True Love (1×03) – Holly


Para quem achou que esse episódio de True Love seria polêmico, pode ficar tranquilo. Não é nada que tenha saído de um episódio de Skins ou de The Tudors. O relacionamento homossexual entre Holly e Karen esquadrilhou a trama de uma forma bem dosada, sem exageros e sem fazer uso de estereótipos, o que foi uma boa coisa. O fator que achei bem absurdo, tudo bem pode até acontecer na vida real, mas nunca presenciei um caso desses, é o interesse amoroso entre professora-aluna que dá certo mesmo com a diferença gritante de idade. Karen tem 16 anos e Holly deve passar dos 25. Isso dá cadeia, certo? Nesse caso, a diversidade gera mais uma história de amor que sobrevive a tudo e a todos.

Independente de cadeia, Holly é a típica mulher solitária. Vive de casa para o trabalho e vice-versa. Ela dá aula de inglês para uma turma que não tem senso de respeito e a deixa inúmeras vezes desconfortável. Sabe aquela sala que o conselho docente quer soltar uma bomba no final do semestre? Bem isso! Ainda mais quando ela é liderada por um filhinho de papai que não tem escrúpulos. Por não ter limites, ele age como todo poderoso e tem seguidores para ajudar a causar baderna. Mesmo com um grupo de alunos bem rebelde, a professora tenta se dividir entre as aulas e uma vida parcialmente social. Toda vez que a mulher sai da escola, ela encontra David, o homem que ela crê na possibilidade de engatar um relacionamento sério, mas que não a faz feliz.

True Love é baseado em impasses amorosos e Holly têm os dela. David é casado, sendo assim, ela é amante dele. Por passar muito tempo sozinha no apartamento, a mãe dela é atraída para sua fossa e sempre pergunta quando ela vai namorar de verdade para curar a solidão que a domina. A mulher lembra muitas mães espalhadas por aí que perguntam todos os dias até quando a filha ficará encalhada. O problema é que, nesse caso, Holly não se esforça para ter um relacionamento e parece que nem ao menos quer. O que vir para ela está bom, mais ou menos assim. A professora se mostrou bastante acomodada com relação a isso. Os detalhes mais sombrios da sua vida mudam quando Karen, sua aluna, a chama para ir a uma exposição cuja visita ajudará ambas no projeto do clube de artes. A partir daí, elas se tornam amigas e confidentes, o que abre brecha para os acontecimentos seguintes.

As coisas desandam de uma maneira inesperada para as duas. Karen a beija e Holly cede. A linha tênue entre professora e aluna é quebrada e elas se apaixonam. Eu não consegui engolir muito bem essa rapidez no processo, até porque a personagem de Kaya Scodelario afirma que nunca ficou com um garoto antes e, de repente, ela se torna super experiente. Parece que ela aprendeu as coisas de uma hora para a outra e virou expert. Holly também nunca experimentou ficar com uma pessoa do mesmo sexo e não sente arrependimento por causa disso. Ambas ficam felizes com a investida, o novo passo que deram, e tudo o que a professora prega sobre a idealização de encontrar alguém que a faça se sentir viva, feliz e completa vai de encontro à atenção recebida por Karen. O mais assustador é que a aluna é quem inicia essa bola de neve e bate no peito quando diz que a ama.

As cenas mais tensas são quando os alunos se voltam contra a professora por causa da fofoca feita por uma amiga de Karen. Uma pergunta comprometedora e o coral entoando a palavra “lésbica” dentro da sala de aula foram o fim do universo para o casal. Infelizmente, esse é um exemplo de atitude que a galera LGBT enfrenta todos os dias, pois não tem o respeito das pessoas devido suas mentes fechadas. Cada um no seu quadrado, certo? Mas Holly é que tem que lidar com o peso da situação. Eis aqui mais um caso muito real de relação que abala parte da sociedade que não aceita o namoro entre mulheres ou entre homens. Abatida, ao invés de ser Holly a cuidar de Karen, o caso segue em sentido oposto. A aluna é quem ajuda a professora a superar as fraquezas e inseguranças por se preocupar com ela. A garota que era inexperiente se torna a chefia da relação. Estranho, né? O relacionamento de ambas, no meu ponto de vista, foi meio fora dos limites, mas não posso garantir que seja impossível de acontecer. A adolescente incita os sentimentos da personagem principal e, juntas, enfrentam o preconceito.

Após a cartada final dos alunos, Holly tem sua primeira ideia inteligente: ir embora por conta da repercussão de seu relacionamento com Karen. Ela acaba quebrando o respeito entre mãe e filha ao dizer que ama a adolescente e que ficará ao lado dela. A professora realmente abraça a atitude de partir e a aluna decide se manter com ela. Fica bem claro que ambas não desistiram do sentimento que possuem uma pela outra e que, apesar dos pesares, elas podem seguir em frente, como se não houvesse mais obstáculos no futuro. Esse episódio foi uma tentativa muito bem-sucedida de exemplificar um namoro entre duas pessoas do mesmo sexo e foi bem clean, gostei disso. A BBC tem toda a caricatura de emissora televisiva direcionada à família e achei bem legal que tenham respeitado isso, sem transformar a história delas em um absurdo difamatório que poderia gerar mais polêmica sobre o assunto do que já existe.

Karen tem seu primeiro amor juvenil construído na imagem de Holly. Honestamente, a aluna nem sabe o que é amor, vamos começar daí. E qual professora em sã consciência colocaria sua carreira em risco por conta de um relacionamento que, por favor, não tem futuro algum? Foram esses os desafios lançados nesse episódio de True Love, que deu mais uma esperança falsa de que as coisas dão simplesmente certo no final de um erro exorbitante. Desde o primeiro episódio para cá, todos os relacionamentos terminam bem, depois de absurdos que dá para contar nos dedos. Já comentei que a premissa da série é mostrar o “amor verdadeiro”. Ela é graciosa, inspiradora, não irei mentir, mas há certas coisas que simplesmente não funcionam na vida real.

Deixando a série como um todo de lado, gostei bastante do episódio, ele foi bem mais interessante se comparado ao anterior, o encadeamento da trama foi bem estruturado e Kaya e Billie (minha eterna Rose Tyler) foram sensacionais.

Artigo escrito por: Stefs Lima

2 thoughts on “True Love (1×03) – Holly

  1. Esse foi o episodio mais emocionante da serie! Pena que durou pouco!uma bela dica é reviver esse amor dando continuidade em mais um capitulo da segunda temporada!parabens!elas arrasarão!

  2. ha karen deu muita sorte de ser conrespondida e eu estou amando uma professora ,mais so que ela esta namorando e tambem eu sou de menor eu tenho doze anos e ela tem vinte e seis anos mais eu amo ela so que ela nao ver isso quem quise mim um conselho eu aceito

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