Flashback: Queer as Folk Season 01 Part II


O inicio de temporada, e da série em si, mostrou-se intenso, com uma qualidade peculiar, diálogos fortes e nos deixou com pequenos questionamentos internos. Essa é a verdadeira intenção de Queer as Folk, nos apresentar uma ótima história composta por grandes personagens e nos apresentar um mundo onde existe pouco conhecimento de minha parte, um mundo onde dor, sofrimento, humilhação, amor e sexo sejam algo tão comum.

Mas vamos parar de delongas e vamos avaliar mais quatro episódios desta série.

…: Now Approaching… The Line (1×05)

Este episódio fora interessante e peculiar, mostrou-se mais maduro que seus antecessores e já deu inicio ao desenvolvimento de personalidades e de relações. Três personagens foram o foco deste episódio e três foram as histórias que tentaram e conseguiram nos deixar uma pequena mensagem.

Começamos por Brian. Este continua sua vida de selvageria, porém o lobo se transforma em um cordeiro no ambiente de trabalho, ao menos até que exista circunstâncias em que sua vida pessoal há de interferir para agradar o cliente. Fiquei satisfeito ao final, com Brian a recusar a proposta do cliente de trocar sexo pela confirmação de um trabalho e fiquei ainda mais feliz quando este resolve desenvolver seu relacionamento com o pequeno Gus.

Justin e sua mãe terão uma longa jornada até a total aceitação, de ambos os lados. Justin está com pose de rebelde, não consegue entender as intenções de sua mãe. Afinal, Justin é um adolescente, mesmo sendo gay, este continuará a fazer as coisas estúpidas que adolescentes são tão acostumados a fazer. De certa forma, estou até com dó da mãe de Justin, mas não pelo fato de esta possuir um filho homossexual, mas sim pelo modo com que Justin a está tratando.

Debbie novamente se mostra uma grande personagem. Uma defensora, uma sofredora, uma mãe de verdade. Michael é sortudo de ter uma mãe como ela.

Michael é meu personagem preferido até o momento. É bobo, fã de quadrinhos e podemos até dizer que este é meio desastrado. As cenas onde este finge ser hetéro são hilárias e mostra uma realidade não muito distante para muitas pessoas. Mas o melhor é quando este possui o seu encontro com Dr. Cameron e quando ocorre a transformação, mesmo que momentânea, de sua personalidade, assumindo traços e comportamentos que misturam um pouco de Brian com Ted.

Enfim, a série até o momento não decepcionou e sigo em rumo ao sexto episódio ainda mais conquistado do que estava antes.

NOTA: 8,5

…:: The Art of Desperation (1×06)

Será demais dizer que este fora mais um ótimo episódio desta incrível série? Não há como não se identificar, não importando se você é gay, hétero ou apenas um simpatizante. A forma com que a trama se utiliza de eventos e de momentos para trabalhar e desenvolver seus personagens é magnífica, trazendo sempre uma novidade ou revelando um lado da personalidade destes que não conhecíamos.

O episódio nos trouxe mais detalhes sobre a aceitação de Jennifer. Gosto da forma com que a trama avança com toda esta difícil fase, a cena onde esta imagina Brian e Justin quase transando é a prova viva de que esta não está totalmente de acordo com a situação do filho, mas que mesmo assim quer lutar por ele e tentar aceitá-lo do jeito que é. Claro que com a ajuda e o apoio moral de Debbie esta difícil missão se torna um pouco mais sustentável.

Achei a trama de Ted um pouco previsível, mas ainda assim fora ótimo acompanhar e verificar a forma como esta se desenvolve, mostrando detalhes que ainda não havíamos visto sobre a personalidade do personagem. Isto é o interessante sobre Queer as Folk, não é uma série sobre gays, sobre amor ou sobre amizade. É uma série sobre pessoas com personalidades distintas, que por sinal formam um grupo, e a forma com que estes lidam com os acontecimentos que marcam a sua vida. Foi interessante ver como Ted buscou lidar com seus desejos após o coma, mas este se mostrou mais forte e logo ao final já temos o personagem de volta a sua antiga rotina.

Cameron fora o que mais chamou a minha atenção durante o episódio. A pequena guerra particular que este travou com Brian sobre Michael fora o centro das atenções e a trama soube acompanhar tal dinâmica batalha. O que me interessa ainda mais é saber que Cameron sabe que Michael é completamente apaixonado por Brian, porém não quer desistir e deseja ficar o garoto. Já Brian é Brian e continua por agir como Brian.

Ao menos era isso que imaginei até os últimos segundos do episódio. Tudo indica que as perseguições, que os sentimentos de Justin por Brian, estão por surtir efeito no rapaz e ao final podemos perceber, com este a visualizar a tela que comprou de Justin, que este está começando a se abrir e está por começar a desenvolver alguns sentimentos pelo rapaz.

Enfim, um ótimo episódio que trouxe um grande desenvolvimento. Queer as Folk continua demonstrando uma realidade acima de seu tempo, continua sendo um drama nu e cru que expressa a realidade de um grupo que nunca teve a oportunidade de contar a sua história.

NOTA: 8,8

…:: Smells Like Codependence (1×07)

The Best so Far.

Envolvente, dramático, tenso e complexo. Este fantástico sétimo episódio de Quer as Folk mostrou que a série é ainda melhor do que era esperado, trabalhou as tramas de uma maneira madura, sem desmerecer personagens e sem descaracterizar os mesmos. Focado em apenas quatro personagens, Smells Like Codependene fora o ápice da série até o momento.

Primeiramente vamos falar de Brian. O personagem está mais afim de Justin do que admite, e este também não está por admitir que esteja com ciúmes do relacionamento de Cameron e Michael. Acontece que Brian não acredita em relacionamentos e não acredita em amor, acredita em amizade mas sente que Michael está se afastando e utiliza-se de todos os seus dons manipulativos para tentar separar o casal. Cada vez mais odeio o Brian, mas cada vez mais me sinto interessado pelas tramas do personagem e cada vez mais anseio pelo seu amadurecimento.

Michael já é um bobão. É totalmente dependente de Brian e apesar de querer arriscar suas chances com Cameron, este ainda não consegue esquecer ou disfarçar a paixão reprimida que tem pelo seu amigo de infância. Adorei e me diverti muito com as cenas onde Emmett simula as etapas para um casamento e a forma com que estas etapas começam a acontecer na relação de Michael e Cameron.

Partimos para Cameron. Esta é um homem vivido, já fora casado e já tem um filho, sabe da vida e possui diversas experiências neste meio. Acho lindo da parte do personagem lutar por Michael, principalmente quando todos dizem que está batalha está perdida. A cena final entre este e Brian fora forte e tensa, mostrando que uma guerra está por iniciar e apesar de Michael ter voltado por Brian, a primeira batalha fora vencida por Cameron.

Por último temos Justin. Sua trama começa a ficar ainda mais tensa e começa a explorar o preconceito, vindo tanto da parte de seu pai como dos companheiros de escola. O mais interessante é o fato de que o companheiro de escola que o agride é o mesmo que Justin masturbou alguns episódios atrás, mostrando de uma maneira crua e real como o preconceito inicia-se com si próprio.

O fato de que o Jen contou ao pai de Justin sobre sua homossexualidade é bem interessante e deixou as coisas ainda mais tensas para o lado do garoto. Este já mostrou que não é capaz de aceitar o filho pelo jeito que ele é, agrediu Brian e promete fazer muito mais, o que deixa-me tenso em relação aos próximos episódios.

Bom, vou parando por aqui senão o review vai ficar muito longo. Tá bom, é mentira, vou para porque estou muito ansioso para ver o próximo episódio.

NOTA: 9,2

…:: Babylon Boomerang (1×08)

Mais um episódio de arrematar um coração desprevenido. Tudo o que eu queria que acontecesse, aconteceu. Tudo o que eu não esperava que acontecesse, aconteceu. Enfim, Queer as Folk está sendo deliciosa de se assistir e cada vez quero mais e mais.

No episódio anterior declarei o meu ódio a Brian. Neste episódio quero declarar o meu amor a este único personagem. Claro, o odiei por grande parte do episódio, mas também o compreendo e conheço sua personalidade. O que fora aquela cena onde este defende Justin de seu pai? Toda aquela lição valorosa sobre amor e ódio, acolher o menino e dar aquilo que este necessita e busca? Brian está crescendo, e Justin está crescendo com ele.

Justin está por encontrar muito mais dificuldades do que imagina. A escola está cada vez mais violenta e a tendência é piorar. A situação em casa não está amigável e não parece que haverá uma solução pacifica por agora. Justin está sendo obrigado a virar um adulto fora do seu tempo e logo mais o personagem passará por situações mais complicadas, sendo elas envolvendo sua homossexualidade, Brian ou sua família.

A trama de Michael, embora não envolvesse brigas e conturbados relacionamentos amorosos, fora linda. Todo o sacrifício que este fez em nome de sua ótima mãe, Debbie, encheu meus olhos de alegria e satisfação. A trama que o personagem está por enfrentar é uma realidade que muitos homossexuais sofrem, tanto naquela época como atualmente.

Ah, como fora linda a cena final. Brian e Justin jantando, como um casal. Sei que ainda levará um bom caminho para Brian reconhecer seus sentimentos, mas sei que em algum momento isto irá acontecer e sei também que não perderei este momento por nada.

NOTA: 9,0

Em suma, quatro ótimos episódios e estamos apenas no inicio da temporada. As coisas possuem uma fácil tendência a melhorarem ainda mais e cá estarei, espero que juntamente com mais alguém que esteja perdido, ou já se perdeu, neste universo Queer.

Artigo preparado por: Well Fernandes

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