House (8×22) – Everybody Dies (Series Finale)


 
[SPOILERS]

São poucas as séries que podem realmente dizer que foram capazes de modificar toda uma geração. São poucas as séries que, mesmo após 150 episódios, é capaz de nos emocionar e trazer sensações e sentimentos desconhecidos. House é um marco televiso, uma série invejada pelas demais, popular por todo o planeta, dona de uma qualidade peculiar e um dos melhores personagens que já fora escrito para a televisão mundial. Mesmo em seus momentos mais fracos, nos momentos em que estávamos prestes a desistir, havia um luz no fim do túnel, um grande episódio que nos lembrava a razão pela qual esta série se tornou tão especial. Porém agora não há mais luzes no final do túnel. Nós não desistimos. A série desistiu, sentiu o tempo e o cansaço a lhe incomodar e preferiu terminar sua jornada antes de um maior declínio perante o seu público adorado. E, sim, esta terminou de uma forma única, de uma maneira que só mesmo quem é fã da série consegue entender. Não fora um final feliz, fora uma final amargo com um gosto estranho. Mas quem, em algum dia ou em alguma hora, disse que House era uma série sobre felicidade?

House é uma série sobre pessoas, suas mentiras e seus comportamentos. Mas, precisamente, House é uma série sobre uma pessoa: Gregory House. E esta Series Finale lhe pertenceu do inicio ao fim, trazendo a tona diversos lados de sua personalidade, trazendo referências bem características do personagem e lhe trazendo a felicidade como resultado final, mesmo que esta possa parecer instantânea, ainda assim pode ser chamada de felicidade.

O episódio transcorreu-se de uma maneira além das minhas expectativas. Nada estava por funcionar da maneira que era esperado, tudo estava um pouco confuso. Mas não demorou muito para o clima tenso e obscuro do episódio nos atingir, ficamos presos em cada detalhe e em cada dialogo. Não vou negar que esperava um pouco mais de um drama em sua pura forma, mas estou plenamente satisfeito com a abordagem utilizada pelo episódio.

Os primeiros quinze minutos do episódio foram mais monótonos, mas foram estes essenciais para o episódio ter a chance de se concluir da maneira com que este fora finalizado. A teimosia de House em relação a ir para a cadeia ou não acabou lhe custando uma estadia na mesma, porém House não pode ir para cadeia, não com Wilson morrendo em cinco meses. Algo precisava ser feito e algo fora feito.

Muito se falaram das participações especiais e elas foram magníficas. Cada personagem interpretou um lado da personalidade de House, cada personagem o desafiou a questionar se este deve ou não manter-se vivo. Um prédio estava em chamas e House precisava decidir se lutava por sua vida ou se desistia desta ali mesmo.

Kutner mostrou um lado mais entusiasmado de House, algo que combinava com o personagem em si, enquanto Amber, como sempre, foi uma versão feminina do personagem e nos trouxe bons momentos, sempre explorando o lado mais egoísta e enigmático, o lado mais lógico. Já a presença de Stacy, inesperada por sinal, traz a tona o lado mais emotivo do personagem, a esperança de que este ainda pode amar e que pode ser amado e esta tentar usar deste argumento para tentar convencer House a lutar pela sua vida. O uso da religião, um tema tão comum e tão abertamente discutido na série, nos leva a criar diversas hipóteses sobre como House foi parar no velho e abandonado prédio e de como este ficara me chamas. O último paciente clamou usar a heroína para encontrar Deus, para encontrar um sentido para sua vida. Será que as intenções de House não foram as mesmas? O personagem sempre buscou tal, sempre buscou conhecimento absoluto, mas sua vida está complicada de uma maneira que talvez o levasse a acreditar que algo superior poderia lhe ajudar. Enfim, House pode ter chegado ao fim mas algumas de suas atitudes sempre criaram controvérsias e esta me deixará intrigado por um bom tempo.

Mas a melhor das alucinações de House fora Cameron. Fiquei todo o tempo com a sensação de que a pessoa que estava aconselhando House a desistir de sua vida, a ganhar o seu merecido descanso, deveria ser Cuddy, Sim, deveria ser Cuddy ali ao invés de Cameron. Mas Cameron desempenhou o papel de uma forma tão convincente que acabei dançando a musica, fora nostálgico e me fizera lembrar a razão pela qual sempre apreciei tanto a personagem.

Após alucinações, suspense e tensão, encontramos um caminho. O fim. A morte. House desiste…

O funeral fora o evento onde reuniu os diversos personagens que marcaram presença nos oito anos da série. Fora um evento triste, confesso que em alguns momentos, principalmente nas declarações dos personagens, lágrimas caíram de meu rosto. Absolutamente me senti vulnerável e emotivo, ainda mais quando chegou o momento de Wilson dar as suas últimas palavras a seu caro amigo. A força da amizade, a força do sentimento que Wilson tem por House o impediu de dizer apenas belas e irônicas palavras. Não que os demais mentiram quando disseram todas as coisas boas que House lhes proporcionou, mas ninguém se atreveu a dizer a realidade sobre o médico, sobre sua personalidade, sobre o seu ego, seu egoísmo e seus demais defeitos.

Um grande sacrifício. House como conhecemos está morto. Mas será que House realmente morreu? Não, este apenas cometeu um grande sacrifício, fez uma grande escolha, mudou a sua vida e deixou de ser um épico médico e se tornou apenas mais uma pessoa a conhecer as conseqüências de seus atos e o peso de seus sentimentos. Este, novamente, se inspirou na personagem a qual sua personalidade e suas atitudes foram inspiradas e forjou sua morte. Alguns podem até dizer que House forjou sua morte para evitar seu tempo na cadeira, já estou por acreditar que este sacrificou tudo o que possui, seu nome e sua reputação, para estar presente nos últimos cinco meses de uma das pessoas mais importantes de sua vida: Wilson.

Por alguns momentos vejo esta atitude radical de House como egoísta, este não pensara nas pessoas que ficaram por lamentar a sua morte, apenas pensara em si mesmo. Mas não é isso que nós, seres humanos, fazemos? Falamos o que pensamos, agimos como queremos e poucas vezes nos preocupamos como isto afeta outras pessoas. House pensou em si, pensou na pessoa que mais lhe importava neste momento, seu amigo Wilson, e nada mais lhe importou. Foi sim um final amargo, mas também fora um final feliz, ver House e Wilson juntos, aproveitando o tempo de amizade que lhes resta, o sorriso de satisfação estampado na cara de House fora uma prova desta felicidade. Pode ser que este não seja um final onde todos viveram felizes para sempre. Mas quem ainda acredita neste tipo de conclusão?

Os pequenos flashes sobre o destino dos demais personagens da série concluirá toda a jornada destes. Quão prazeroso foi ver o nome de Chase na porta do departamento de diagnósticos? Esta oitava temporada preparou o personagem para ser substituto de House e este cumprira sua missão de uma forma exemplar. Sinceramente, não me importava com Adams e Park, mas fora legal ver que estas continuam trabalhando para o hospital. Cameron nos mostrou que é possível seguir em frente, que há uma nova vida para se viver pós-House. Esta se encontra chefe do departamento de trauma de algum hospital, casada novamente e com uma bela criança em seus braços.

Come exceção de Wilson, apenas Foreman sabe que House não está realmente morto. Achei interessante a atitude de House, meio que revelar todo o seu plano para o médico, uma vez que este poderia se sentir culpado pela morte do mesmo. Não fora dito expressamente em palavras, mas o sorriso final do personagem mostrou que este descobriu a essência do último enigma deixado por House.

Fiquei com a sensação que tudo acabou cedo demais. Fiquei curioso para saber como a trama iria se desenrolar, como House iria se comportar uma vez que toda a sua essência, toda a sua personalidade e a sua história encontram-se perdida. House não se limitou em um final fechado, deixou algumas pontas soltas, algumas questões que nunca serão respondidas. Mas, principalmente, deixou uma marca em nossa memória, deixou uma marca na história da televisão americana.

Esta oitava temporada não fora a melhor. Fora a temporada mais fraca da série e fora a que mais demonstrou os sinais de desgaste que esta estava por ter. A qualidade exemplar encontrada na reta final desta ainda não é capaz de superar os demasiados episódios medianos e fracos que esta temporada nos apresentou, mas também não podemos julgar esta Series Finale pelo que viera antes da mesma. Mesmo sem ter uma temporada exemplar, House finalizou de uma forma única. Claro, seria melhor se tudo tivesse sido trabalhado de uma forma diferente, uma forma prolongada ao decorrer dos episódios desta temporada, mas estou satisfeito com a forma com que tudo fora finalizado. O fim justificou os meios.

Enfim, foram quase 180 episódios. Alguns nunca serão esquecidos, outros são lembrados por vezes e alguns já nem são lembrados, porém o que a série significou para a sua geração e significará para as gerações que ainda estão por vir não há palavras que possam expressar. Tudo que consigo dizer é ‘Obrigado House’, por tudo o que tú significaste, por tudo que tú apresentaste e pelas memórias que guardarei por toda uma vida. Sem dúvida, uma das melhores séries médicas e um dos melhores dramas já criados.

E por último, mas não menos importante, queria agradecer a todos aqueles que me dão um incrível suporte e acompanham meus reviews da série, sendo desta oitava temporada ou da temporada anterior. Meu primeiro review fora sobre a premiere da sétima temporada e era algo catastrófico de se ler e agradeço o privilégio que é ter que escrever sobre o fim da série, algo que também é a primeira vez que faço. Enfim, espero que o texto esteja à altura do que a série significa. E, novamente, obrigado a todos pela companhia.

E, novamente, obrigado House.

Artigo preparado por: Well Fernandes

7 thoughts on “House (8×22) – Everybody Dies (Series Finale)

    • Quando se clica no review de um episódio certamente irás encontrar spoilers. È Impossivel escrever um review sem falar do que se passou no episodio. Podemos tentar colocar isso, mas fica já o alerta todos os outros artigos não tem, mas se não tiver visto o episódio é melhor não clicar pois tem certamente spoiler.😀

  1. Gostei muito que o último episódio tenha se focado em House, deixando de lado as histórias dos outros personagens, afinal a alma da série (e o nome dela, inclusive) é House. Concordo com a nota também, não daria 10 só pela frase “dizer que é falaciosa é falaciosa” dita pela alucinação da ex-mulher de House e, provavelmente, a única frase que não faz nenhum sentido dita em 8 anos da série. E ótima review, espero escrever assim um dia =)

    • Concordo, sabia que o episódio seria centradoem House, mas cada detalhe deste me surpreendeu, e ter o centro todo em House nunca fora ruim para um episódio da série.

      Dos retornos Stacy for ao que menos me agradou, principalmente seus dialogos que não alcançaram os sentimentos que devertiam ter alcançados, como tú mesmo disseste, algumas falas faziam pouco sentido.

      Agradeço ao elogio, escrever sobre um episódio tão importante é um enorme desafio e fico contente por ter conseguido agradar alguém…

      Atts

  2. Oi Well. Muito boa a review mesmo.
    Eu vi algo da grande inspiração de House: Sherlock Homes.
    Como nunca ouve um grande antagonista, a série escolheu um confronto do House com o próprio House. No fim, quando o personagem escolhe fingir a própria morte para ter os momentos finais do amigo me trazem a sensação da Queda em Reichenbach. Sherlock e House fingem a própria morte para não perderem seus grandes amigos.
    Cara… assistiu o especial Swan Song? Estou assistindo fascinado! É um verdadeiro final para House!
    Eu não sou muito de comentar, mas sempre leio as reviews de House.
    Então… obrigado por me acompanhar na Saga House.

    • Muito obrigado Murillo, significa muito um elogio vindo do mestre por trás dos excelentes reviews de Community…

      Sim, a grande inspiração para a personalidade de House é Sherlock Holmes e mabos são personagens fascinantes. Acredito que cheguei a comentar no review sobre a similaridade perante House forjar a sua morte, a semelhança do que Sherlock fez. Ainda tenho muito o que me aventurar pelo universo de Sherlock, mas acredito que ambos tinham a mesma intenção quando cometeram tal ato.

      Bom, baixei Swan Song mas ainda não o vi, é tão bom assim?

      Eu é que tenho de agradecer a sua companhia… House marcou toda uma geração e me sinto lisongeado por ter tido a oportunidade de expressar aqui minhas opiniões sobre a série.

      Atts

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