Continuum (1×01) – A Stitch in Time (Series Premiere)


A sensação de Deja vú foi a maior constante durante toda a exibição da nova série da Showcase.

Qualquer um que já tenha visto Exterminador do Futuro ou qualquer outro filme de viagem no tempo, vai identificar as referencias de Continuum. O piloto não trouxe absolutamente nada de novo sobre as narrativas de viagem no tempo. A sensação de mais do mesmo é inevitável.

O episódio começa em 2076, em um mundo dominado pelas grandes corporações. Uma organização de “terroristas” prega a liberdade (qualquer um que tenha visto o ótimo “Demolidor” com Stallone vai entender a situação). Todo o discurso inicial do líder dessa organização, chamada Liber8, serve para mostrar a ideologia e o quão temíveis eles podem ser. Até esse ponto a série funciona muito bem, com um roteiro muito coerente e pouco professoral, é uma explicação simples sobre a ameaça que a protagonista vai enfrentar no decorrer da série.

Há uma elipse temporal de seis meses, e é a partir desse ponto que a série realmente foca na sua protagonista Kiera, vivida pela limitada Rachel Nichols. Toda a cena em que ela faz uma recepção em sua casa serve para mostrar como há os simpatizantes da causa Liber8, mesmo entre os aristocratas dessa sociedade ditada pelas corporações. Uma forma de reiterar uma possível simpatia causada pelo discurso inicial. Toda a recepção me deu uma impressão de frigidez nas pessoas “controladas” pelas corporações, uma sensação de “linha reta” muito forte (talvez faltasse um orgasmotron no ambiente). É nesse ponto em que a falta de talento Nichols começa a irritar um pouco, pois toda a cena de Kiera conversando com o filho é vergonhosa.

O que segue é uma das mais fracas cenas no quesito roteiro: a do metrô. Estão Kiera e o marido no metrô quando ela recebe um chamado da central sobre alguns criminosos que estavam no mesmo vagão. A cena só serve para mostrar o quão Bad-ass a policial Kiera é, só isso, uma desculpa para mostrar que Kiera sabe chutar bundas alheias, o que não é necessário levando em conta que o episódio já disse que ela é uma policial de elite. Só mostrar Kiera usando o chip para reconhecer os bandidos já era o suficiente para evidenciar um pouco da utilidade da tecnologia futurística, era só o necessário.

O grande evento pelo qual chamam à oficial Kiera é a execução dos lideres do Liber8. O bom dessa cena foi perceber que mesmo no futuro o esquema Power Rangers, de colocar um integrante de cada etnia para democratizar e retirar uma possível interpretação de que o grupo está ligado a uma etnia, ainda é usado. Logo os terroristas são colocados em volta de uma espécie de energia, jogam um dispositivo e são levados para o passado junto com a Kiera.

A cena em que Kiera retorna para o passado é o momento em que a falta de talento de Nichols consegue realmente irritar. Todas as caras e bocas de perdida da moça são iguais as usadas em “Criminal Minds” e “Conan”, inclusive na mesma ordem. Outro ponto fraco dessa cena é que todo os dialogo de Kiera com Insgram são cheios dos malditos clichês de diálogos de viagem no tempo. Sério, quem agüenta ouvir o “não aonde, mas quando” de novo?

Logo é explicado que aquele que pode se comunicar com Kiera é Alec Sadler, criador da tecnologia fodastica do futuro. A química entre os dois não é ruim, inclusive, é melhor que toda química que a protagonista teve com o marido ou filho antes da viagem temporal. A interação entre os dois também rende uma importante teoria sobre viagem no tempo (que explicarei mais tarde) e uma explicação sobre o chip implantado na moça, que permite que ela grave os momentos do seu dia e use quando for necessário.

Algo curioso desse piloto é que ele melhora depois da viagem do tempo, mas é a partir desse ponto que os erros de roteiro começam a pipocar. Kiera começa a investigar um incidente causado pelo grupo de criminosos do futuro, isso faz com que ela se aproxime do detetive Carlos Fonnegra (futuro interesse romântico?). O fato de Kiera entrar numa cena de crime na moral foi muito estranho além da facilidade com que ela se fez passar por policial e todo mundo caiu. Eu entendo de crimes (graças as minhas sessões de “Criminal Minds”) e sei o numero do distintivo do meu tio, será que eles me deixam entrar na delegacia e interrogar um suspeito sozinho também?

Logo o pessoal do Liber8 começa a tocar o terror pela cidade, matando policiais e roubando bancos. Kiera ajuda a policia, graças ao seu conhecimento prévio da forma como os criminosos  agem. Logo ela encontra o banco que o grupo rouba e começa o tiroteio. Bom, não posso reclamar das cenas de ação do episódio porque elas são realmente bem feitas, a cena do tiroteio ainda serve para demonstrar mais funcionalidades do traje do futuro de Kiera (que me parece ser o verdadeiro protagonista da série). Algo que me deixou intrigado foi o fato de só três dos Liber8 terem conseguido entrar na delegacia, matar um monte de gente, pegar um prisioneiro e saírem todos impunes. Acho é impossível terem vindo com mais tecnologia do futuro para justificar que três homens consigam dar conta de uma delegacia inteira.

Com tantos problemas no roteiro, o que faz o episódio melhorar na parte do passado? A ação. Ela impede que o foco do episódio seja a atuação de Nichols, cria toda uma urgência na captura dos fugitivos, além de aproximar Kiera do detetive Carlos.

Sobre a viagem no tempo, Alec diz que há duas possibilidades: que a volta de Kiera criou toda uma nova timeline(uma nova cadeia de eventos), ou essa viagem no tempo já fazia parte da linha do tempo da personagem (seguindo a mesma cadeia de eventos que resultará no futuro do qual Kiera veio). O dialogo final com o velho Alec e o fato de ele rir na fuga do Liber8 para o passado sugere a segunda teoria. Se bem aproveitado, esse elemento pode criar bons momentos para a série.

O piloto de Continuum não foi a bomba que achei que seria, mas a falta de originalidade no roteiro e realização da premissa, a atuação da protagonista e descuidos de roteiro, impedem que esse seja um episódio realmente bom.

Artigo escrito por: Murillo Martins

2 thoughts on “Continuum (1×01) – A Stitch in Time (Series Premiere)

  1. Quando li a sinopse fiquei bem ansioso em relação a série. Não sou muito familiar com séries canadensese e está seria uma ótima oportunidade de conhecer o que éproduzido à sombra da grande América.

    Enfim, faltou um pouco de identidade porópria, mas devido a fraca safra de séries que temos nesta época do ano, vale a pena acompanhá-la…

    Atts

    • Comigo foi exatamente o contrário, quando eu vi os a Rachel de macacão imaginei que tudo serie bem ruim. Minha experiencia com séries canadenses é um pouco traumatica (Lost Girl da própria Showcase).

      Achei uma série bem feita visualmente, o clima também está certo. Vou assistir esperando que as atuações se achem no decorrer da série. Também vou acompanhar… vai que fique legal!

      Até…

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