Suits (2×10) – High Noon (Summer Finale)


Foi assim que Suits deu uma aula de dramaturgia em sua segunda Summer finale. Tudo foi tão bem construído e elaborado, que mesmo o óbvio se escondeu diante da minha vista, dando-me um sorriso daquele que é surpreendido por algo que acredita conhecer tão bem.

No subestimado filme de Cristopher Nolan, “O Grande Truque”, o cineasta usa da história de dois ilusionistas para fazer um paralelo com a arte de fazer filme. Ele diz que estamos tão envolvidos pelas distrações que somos incapazes de ver aquilo que está se construindo a nossa frente, e isso se deve a um desejo em sermos enganados. Foi só isso que me passou pela cabeça na grande revelação final de “High Noon” .Como faz tempo que o episódio saiu, vou presumir que todos já viram. Caso você ainda não tenha visto, o resto do texto virá cheio de spoilers.

Somos apresentados as conseqüências dos grandes plots da temporada: Em um lado Jéssica perdeu o controle da companhia, em outro Mike perdeu o controle sobre si após a morte da avó. A forma com que esses dois plots foram se unindo foi bem harmônica, primeiro há a ruptura entre Mike e Harvey no desabafo do jovem, que é a forma que a série usa para separar o episódio nas duas histórias diferentes, para reuni-las no momento em que os personagens se reúnem. Inicialmente a histórias de Harvey e Mike se equilibram, enquanto há todo drama do velório da avó, a vingança de Louis e o jeito da Donna funcionam como o alivio necessário. No momento em que Harvey e Mike se reencontram, a cena tem as características (tensão e alivio) que antes eram separadas.

A série preparou seu terreno, nos deu as pistas para chegar a conclusão que os nossos personagens chegaram (ouvimos muito que Daniel não presta e que faria qualquer coisa para ter o controle da firma, que Donna não erra e sabíamos que a história do memorando estava muito mal contada), mas nós, expectadores, fomos pegos no meio das distrações e fomos relevando. É óbvio em qualquer série que o grande vilão esteja por trás dos problemas dos protagonistas, é ridículo de óbvio, mas nada disso me passou pela cabeça. Por conseguir me tirar da zona de conforto é que esse episódio me foi relevante.

Outro grande ponto do episódio foi aproximar Harvey de Mike, evidenciando o processo de transformação deste. Mike criar um documento apostando que o interessado nem o leia, exatamente como Harvey o fez  no primeiro caso da série, foi um toque de sutileza muito bem vindo.

No ponto mais fraco, tivemos mais dos momentos entre Mike e Rachel. Todo o negócio do amor de infância retornando foi bem óbvio (de uma maneira ruim) assim como foi bem previsível o processo que os levou a ficar juntos, assim como foi bem óbvio todo o negócio de a Rachel pegá-los no flagra. Para não dizer que só houve problemas no lado de Mike do episódio, a forma com que Harvey convence Tanner a contar a verdade foi meia boca.

Daniel Hardman, o maquiavélico, se despede com a promessa de retorno, não sem antes tentar plantar uma semente de duvida sobre a relação de Harvey e Jéssica. Talvez logo o nosso protagonista Sênior assuma um lugar de antagonista, talvez Louis assuma (agora que também é um sócio). O que se sabe é que Suits termina a primeira parte da sua segunda temporada deixando muitos rumos a serem explorados.

“High Noon” é um episódio ágil, bem construído e encenado que, mesmo tendo alguns problemas, é uma dramaturgia de alta qualidade. Exatamente como a própria Suits.

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