The Borgias – 2ª Temporada (2012)


É fato o grande paradoxo de The Borgias: Todos os cartazes dão destaque para Jeremy Irons e seu Papa Alexander, quando a verdadeira estrela (e o maior motivo de a série conseguir manter-se) é o Cesare Borgia de François Arnaud.

Ao personagem “principal”, o patriarca Borgia, restaram poucos plots realmente interessantes nessa segunda temporada. Nos primeiros episódios houve toda a crise no relacionamento com a sua amante oficial, Giulia Farnesse, que me pareceu apenas um mini-plot para consumir o tempo de exibição da série nos primeiros episódios, em que todo o plano de tensão da temporada ainda se forma. Não que seja um problema haver pequenas histórias sem ligação com a trama central para “matar o tempo”, o problema é permitir que o expectador os percebam como tal.

Por outro lado, ao nosso Cesare, foram designados plots realmente interessantes desde o começo da temporada (o que é confirmado pelo fato de que foi ele quem trouxe a cena mais interessante do primeiro episódio, assim como o primeiro assassinato).  Historicamente, Cesare Borgia foi um gênio de altíssima qualidade, algo que a série conseguiu emular de forma muito satisfatória. O terceiro episódio, “The Beautiful Deception”, foi ótimo por ter conseguido demonstrar todo potencial tático do, ainda, Cardeal Bórgia (memorável cena dos canhões de gesso).

Com o gênio de Cesare em ascensão, lá no episódio cinco (“The Choice”) a série ganha a agradável adição do embaixador da casa de Médici, Nicolau Maquiavel. É de conhecimento comum que o verdadeiro Cesare foi a inspiração para a obra máxima de Miquiavel, “O Principe”, e foi muito bom ver como a série começou a dar a devida atenção ao relacionamento entre as versões fictícias de ambos. Mesmo com a escolha da série em reforçar um estereótipo do Maquiavel soturno e “maligno”, trazer todo o seu conhecimento estratégico para a série foi ótimo. Espero que o personagem tenha mais destaque na próxima temporada.

Pesquisando sobre a família Borgia original, aquela que mais chamou a atenção é Lucrécia Borgia, por suas contradições. Ela possuía fama tanto de gentil e carinhosa, quanto de mulher calculista, devassa e assassina cruel. Conhecemos profundamente esse primeiro lado durante a primeira temporada, durante essa segunda pudemos conhecer as qualidades intelectuais da doce Lucrécia. Isso fica muito evidente a partir do quarto episódio (“Stray Dogs”) em que ela consegue poder dentro da hierarquia da igreja.

O ponto mais fraco da família Borgia fica realmente por conta do irmão de armadura, Juan. Apesar de haver nele um algo de ingenuidade impulsiva, quase burrice, que equilibra a inteligência de Cesare, o personagem me soava caricato quanto as suas motivações. Outro problema foi à rápida forma com a qual a doença de Juan se inseriu na série e se tornou o guia do jovem. Poder-se-ia ter inserido essa história de forma muito mais sutil durante a temporada, principalmente por conta da importância que o Juan ganhou no fim da temporada (a sífilis de Juan só é citada na série a partir do episódio sete, “The Siege at Forli”).

De fora da família os destaques: são Catherina Sforza e o Micheletto. A primeira me causou  certo estranhamento dentro da diegése da série por conta de ser uma mulher nesse ambiente de poder tão dominado por homens, mas Catherina não só justifica sua existência dentro da série, como o faz com extrema competência. Palmas para sua interprete, Gina Mckee. Destaque para cena em que ela vê o filho sendo torturado, mas mesmo assim se rebela contra o exercito Borgia (Episódio sete, “The Siege of Forli”).

Quanto ao Micheletto, a sua letalidade já era o seu diferencial antes, mas nessa temporada ele se tornou mais soturno. Percebi que sempre esperava ao pior quando ele levanta a mão e voz em qualquer momento da temporada. Destaque para o tenso momento em que Micheletto revela sua homossexualidade (episódio cinco, “The Choice”).

Resumindo, a primeira temporada de  The Borgias mostrou que essa é uma série de bons personagens, a segunda veio para amadurecer suas personalidades tornando-os mais fortes e menos escrupulosos. Não posso negar minha curiosidade em ver até aonde os Borgias podem ir.

Artigo escrito por: Murillo Martins

2 thoughts on “The Borgias – 2ª Temporada (2012)

  1. Concordo com praticamente tudo, só minha nota final que seria um pouco mais elevada (8,8) pois achei esta temporada desvassaladora.

    Sim, Cesare é a alma de The Borgias e sua junção com Micheletto torna este um personagem ainda mais interessante. Porém jeremy Piven brilha como Rodrigo, uma das melhores atuações do ano, sem dúvida. Sim, concordo que este ficou perdido em boa parte da temporada, mas este também fora o mestre da fantástica Season Finale e as cena onde a igreja recebe o raio ficou ainda mais forte devido as ações do personagem.

    Acontece que não falta personagens interessantes na série, gostava até mesmo de Juan e toda sua arrogância.

    Já Lucrécia está por se tornar imprevisivel e estou adorando-a cada vez mais.

    Bom, fora um temporada que apresentou uma sequência inicial perfeita, e desanimou um pouco ao meio mais soube reencontrar o seu ritmo novamente.

    Não posso negar minha curiosidade em ver até aonde os Borgias podem ir. +1

    Atts

    • Revendo a temporada, até achei boa a cena da Igreja e ele enterrando o filho na season finale. Mas acho que faltou algo de autoridade no Papa do Jeremy, ele parece muito mais a merce do filho do que no papel de comando.
      O papa diz para o Cesare que eles são muito parecidos, mas poucas vezes o gênio do Rodrigo foi realmente decisivo.

      THe Borgias é muito boa de acompanhar. Históricamente, é depois que o filho larga a batina que há o auge de corrupção do reinado Borgia. Isso vai ser bom demais.

      Obrigado Mestre Well.

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