The Newsroom (1×05) – Amen


Durante os comentários no último review da série, entrou em questão se a inovação é responsável pela qualidade de uma série ou se uma série não precisa ser inovadora para apresentar uma ótima qualidade. Bom, na minha humilde opinião, qualidade e inovação são duas coisas distintas e que, necessariamente, nem sempre são vistas juntos. O que traz qualidade a uma série não é se esta é inovadora ou não, mas sim o roteiro, as interpretações, a direção e a mensagem que esta tenta passar ao seu telespectador. Sendo assim, é justo falar que The Newsroom não inova em sentido algum, assim como é justo também falar que esta está por ser uma das melhores séries da Summer Season, perdendo apenas para Breaking Bad, e, desde já, uma das principais candidatas a melhor estréia do ano.

 É só observar a peculiaridade, os detalhes, e podemos perceber o cuidado que a produção, o roteiro e os atores, estão por ter com suas cenas, seus diálogos e seus personagens. Cada episódio está por transmitir uma mensagem, cada episódio está por ter sua devida influência, seu ácido ar critico e também está por trabalhar relacionamentos mais comuns em busca de descontrair o ritmo da série, que por vezes pode parecer demasiadamente tenso.

 Amen parte do ritmo deixado pelo final do episódio anterior. A guerra entre o Comercial x Ideal está por ganhar pontos críticos e não estamos apenas falando de Leona x Will, o alvo dos tablóides nesta semana é Mac e até sua integridade, sua ética, é colocada em questionamento. Há também uma amostra da dificuldade que repórteres encontram ao realizar matérias fora de seu país de origem, dificuldades que são agravadas quando o país visitado encontra-se praticamente em guerra.

 A trama principal que cercou o noticiário e os demais personagens fora a Revolução no Egito, evento que aconteceu no inicio do ano passado e tomou conta dos noticiários do mundo todo. Houve três momentos apresentados nesta trama que me chama a atenção, um deles fora protagonizado por Elliot que, na tentativa de conseguir algo exclusivo para ser transmitido no News Night, acaba por sofrer um espaçamento nas ruas de Cairo, o que mostra o quão pode ser perigoso para repórteres que se encontram em território desconhecido e hostil.

 A segunda cena que atraiu minha atenção fora o momento em que Neal e Don explodem por diferentes razões, porém ambas ligadas ao mesmo assunto. Neal se desespera, e de certa forma se sente culpado, pelo desaparecimento de um repórter egípcio que o News Night consegue contratar como freelancer. Já Don se mostra vulnerável, por razões que ainda não consegui compreender, em relação a Elliot. Don sempre tentar forçar o seu âncora a ser mais do que este é, acredito que Don está por sentir a pressão e falta de trabalhar com Will, o que faz este procurar pela personalidade do âncora do News Night no comportamento de Elliot e, obviamente, Don acaba por ficar de mãos vazias.

 Apesar dos dois momentos acima terem sido muito bons, houve outro momento que merece um destaque ainda maior. A série ousou e utilizou os seus recursos para fazer uma singela critica ao governo atual do Egito e até a própria população egípcia. A cena onde Amen expressa sua opinião e expressa alguns fatos que antes era totalmente desconhecido pelos telejornais americanos é interessante e inteligente e me fez perceber que necessito sair um pouco da frente do computador e assistir um pouco mais de jornal.

 Agora vamos falar da guerra que está por se iniciar. Will sofreu o primeiro ataque e agora é vez de Mac tentar segurar a pressão dos tablóides. Acontece que Mac, inocentemente, acabou por ajudar a melhorar a imagem de seu namorado através do News Night, porém está não sabia que este estava por almejar um cargo político nas eleições que estão por se aproximar. Os tablóides acusam Mac de fazer tudo de propósito e destilam venenos contra sua ética jornalística. Mac até tenta não demonstrar que isto a está afetando porém em singelos momentos fica nítida a impressão de que está mais abalada do que demonstra e o término de seu namoro é apenas uma prova disso.

 Will está mudando. O personagem que está na nossa frente agora não é o mesmo que conhecemos no episódio piloto da série. Lembro-me de um dialogo onde Mac diz que Will nem sempre fora rabugento, que ele se tornou assim, podemos então concluir que este se tornou assim após o término do relacionamento. Estão nítidas as mudanças que o personagem vem por sofrer, não diria mudanças, diria apenas que a presença de Mac está lhe trazendo de volta o seu antigo eu. Confesso que no inicio achei que este fora comprar o silencio dos tablóides para que estes não prejudicassem ainda mais Mac, pois Will ainda possuía sentimentos por ela. Mas ao final desta cena fui convencido por outra coisa, Will não fora comprar o silencio pois ainda ama Mac (apesar de achar que este ainda ama Mac), mas sim pois os tablóides estão por começar a mexer com sua equipe, com seus colegas de trabalho, procurando um brecha na vida deste para afetar Will indiretamente.

 Nem preciso dizer que adorei o sermão que Will deu a Nina sobre verdadeiros jornalistas. Fora uma cena tensa onde novamente podemos notar as mudanças no comportamento de Will. Este fora um ataque direto de Will as tramóias que Leona está por fazer em busca de lhe afetar, porém a guerra está apenas começando e o News Night sabe exatamente onde atacar para revidar os ataques que sofreu anteriormente.

 E Will fora o responsável por outra grande atitude que fez todos os conceitos anteriores que tínhamos sobre o personagem desaparecer. O fato de que este sacrificou 400 mil dólares de sua conta pessoal para cobrir um custo que é responsabilidade de sua emissora fora magnífico. Esta atitude fortalece ainda mais as palavras que Will proferiu a Nina, sobre a proteção de sua equipe. Tais atitudes colocam Will no lugar de líder, lugar que sempre o pertenceu. 

E, inesperadamente, chegamos ao emocionante final deste episódio. Sendo uma referência clara ao filme Rudy, de 1993, a série se despede esta semana mostrando o quanto a equipe do News Night está unida,  a enfrentar as investidas de Leona, o quão eles estão dispostos a lutar por um jornal ideal. 

E com uma equipe em perfeita união que nos despedimos de The Newsroom esta semana. Leona pode até achar que está por afetar Will e sua equipe ao boicotar recursos e a usar os tablóides para denegrir a imagem de tais, porém isto está apenas unificando cada vez mais a família News Night 2.0. Sendo assim, não vamos esperar uma batalha entre Leona e Will, mas vamos esperar um espetáculo onde o IDEAL irá superar o COMERCIAL e a televisão e o jornalismo novamente terão os seus tempos de glória.

 Artigo preparado por: Well Fernandes

4 thoughts on “The Newsroom (1×05) – Amen

  1. Esse episódio não teve um final tão dramático quanto o anterior,mas foi tão bom quanto.
    No caso que tu disse que não entendeu porque o Don ficou vulnerável,foi porque ele foi a pessoa que gritou com o Elliot para sair do hotel e ir atrás de notícias,mas como o Will disse,isso não foi uma ordem e sim uma permissão.

    O Neal subiu muito na minha escala de personagens que eu gosto da série,pela atitude dele no episódio,que pra mim foi o melhor dele,principalmente comparado ao anterior com aquela coisa do Pé Grande,que mesmo sendo um pouco cômico, não chamou muito minha atenção.Uma cena que eu gostei muito foi ele convencendo o Kahlid a se apresentar como Kahlid e não como Amen,e sem a bandana.E o novo personagem ganhou meu coração mais ainda com eles falando os fatos que ninguém nunca tinha parado pra pensar.

    O sermão do Will na Nina foi épico,e ver ele se sacrificando pela equipe também,depois dessa guerra da equipe do News Night vs tabloides a única coisa que tá faltando pra mim é a Leona aparecer porque no episódio que ela apareceu,a atriz deu um show de atuação,e os roteiristas deram um show de texto.”Do you wanna play golf or do you wanna fuck around ?” já está em um dos meus quotes preferidos. Sem contar no que a personagem representa,o que vários “jornalistas” fazem,de colocar o ideal a frente do comercial.
    Agora só aguardo para ver o desenrolar da série,que depois de 5 episódios como esses,tenho certeza de que será ótimo.

    • Sim, enquanto o final do episódio anterior fora mais drámatico, este se mostra mais emocional, podemos dizer que este é até um final feliz.

      Agora sim lembrei da cena, é mesmo, Don deu a ‘permisão’ para Elliot sair, mas de certa forma acho que Don sente-se incomodado com a revolução que está por ocorrer no News Night 2.0, por isto este exige tanto de Elliot.

      Também achei Neal bem mais interessante e promissor neste episódio, a história do pé grande no episódio anterior fora meio estranha mesmo. Também gostei de Amen, este mostrou ser batante interessante e trouxe elementos interessantes, principalmente aquele fantástico discurso.

      Mas o melhor dialogo do episódio fora a cena de Nina com Will. Simplesmente fantástico. Também desejo a presença de Leona, adorei a interpretação da atriz e a personagem possui muito potencial para ser apenas citada no decorrer do episódio. Não vejo a hora em que esta e Will ficarem cara a cara.

      Atts

  2. Não continuou caminhos percorridos. Este episódio foi, a meu ver, muito distinto dos anteriores.

    Gostei do modo como usaram Rudy. Muitos dizem que aquela cena final do episodio foi forçada mas a verdade é que foi mesmo e é essa a ideia: reproduzir uma cena de um filme que agrada ao visado. Não é um erro, é a realidade.

    The Newsroom mantém o seu caminho, ao contrário do que muitos dizem não considero este o melhor episódio de uma série fraca mas sim um bom episódio de uma série fantástica.

    Mas muito mudou o mundo, agora quando alguma série apresenta um idílico, um “dever ser” em todos os níveis e até a nível moral é afastada e classificada de pretensiosa. Tenho pena de viver num mundo assim, em que os roteiristas e criadores de séries e cultura em geral sejam vistos como pessoas que devem estar numa espécie de passividade quanto aos seus pontos de vista. É o pior deste mundo, assumir que quem cria deve abdicar da sua ideologia para não ofender susceptibilidades. .

    • Sim, fora um episódio que mostrou uma dinâmica diferente de seus antecessores e gostei disso, gosto do fato que a série procura diversos meios e elementos para contar a sua história, sem ficar presa em um parâmetro, uma rotina.

      Não achei nem um pouco forçada a cena final. Estava óbvio, desde o dialogo na sala de reuniões, de que teriamos uma referência mais clara a Rudy. Confesso que nunca assisti ao filme, mas acredito que a série soube recriar perfeitamente a mensagem que a cena homenageada traz ao seu telespectador, e o melhor é que a cena fora recriada sem ser forçada ou ridicula, fora emocionante e, como tú mesmo disseste, realista.

      Tenho o imenso prazer de concordar contigo nos seus dois últimos parágrafos. O mundo virou algo comercial e pessoas estão deixando seus ideais de lado para conseguir alcançar algum sucesso. O pior é que isto não ocorre apenas no mundo televisivo, temos isto na música, no cinema, na literatura e até mesmo nos tradicionais jornais de papel. O mundo está em constante mudança, a cultura está em constante mudança, mas, infelizmente, é sempre para pior.

      Atts

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