Modern Family – 3ª Temporada (2011)


A menina dos olhos da crítica ainda é a menina dos olhos do público? Pode ser do seu, mas pra mim não é a um bom tempo, talvez porque Community roubou o posto de comédia #1 após finalmente dar uma chance a ela, algo que me arrependo não ter feito antes. Modern Family chega ao seu terceiro ano com 11 Emmys em sua prateleira e com uma mais que provável terceira vitória consecutiva na categoria melhor comédia, esta ao meu ver não merecido, assim como se seu elenco também abocanhar na categoria ator e atriz coadjuvante.

Que saudades sinto do bom e velho Modern Family da primeira temporada. Aquela trama e aquelas personagens que deixavam a barriga doer ao final de cada episódio, pois agora tudo que senti, em boa parte desta temporada foram desconfortos, sejam com as limitações das personagens e a falta de envolvimento entre os Pritchett-Dunphy-Delgado-Tucker, o que sabemos que acontece, principalmente paralelamente em cada núcleo, mais ainda assim, sinto falta dos bons episódios das viagens familiares como em “Hawaii” ou mesmo o bem dosado season finale do ano de estréia, “Family Portrait” , dentre todos ainda  o melhor episódio de toda a história da série, pois quem consegue esquecer de Mitchelle o ataque destrutivo do pombo ao som de “Ave Maria”?

Enfim, o passado está no passado e mesmo com dificuldades, Modern Family apresenta uma temporada mediana, o que não consigo por em palavras ao certo qual foi o problema, mas vejo como uma acomodação, afinal se o “mesmo do mesmo” parece agradar os “entendidos da crítica”, porque iremos nos desafiar a ser melhores? Espero também que as brigas salariais para o fall season 2012/2013 não destruam mais ainda o potencial que a série tem, não digo pra muitos e muitos anos, mas para mais alguns.

O núcleo que ainda me irrita, tornando-se cada vez mais irrelevante, é o dos Pritchett-Delgado, talvez por Gloria – apesar de adorar a presença de Sofia Vergara – sua personagem acabara se transformando num esteriótipo de si mesma, pouco acrescentando a trama de Jay e do sem graça, sem sal e insuportável Manny, que continua a não convencer como o “mini-adulto” da turma. Jay torna-se interessante quando interage com seus filhos, Claire e Mitchell, afinal a relação com cada um deles sempre foi diferente e por vezes embaraçosa, mas aprendemos quanto eles se assemelham ao pai, principalmente Claire, que herdou o jeito controlador o e competitivo, visível em “Egg Drop”, onde  travam uma batalha ao invés de ajudar Luke e Manny com seus projetos escolares .

Já o outro pedaço dos Pritchett, mais propriamente os Dunphy, foram o núcleo que mais evoluiu este ano, mas ainda assim Claire e Phill tomam mais espaço e pouco conhecemos dos outros membros da família, com exceção de Haley que teve algumas tramas paralelas, como a perda da virgindade; seu namoro/rompimento/proposta de juntamento com Dylan; os dilemas do ano de formatura e as escolhas para o futuro. Alex e Luke ainda beiram o ostracismo, até mesmo a filha nerd do meio, que poderia ser muito mais explorada, responsável somente por uma ou outra frase de efeito a cada episódio.

Claire continua a ser a mãe e esposa controladora, principalmente quando decidi concorrer a um cargo politico em seu bairro, muito disto porque acha um absurdo não existir uma placa de “PARAR”. Considerando o papel de Gloria na vida de seu pai, Claire mesmo tentando disfarçar, sempre relutou em aceitá-la como parte da familia, seja a ironizar o sotaque ou mesmo sua boa relação com os demais, como com seu irmão Mitchell e o baba ovo de seu marido Phill. Falando neste, é curioso explorarem o ciumes na relação dos dois, afinal um casamento que parece tão sólido, por vezes é de se desconfiar, mas mesmo com as estranhas investidas – ao ver de Claire –  de um potencial cliente de Phill em “Me? Jealous?”, só serviu para provar quão comprometidos e seguros são um com o outro.

Phill teve bons momentos, principalmente no que envolve o futuro de Haley, mesmo que este seja nebuloso e confuso. A empolgação dele ao levar sua filha mais velha em sua antiga faculdade foi contagiante e mesmo pagando os micos que todo pai adora pagar, vemos que a relação dentre os dois é uma das mais fortes, junto com Luke, que simboliza a mini-versão pateta do pai. O patriarca Dunphy ainda é a personagem mais elaborada e divertida de todas e foram em momentos como“Lifetime Supply”, onde acredita que após perder a ligação a respeito do resultado de um exame, irá morrer, iniciando assim uma série de despedidas que Ty Burrell mostra seu valor.

Cameron e Mitchell são um de meus casais favoritos na televisão atual, muito disto devido ao talento e carisma de Eric e Jesse em personificá-los, mas muito desta magia, principalmente este ano, se deve a pequena figurinha chamada Lily. A grande cereja do bolo  foi sem dúvida ela, que agora anda, fala e faz seus pais passarem vergonha com as coisas que aprende a falar, a começar com o vicio na palavra “F” em “Little Bo Bleep” ou até mesmo da leve associação que tem dois pais gays, mesmo não entendendo o que isto significa realmente.

O prêmio de melhor episódio vai para “Disneyland”, trazendo aquela boa, velha e atrapalhada reunião familiar, desta vez no mais mágico dos lugares. Com destaques as peripécias de Lily; as discussões sobre usar ou não a mochila de macaquinho para controlá-la  e por fim, a hilária solução dada por Gloria em vestir a pequena com sapatos altos, a fim de cansá-la, trouxeram a interação destas tão distintas personagens. Jay aproveita para criticar a vaidade de sua esposa, pois que adulto em sã consciência veste um salto pra andar e andar num imenso parque como o da Disney? Só mesmo um sapatinho da Minnie pra acalmar o mal humor da latina, humor que Jay sempre associou ao uso excessivo de sapatos altos.

A decisão em adotar o segundo filho pode ter sido uma ação precipitada da trama, principalmente porque não fora muito bem desenvolvida, mesmo abordando as inseguranças de Mitchell e Cameron, muito disto porque as vezes nem parecíamos entender o que acontecia com eles, mesmo que tivessem entrevistas com assistentes sociais e possíveis barrigas de aluguel. Por fim a decisão foi em adotar um recém nascido de uma família mexicana, o que criou um tipico momento de novela, onde Gloria intermediava a conversa para Cameron e Mitchell, que no fim saem devastados do hospital, pois o pai da criança reaparece e ambos decidem cuidar do bebê juntos.

Se eles perderam a chance de serem pais novamente, Gloria revela bombasticamente que está grávida, este que seria seu primeiro com Jay. Resta saber quanto isto irá afetar a dinâmica da família e até mesmo os sentimentos feridos dos papais. Espero mesmo que para esta quarta temporada, as crianças sejam mais exploradas, tornando-as mais apelativas e interessantes em meio a trama. Acredito que Modern Family terá muito a caminhar pra ser considerada a nova grande comédia e mesmo com os indicadores de premiações enaltecendo-a, estão longe de ser a comédia mais sólida e querida dentre o público, pelo menos não deste seu apaixonante primeiro ano.

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