Supernatural – 7ª Temporada (2011)


Eu me lembro das minhas expectativas com relação à sétima temporada de Supernatural. Eu realmente fiquei desesperada com a season finale da sexta temporada, que deixou muitos assuntos soltos no ar. A maneira como a trama havia terminado, com todo aquele suspense em torno de Castiel e a sensação de que os leviatãs agitariam as coisas, me fez imaginar (e esperar) que o próximo capítulo da saga dos irmãos Winchester fosse brilhante. Infelizmente, não foi exatamente isso que aconteceu.

Os primeiros episódios da sétima temporada foram bem bacanas, não negarei. Mas, conforme a trama avançava, as situações ficaram entregues ao tédio. Até hoje, me pergunto o que Sera Gamble tinha na cabeça para arruinar uma temporada que tinha tudo para ter uma ótima qualidade. Parecia que ela estava muito mais preocupada em querer reviver o passado dos Winchester e o estilo de vida deles das temporadas passadas, como trazer à tona o diário do John e tocar AC/DC. Por mais que a sessão nostalgia tenha sido ótima, a história chegou a um ponto não funcionava mais.

Se formos pensar na temporada como um todo, qual foi o gancho tomado pelos personagens? Honestamente, não houve nenhum, e essa temporada despencou a confiança de muitas pessoas com relação à Supernatural, da mesma forma que gerou questionamentos sobre se valeria a pena uma nova temporada. Por mais que eu ame Sam e Dean, e seja fiel a eles até o fim, admito que a série deveria ter sido engavetada na quinta temporada. Kripke realmente largou o posto de showrunner no auge da série, como ele queria, e não tiro a razão dele em ter feito isso.

Os leviatãs e Dick eram para ser o carro-chefe da sétima temporada de Supernatural, mas eles ficaram mais como coadjuvantes no meio de plots desordenados. Raramente, eles apareciam para dar um pouco de ação à trama e, quando isso acontecia, rendia-se alguns bons episódios. Os novos inimigos dos Winchester eram para ser aterrorizantes, mas viraram meras sombras. Os leviatãs poderiam participar do filme fracassado Sinais, pois foi esse o trabalho realizado por eles ao longo da temporada. Eles distribuíram dicas a Sam e Dean sobre o paradeiro deles, mas não entraram em ação.

Faltou aos irmãos uma ótima batalha, daquela que gostamos, e o final ficou muito a desejar, pois a expectativa foi grande. Sam e Dean agiram como cegos em tiroteio, à procura de algo que, por vezes, nem eu conseguia encontrar.

Tudo isso porque Sam e Dean passaram a resolver casos, um atrás do outro, como faziam na velha guarda da série, o que rendeu ótimas sensações de nostalgia. Realmente foi bom rever Dean soltar piadas sobre a inteligência de Sam e encantar a mulherada, como também foi ótimo ver Sam todo comportado e com medo de palhaço. Confesso que foi excelente vê-los na antiga forma, mas dava para desenrolar isso enquanto eles caçavam as novas criaturas que pareciam estar em clima de férias. Foi uma zombaria com os irmãos, só isso.

Quando os leviatãs apareciam, eles se apresentavam como figuras sádicas que beiravam à comédia. Não deu para levá-los a sério, salvo Dick e os capangas mais íntimos, que eram os verdadeiros terroristas da trama e que representaram a excelência dos leviatãs até o fim da temporada. Em todos os episódios, não houve uma sequência de fatos e nem de personagens. Supernatural viveu de participações especiais, de atores muito queridos como Charisma Carpenter, James Marsters e Sara Canning, mas não me conquistou como costumava fazer. Houve horas em que um personagem estava lá e depois sumia por cinco episódios, como aconteceu com Frank.

Fato é que Dick e os leviatãs não foram trabalhados como deveriam, pois a storyline estava mais preocupada em resgatar o que os Winchester costumavam representar.

Frank x Bobby

Na minha opinião, esse foi o maior impasse da temporada. Eu achei o cúmulo terem matado Bobby, pois ele era a única figura paterna que Sam e Dean possuíam. Ambos já não tinham mais nenhum alicerce e, de repente, lá se vai o caçador rabugento. Bobby era a única força madura dos irmãos, uma pessoa que cuidava e se preocupava com eles, por mais que não admitisse, independente do que acontecesse. Ele era o apoio dos Winchester desde a morte de John e eu fiquei muito decepcionada por terem aniquilado um personagem tão importante.

Para tentar suprir a falta que Bobby faria, inventaram Frank, que foi um wannabe de Bobby, mas muito mais amargurado. Todo o mau humor, a maneira de zombar dos irmãos e tirar Dean do sério, eram muito parecidos com a forma que Bobby tratava Sam e Dean. O que os diferenciava é que Bobby sempre foi atento aos livros, as mitologias e ao álcool e Frank é o gênio da tecnologia, que entrou em campo para descobrir os planos de Dick e comia fast food.

Confesso que gostei do Frank na primeira vez que ele apareceu, mas depois do que aconteceu com Bobby, perdi a simpatia por compreender a intenção do novo “ajudante” dos Winchester. Não gosto da ideia de tentarem substituir a vaga de um personagem por outro e ainda terem a cara de pau de aplicar uma personalidade muito semelhante. Foi um belo de um chute para escanteio a inserção de Frank, que foi para o saco no final das contas também.

Eu acredito que a burrada da morte de Bobby foi sentida ao fazerem ele assumir a versão fantasma. Foi bom? Foi, mas seria mais útil não o terem matado, certo?

O pior de tudo foi a tentativa de fazê-lo virar um espírito vingativo por conta do ocorrido com Dick. Eu achei muito forçado, porém, não nego que foi uma experiência importantíssima para os irmãos. Para Sam e Dean é comum caçar um fantasma que já está transtornado, outra coisa é ver um “em fase de crescimento” e saber que a transformação acontece com alguém que eles amam muito. A luta de Bobby contra Dick foi um dos pontos altos da temporada, especialmente quando ele começa a possuir corpos.

Mesmo com a morte do Bobby, achei incrível a oportunidade de ver como um fantasma se “desenvolve” e como ele tem dois caminhos a escolher. Contudo, agora que o caçador foi para o além, não me empolguei com a ideia de tê-lo de volta. Se ele já foi para o outro lado, como ele voltará? Jeremy Carver terá que nos dar um bom motivo para que isso aconteça (e com qualidade!).

A salvação da temporada

Não há como discutir sobre as pessoas que salvaram a temporada. Castiel, o anjo sem memória, deu um novo gás à série e esquentou os episódios antecessores a season finale. O que foi ele internado, totalmente surtado, com aqueles jogos? Misha Collins foi o achado da sexta temporada e todos os fãs de Supernatural o ovacionam. Era óbvio que a presença dele melhoria e muito as coisas. Ninguém mandou aniquilá-lo tão cedo (ainda bem que o retorno dele foi até interessante).

Com Castiel, veio às estrelas em forma de demônios. Meg e Crowley foram uma ótima sacada e, juntos, deram uma animada em Supernatural nos últimos minutos da prorrogação. A relação de Meg e Castiel, por mais que fosse cheia de interesses pessoais, foi bem divertida de assistir e inesperada. Não esperava que ela fosse voltar tão cedo, mas achei conveniente, pois mais nada funcionava na trama àquela altura do campeonato. Minhas saudações para Mark Sheppard são inúmeras, pois seu personagem foi tão bom quanto Castiel.

Mas nada se comparou ao retorno de Lúcifer. O anjo caído quebrou as defesas de Sam mais uma vez e, sem sombra de dúvidas, a presença dele conseguiu ser mais arrebatadora que a de Castiel, Meg e Crowley juntos. Sam acabou internado por conta de Lúcifer, com as alucinações que eram de arrepiar, e isso me fez feliz e deu certa utilidade para o Winchester mais novo que estava perdido na trama. Sam ficou meio apagado nessa temporada, de mãos atadas, especialmente, ao ter que lidar com o luto de Dean com relação a Bobby (e em curto prazo, de Castiel).

Sem sombra de dúvidas, esse quarteto foi responsável em salvar um terço da sétima temporada de Supernatural. Se um deles não tivesse aparecido (dou ênfase a Castiel, porque ele é figurinha necessária e obrigatória na série) essa temporada seria 100% deprimente.

O drama de Dean Winchester

Sam foi quem sofreu demais na sexta temporada e, dessa vez, o drama foi centrado em Dean. O Winchester mais velho assistiu a perda de Castiel pela ganância e depois teve que lidar com novos sentimentos de tristeza e luto por causa da morte de Bobby. Se não bastasse essas duas figuras desvanecerem da vida dele, o caçador ainda teve que lidar com a ausência do Impala que só brilhou (e pouco) na season finale.

Jensen Ackless mais uma vez arrasou na interpretação. Não deve ser fácil dar vida a um personagem que detesta demonstrar o que sente o tempo todo, pois John se incumbiu que Dean se tornasse um caçador 100%. Ele tem que tomar a frente da batalha, além de cuidar de Sam. É muita responsabilidade e ele não pode se dar ao luxo de demonstrar fraqueza. Essa foi a temporada de Dean Winchester, sem pestanejar. Não é à toa que quem foi parar no purgatório foi ele e não Sam, para honrar o fato que as coisas só dão erradas com ele.

Por mais que Dean tenha ficado um mala sem alça em alguns momentos, ele carregou o mundo nas costas de novo e, de certa forma, não decepcionou. Ele deu a volta por cima com relação às duas perdas e acredito que isso contribuirá para uma nova fase de amadurecimento do personagem na próxima temporada.

E agora?

Depois de assistir a promo da oitava temporada de Supernatural, admito que voltei a ficar empolgada. Todos os spoilers da Comic-Con estão nesses poucos minutos de exibição e eu estou louca para saber o que Sam fez da vida na ausência do irmão mais velho, que curtiu o clima de Jogos Vorazes no purgatório.

O futuro de Supernatural está nas mãos de Jeremy Carver e eu consigo sentir, lá no fundo do meu âmago, que a série pode subir um pouco no status de qualidade. Eu acredito no novo showrunner, pois ele produziu alguns dos melhores episódios da saga dos Winchester (Lucifer Rising, Changing Channels, A Very Supernatural Christmas, etc.). Pode ser precipitado, mas como boa fã da série, me resta o otimismo.

E eu queria muito que minha diva nerd Charlie retornasse com seu sabre de luz para dar uma animada na rotina de Sam e Dean. Ela arrasou em um dos melhores episódios da série, The Girl With the Dungeons and Dragons Tattoo. Garth também pode voltar, pois ele arrasou na participação nessa temporada.

A série retorna no dia 3 de outubro, agora às quartas-feiras, no canal CW. Água benta e sal grosso a postos, pois Supernatural chegou ao momento delicado do tudo ou nada.

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