Especial Comic-Con: 10 anos de Firefly


Se você é fã de seriados há certo tempo, provavelmente já parou para refletir sobre a inúmera quantidade de pilotos que são exibidos na televisão americana. Muitos dos tais pilotos se transformam em séries de sucesso, gerando records absolutos de audiência e mantendo-se no ar durante anos e mais anos.

Das histórias que raramente abandonam o imaginário de um bom fã, nós podemos citar Friends e caso você tenha alguns aninhos a mais, talvez se lembre da estrondosa notoriedade conquistada por seriados como Cheers Dallas. São seriados atemporais que até hoje conquistam fãs, geram remakes e ainda conseguem arrecadar lucros para os respectivos canais de televisão que detém seus direitos.

Entretanto, precisamos concordar que grande parte do sucesso de tais obras deve-se ao fato de que alguém apostou alto e decidiu mantê-las no ar por todo esse tempo. Nós nos lembramos de diversos episódios e podemos citar falas marcantes de trás para frente, pois é complicado ignorar um programa que ficou por mais de dez anos na sua televisão.

Mas e o que podemos dizer de seriados que somente possuem uma temporada de existência, que foram retirados drasticamente do ar (leia-se: sem a merecida conclusão de sua história) e nem ao menos tiveram uma temporada padrão de vinte e tantos episódios? Contando somente com a ajuda da minha memória, são poucos aqueles que posso citar, porém, certamente minha resposta padrão para tal questionamento sempre seráFirefly.

Talvez a space opera realmente fosse um pouco avant-garde para o peculiar gosto do público americano, porém, dez anos após sua exibição, é um dos poucos seriados que se consolidaram como favoritos até hoje dos fãs do gênero. Muitas pessoas nem ao menos tiveram a chance de acompanhar a primeira e única temporada na televisão, todavia, posteriormente acabaram entregando-se a um dos seriados mais geniais da ficção-científica.

Não é qualquer painel da Comic-Con que consegue o feito impressionante de acumular tantos fãs, alguns que até mesmo acamparam na porta para conseguir um lugar privilegiado frente às estrelas e criadores de Firefly…E após ler muitas resenhas de quem esteve presente no local, posso garantir que não é todo painel que consegue fazer tanto barulho (principalmente para um seriado que foi cancelado há dez anos atrás).

Uma das minhas partes favoritas de qualquer painel é sempre a apresentação de seus participantes. Se assim como eu, você é um bom fã do seriado, é impossível não se emocionar com o moderador apresentando o Alan Tudyk como a leaf on the wind. Mas a verdade é que o controle emocional realmente abandona meu edifício na hora em que todos se levantam para ovacionar a presença do Joss Whedon.

E é só assim que consigo descrever esse reencontro: emocional. São poucos os elencos que possuem uma interação tão harmoniosa um com o outro. Muitos acabam se odiando lá pela terceira temporada, porém, o time que fez de Firefly um sucesso para ser relembrado eternamente é uma família.

Segundo Tudyk, tal feito deve ser atribuído a Nathan Fillion, o nosso capitão, já que logo no primeiro dia de filmagens, o protagonista surgiu com um jogo em que quem decorasse mais nomes dos atores e equipe de produção ganharia.

Ainda rasgando um pouco de seda para o lado do intérprete de Mal Reynolds, Joss Whedon completou que por nenhum instante duvidou que ele fosse, de fato, o capitão. “Ele está lá para garantir que todos estão se divertindo, dando o seu melhor. Certa vez, um ator convidado não foi muito simpático com as atrizes do elenco e pode provar como o Nathan é quando alguém ameaça aqueles que ele ama…Ele fica bem canadense”.

Outro tópico importante que também foi abordado no painel foi como seria o final de Firefly, caso Joss tivesse conhecimento de que seu seriado seria cancelado. “Eu acho que não teria matado ninguém” – para a visível alegria de um Alan Tudyk – “Um filme é um animal completamente diferente e tem outras necessidades específicas. Nós certamente aprenderíamos mais a respeito da conspiração Blue Sun, Inara, e Shepherd Book”.

Porém, o momento mais emocionante é quando o moderador pergunta ao Joss Whedon o que os fãs representam para ele. Joss parece ter certa dificuldade para controlar sua emoção e encontrar as palavras corretas para responder tal pergunta.

É nesse momento que alguém da plateia resolve gritar o que todos estão pensando: “Nós te amamos”.

Quando Whedon escuta a declaração, parece finalmente se render às lágrimas e a plateia e o elenco levantam-se para aplaudi-lo como ele realmente merece.

“Quando você acaba de assistir um grande filme, você se sente parte daquele mundo. Quando você está contando uma história, na realidade está tentando conectar-se com as pessoas de uma maneira em particular. É convida-los para fazer parte do mundo. Eles habitaram esse mundo, esse universo e tornaram-se uma parte deles. Quando eu vejo os fãs, eu nunca penso que o seriado foi cancelado. Eu penso em espaçonaves e cavalos – a história ainda está viva”.

Para finalizar, gostaria de relembrar uma afirmação genial por parte do Nathan Fillion que resume bem o que sentimento que todos os fãs nutrem a respeito de Firefly:

“Quando Firefly morreu, eu pensei que essa seria a pior coisa que poderia ocorrer” – afirmou – “Agora eu sei que a pior coisa que poderia ter acontecido é caso o seriado continuasse morto” – completou apontando para toda a plateia presente – “Não tem problema nenhum que tenha morrido”.

Seja através dos quadrinhos, da grande base de fãs que cresce diariamente ou dos nossos desejos megalomaníacos de comprarmos os direitos de exibição do seriado da Fox e colocarmos o seriado de volta ao ar, nós sabemos que Firefly nunca, de fato, nos abandonou. Como já dizia a canção: você não pode tirar o céu de mim.

Outros factoides interessantes do painel:

– Joss Whedon foi prestar uma visitinha para os fãs que haviam acampado na fila durante a madrugada. Ele fez questão de acordá-los, assinar autógrafos e tirar fotos.

– A abertura do painel foi inusitada. As imagens da nave Serenity foram bruscamente substituídas por Nathan Fillion sem camisa ao som de Sexy and I Know It.

– Os presentes no painel foram Nathan Fillion (Mal), Alan Tudyk (Wash), Adam Baldwin (Jayne), Summer Glau (River), Sean Maher (Simon), o roteirista Jose Molina, roteirista/diretor Tim Minear e o criador Joss Whedon.

– Quando perguntaram ao Joss o que o painel do décimo aniversário de Firefly significava para ele, sua resposta foi: “Que tudo o que nós fizemos foi pelas razões corretas, com as pessoas certas,que nós fizemos algo que foi muito além de uma simples soma de partes, que nós tínhamos o melhor elenco com o qual já trabalhei…Ah! E nós também tínhamos o Alan”.

– Nathan teve que responder a mesma pergunta e ele enfatizou como até então em sua carreira, ninguém nunca havia lhe dado um voto de confiança para ser o protagonista de um seriado e que Mal era o melhor personagem que ele já havia interpretado.

– Adam Baldwin levou uma réplica do gorro que Jayne usava no seriado. Ele colocou o seu gorro no microfone e posteriormente, o presenteou para o fã que respondeu corretamente o nome do planeta em que Tracey desejava ser enterrado.

– Joss garantiu que nós podemos esperar novos quadrinhos de Firefly produzidos pela Dark Horse.

– Tim Minear respondeu que sua história favorita com os fãs foi quando: cancelaram o seriado há dez anos atrás e mesmo assim, milhares de pessoas compareceram ao painel, como se Firefly tivesse sido exibido ontem.- Perguntaram ao Joss o motivo pelo qual ele havia escalado Summer Glau, ao que ela respondeu rapidamente: “Agora não dá para mudar de ideia, já consegui o papel”.

Artigo preparado por: Mia Lagune

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