Breaking Bad – 4ª Temporada (2011)


É difícil escrever sobre uma série com seguidores tão fervorosos quanto os de Breaking Bad. Então, para evitar problemas, deixou clara a minha opinião de que a série não é perfeita, tendo tido momentos com problemas sérios de ritmo durante a primeira e segunda temporada. Esses problemas foram se resolvendo durante a segunda temporada, se perderam na ótima terceira temporada e, praticamente, deixaram de existir na incrível quarta temporada.

Pode-se dizer o que for de BB, mas é inegável que ela tem um dos melhores arcos de transformação de um personagem da televisão. Walter White era o professor pacato e homem inofensivo que aceitou humilhações durante uma boa parte da vida, até o seu diagnostico de Câncer. Perceber que o seu código de conduta o havia levado a uma encruzilhada em que não era possível pagar seu tratamento ou deixar de uma vida confortável para a família, foi a sua gota d’água. Decidido a fazer o que for preciso para reverter essa situação, Walter encontra um ex-aluno e, juntos, criam uma puríssima Crystal Met. Durante a primeira e segunda temporada, Walter conseguiu se livrar dos problemas mais por sorte do que efetivamente por pericia.   Na terceira temporada as coisas começam a mudar, Walter deixa de ser uma vitima para assumir o seu papel de grande mente criminosa (cena marcante dessa mudança foi o momento em que ele se omite e deixa a namorada de Jesse morrer). Foi na quarta temporada que Walter aprendeu a usar sua tamanha inteligência para tomar conta dos acontecimentos. Breaking Bad é uma série sobre a transformação de um decente homem em um criminoso, que reflete a transformação de um homem passivo e amargurado para se tornar um agente da mudança.

Toda essa transformação foi completamente crível desde o começo da série, nos primeiros episódios já é possível enxergar a semente de Heinsenberg (o traficante Alter-ego), mas foi só aqui que ele realmente assume para si o peso dessa “personalidade”.  Para tal, era necessário um antagonista que justificasse o extremo, fizesse com que Walter aforasse todo o seu potencial, nesse quesito, Gus Fring foi perfeito. Giancarlo Esposito deu ao traficante um equilíbrio mórbido entre normalidade e brutalidade, afinal, quem não se lembra da cena que ele corta o pescoço de um dos seus homens em “Box Cutter” (4×01). Outro acerto foi mostrar todo o background de Gus, tornando a jornada de vingança do personagem muito compreensível para qualquer espectador. Destaque para as cenas de massacre em “Hermanos”(4×08) e “Salud” (4×10).

Não é simples a vida de pai de família e fabricante de drogas, e esse paradoxo foi muito explorado durante a temporada. Principalmente porque Skyler agora sabe dos segredos do marido e as ações dele são discutidas com alguém que tem um olhar mais sentimental dos fatos. Esse paradoxo rendeu boas cenas, com destaque para a icônica em que em Walter explode o possante carro em “Problem Dog” (4×07).

Sobre a Skyler, sua jornada foi quase tão boa quanto à protagonizada pelo marido. Skyler começa a temporada sabendo toda a situação, mas é com o passar dos episódios que ela deixa de ser a esposa fragilizada para se tornar o contraponto prático da vida de Walter. Skyler adentra no universo do marido e percebe que as coisas são mais complicadas do que o maniqueísmo que ela ostentava. Uma prova desse fato é ela ter descoberto todas as falcatruas do “certinho” Ted em “Salud” (4×10).

Fora os personagens principais e vilões, quero destacar o quão legal é o Saul Goodman. Ele é o alivio cômico perfeito para Breaking Bad, pois ele é crível e caricato ao mesmo tempo. Saul tem aquela “jinga” de advogado porta de cadeia que o torna possível dentro da diegese de Breaking Bad.

Todos esses fatores levaram à genial Season Finale. Passados todos os perrenges, com Gus morto e todo laboratório destruído, Walter liga para a esposa e resume toda a sua jornada de até aqui: “I Won!”. O plano é perfeito, o timming e a atuações também. Com todos esses elementos posso dizer que Breaking Bad não é uma série perfeita, mas, dentro de sua narrativa, essa foi uma temporada perfeita de Breaking Bad.

(Queria mesmo dizer apontar os defeitos dos episódios (como sempre faço),mas percebi que todos eles tiveram seus bons momentos, indispensáveis para o caminhar da narrativa. Assim, ficou realmente difícil escolher o que a série teve realmente de pior nessa temporada.)

Artigo escrito por: Murillo Martins

2 thoughts on “Breaking Bad – 4ª Temporada (2011)

  1. Fantástica…

    Tanto a série quanto esta maravilhosa temporada. Todos os episódios tiveram a sua função, toda a temporada fora um caos de qualidade e de desenvolvimento. São poucas as séries que conseguem fazer uma temporada tão ótima quanto Breaking Bad e só tenho a agradecer por ter feito uma maratona desta fantástica série.

    Aguardo ansiosamente o retorno desta e os teus reviews…

    Atts

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