Suits (2×04/07) – Resumo


É inegável a qualidade de elenco e personagens de Suits. Essa qualidade permite que a série utilize dos seus personagens secundários de maneiras inesperadas e com grande peso na trama. O resultado é que Suits não fica chata, pois a quantidade de personagens que podem ser aproveitados é tão grande, que a série mantém um continuo frescor.

Mesmo personagens destoantes conseguem brilhar com a propriedade que os atores tem do texto. Isso fica muito claro em “Discovery”(02×04),pois Mike tem de trabalhar com Louis em um caso envolvendo duas companhias que água mineral. Foi muito bom ver o Louis além das habilidades de contador e agindo como um negociador, um implacável negociador. É interessante ver como a admiração de Mike cresce a medida em que Louis se demonstra bom no que faz. Uma qualidade de Suits é que ela não nos diz o que sentir pelos personagens, mas no faz sentir dessa forma. Quando Mike começa a admirar Louis é por ver o como ele é bom, assim como nós também vemos.Dessa mesma forma é possível entender a decepção que Louis tem com Mike no fim do episódio, pois nós (expectadores) também achamos que eles tinham alcançado certa cumplicidade. Isso leva ao óbvio: Como Louis é bom personagem. Ele é capaz de nos fazer mudar de raiva para pena em questão de segundos. Excelente trabalho de Rick Hoffman.

Infelizmente não foram só flores em “Discovery”. Também houve um plot menor protagonizado pela Rachel que ficou claramente destoante da qualidade dos outros. Do elenco principal, aquela que eu considero mais fraca é a Rachel e colocá-la em um plot em que ela tem de dividir espaço com um personagem terciário do escritório foi uma escolha ruim.

Outro plot maior mostra Tanner processando o Harvey por fraude ao esconder um documento evidência há anos atrás. Esse foi um plot interessante por mostrar que nosso protagonista pode sim ser enganado no que diz respeito ao julgamento de caráter alheio. Trazer Tanner como grande ameaça nesse momento, em que Daniel tenta recuperar poder, é outra escolha acertada do episódio. Harvey consegue resolver uma parte dos problemas ao fazer com que a empresa que ele representava pague pelos seus erros, mas isso é só começo, pois Donna encontra o documento que Harvey foi acusado de esconder, com a assinatura dela.

A partir desse ponto é que os próximos episódio se pautam. Donna errou ao não entregar um documento que era de vital importância para Harvey. Uma das cenas pré-creditos de “Break Point” (02×05). é um ótimo exemplo da qualidade técnica de Suits, ao colocar a Donna olhando para o documento enquanto se culpa pela própria besteira. O editor da série conseguiu imprimir a tensão com a trilha e mudança de planos.

Não há duvidas de que Donna acabou por ser o grande destaque dos episódios. A forma com que ela desconta seus problemas em Rachel ou a tensão nos seus olhares são demonstrações do quão apaixonante é a personagem. As conseqüências de ter esquecido tal documento vão se construindo, aos poucos, para culminar na discussão entre ela e Harvey. Essa discussão ganha relevância por ser a primeira vez que a competência e lealdade de Donna são realmente questionadas dentro da série.

“Break Point” tem outros plots, que servem muito mais para cumprir o tempo de exibição do episódio, pois nada poderia ser usado em episódios futuros. O destaque é realmente a situação entre Donna e Harvey.

“All In” (02×06) foi, praticamente, um filler. Todo o negócio da viagem até Atlantic City serviu como um grande alívio de toda a tensão que vem se estabelecimento desde que Tanner retornou para atazanar a vida de todos. Com a demissão de Donna, os roteiristas optaram por sair do ambiente sério do escritório. Uma boa opção.

É sempre um acerto colocar Harvey e Mike juntos. E a escolha os colocar em um cassino foi boa, pois mostra o traquejo do primeiro e o deslocamento do segundo.  Mesmo que eles estão no caminho de se tornarem parecidos, ou que sejam em alguns pontos, é importante demarcar diferenças entre eles. Toda situação entre Rachel e Louis foi igualmente boa, por conseguir mostrar algo que ambos têm em comum, criando certa cumplicidade.

O que impedem de ser um filler completo são as citações sobre a Donna e o fato de Mike ter descoberto que foi Louis quem expôs toda a situação sobre o processo de Tanner para o Daniel. Fora isso, o final do episódio demonstra como Harvey fica fora de controle quando as coisas não vão como ele quer, ou quando não tem Donna para ser sua consciência.

“Sucker Punch” (02×08) foi, sem duvida, o melhor episódio de Suits até agora. Com a ameaça de Tanner, os personagens concordam que um julgamento fictício é um bom recurso. Como tudo tem segundas intenções em Suits, Jéssica usa esse julgamento para melhorar a imagem de Harvey dentro da firma e fazer com que os sócios optem por não expulsa-lo.

A cena inicial é uma das melhores, por conseguir mostrar Harvey perdendo o controle e socando Tanner. O importante aqui é a relevância que Jéssica tem para que um simples ataque verbal faça com que o nosso protagonista saia do seu comum.  A partir daí todos concordam com um julgamento interno e que Louis é candidato perfeito para atuar como Tanner, levando em conta que é aquele quem tem maior rivalidade com Harvey.

O fato de colocar Mike trabalhando com Louis novamente foi muito bom, porque eles se completam, não com a sinergia que acontece com Harvey, mas no conflito. Toda a primeira cena do banheiro demonstra isso claramente. Além dessa, Louis brilha como o promotor, ele é genial em cada cena que lhe dão destaque, principalmente quando este é chamado para depor e, mesmo contrariado, ele se rende as qualidades de Harvey.

Outro mérito de “Sucker Punch” é trazer de Donna de volta a série. Como senti falta do humor e da graça da personagem. Como é bom vê-la saindo  do pilates, ou andando pela rua com seu cabelo preso e vestido branco. Toda a discussão com Mike foi muito boa, por ser bem menos intima que aquelas que ela costuma ter com Harvey, a discussão final deixa isso muito claro. Além disso, Donna teve o testemunho mais importante do episódio, com direito até a pergunta que todos nos fazemos desde os primórdios da série: Ela ama Harvey?

No fim, Mike e Daniel descobrem alguma falcatrua passada de Tanner, que usam para chantageá-lo para retirar as acusações. O que é realmente importante nesse quesito é que toda a situação com Tanner serviu para dar um impulso ao grande vilão da temporada, o Voldemort de Suits, Daniel Hardman. Como foi incrível vê-lo ajudar Mike apenas para dar um golpe na hierarquia da firma, pedindo uma votação para assumir o controle. Que ótimo vilão, tão sonso e calmo, não é possível presumir nada das suas ações até que elas se revelem.

Definitivamente, “Sucker Punch” foi o melhor episódio de Suits, com alguns ajustes no ritmo do episódio, poderia ser perfeito.

P.S “Suits é uma série muito estável. Ainda não houve um episódio ruim.

Episódio 04 – Discovery :

Episódio 05 – Break Point:

Episódio 06 – All In:

Episódio 07 – Sucker Punch:

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