jax como líder do grupo, é acertado mostrar como funcionará a transição do poder de um personagem para o outro. O que “Sovereign”  faz questão de mostrar que não será simples. Uma das cenas iniciais mostra as conseqüências do assassinato da jovem Pope, que o Trager cometeu na temporada passada. A guerra entre Sons e Niners parece estar a todo vapor, até que o grande vilão surge.  Damon Pope é o pai de Verônica e o verdadeiro líder dos Niners, um homem de negócios bem sucedido e atuante na sociedade. Essa foi uma boa escolha, por mostrar que sempre há um peixe maior, e que os Sons estão longe de ser o topo da cadeia evolutiva do crime. No fim, eles são apenas um grupo infeliz sendo manipulados de um lado para outro enquanto tentam sobreviver.

No clube, todos estão lidando com os seus problemas como podem, Jax usando seu contato no Cartel para tentar apaziguar os problemas com os Niners, Gemma entrou na sua jornada de autodestruição, Ope tenta conviver com o fato de o clube ter matado metade da sua família e Clay começa a tramar o seu retorno para a chefia. É impossível olhar Clay sem ter a impressão de que ele trama algo grande para se garantir no poder, mesmo com a confissão diante do clube.

Estava tudo indo bem morno, até que Pope chacoalha o episódio em dois momentos fantásticos. O primeiro é impar, pois o personagem controla todas as ações, sem mesmo estar presente. Com uma ordem, Pope demonstra seu total poder sobre os niners e sobre a cadeia de eventos, podendo matar Jax com uma ordem, deixando claro que todos só vivem no momento em que ele permite. O segundo momento foi responsável por elevar a qualidade de todo o episódio. Pope deixar o assassinato da filha de lado me pareceu bem estranho, até o momento em que ele seqüestra Trager e se vinga. Que vingança! Usando o “olho por olho” literalmente, Pope mata a filha do motoqueiro na sua frente, enquanto Tig é completamente impotente. Isso demonstra que esse novo vilão é mais simples que o promotor Potter da temporada passada. Pope não faz promessas ou grandes maquinações, ele apenas age, sem medo de matar inocentes no meio do caminho. Além de tudo isso, deixar Tig vivo foi uma forma de reafirmar como o circulo de erros e vingança continua sempre evoluindo em Sons of Anarchy.

Além do ritmo meio irregular do episódio, outro problema foi à solução de Gemma para a fuga de Jax, que foi mandá-lo para o personagem cafetão que foi apresentado nesse episódio. É estranho que a confiança de alguém como Gemma tenha sido conquistada tão facilmente em tão pouco tempo.

Com alguns problemas, Sons retorna. Agora é esperar que as tramas se assentem e a série recupere o ritmo alucinante que ela nos acostumou.

2 thoughts on “Sons Of Anarchy (5×01) – Sovereign

    • Faltou desespero. Foi bem ruim mesmo. Estranhamente, a próxima cena do Tig foi bem melhor no quesito interpretação. É uma pena, pois essa cena foi tão bem construida.

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