Game Of Thrones (2×01-2×04) – Resumo


Depois de uma primeira temporada muito boa em que nasceu um novo fenómeno televisivo, muita gente passou a olhar de maneira diferente para séries e, sobretudo, para a fantasia. A segunda temporada, e já se vai quase a meio com os 4 primeiros episódios exibidos, é uma série diferente da primeira temporada, os criadores da série tomaram maior liberdade em relação ao formato original da história, ainda que não alterando de maneira drástica os arcos da história, existem mais pontos diferentes que na primeira temporada. Algumas coisas foram bem conseguidas, outras ainda se está para ver o resultado. O que é certo é que isto só influencia aqueles que leram os livros, entre esses há certamente aqueles que não aceitam muito bem as mudanças e depois há aqueles, como eu, que entende que no formato de 10 episódios teria de haver coisas excluídas, as pequenas diferenças não alterando o conteúdo da história contada nos livros ajudam os produtores a focar-se no núcleo duro de personagens.

O certo é que com 4 episódios exibidos não é possível dizer que esta segunda temporada manteve o nível do final da primeira. Continua a ser um produto de qualidade excepcional, e para mim a melhor série da televisão actual. Mas é um facto que neste inicio e nomeadamente nos 3 primeiros episódios tivemos uma nova introdução a personagens, uma expansão da mitologia. Isso era algo que eu já esperava, mas que retira um bocado da capacidade de nos impressionar que o final da última temporada conseguiu ter. Como alguém que leu os livros tenho curiosidade para o que aí vem, sei que a história melhora grandemente e estou curioso para ver como eles tratam as alterações que introduziram esta temporada. Relativamente a quem não tem conhecimento dos livros e das opiniões que recolho continuam a gostar bastante dos desenvolvimentos, tal como no ínicio da primeira temporada, sentiram-se um bocado perdidos no meio da mitologia, mas com o desenrolar dos episódios as coisas começam a fazer sentido mesmo para quem só vê a série, e esse é um dos grandes elogios que se pode fazer aos criadores da série, demonstram o seu amor pela história e são capazes de dar aos espectadores novos à mitologia e aos acérrimos fãs doses elevadas de diversão e expectativa.

Relativamente aos episódios que já foram ao ar temos a continuação das várias histórias que a primeira tempora introduziu e o aparecimento de novos arcos. Aqui vou dar o meu olhar sobre o que se passou até agora nos Sete Reinos e do outro lado do mar. Começando com Daenerys esta temporada, apesar de Daenerys possuir 3 dragões, não anda fácil para ela e para os poucos Dothrakis que não a abandoram após a morte do Khal Drogo. Abandonados no meio do deserto a pequena hoste de Dany não parecia encontrar grande saída. 3 dos dothraki de Dany foram enviados para direcções opostas do deserto à procura de saída, um deles regressa só a cabeça, mostrando um caminho que não deviam seguir. Algo a referir é a morte de Silver, a égua de Dany, que morre desidratada. Esta morte não ocorre no livro. Não sei o porquê desta decisão, nem sei se poderá afectar alguma coisa no futuro. O único maior desenvolvimento deste arco da história é a chegada de Dany e do seu Khalasar a Qarth, também aqui se encontra diferenças em relação aos livros, talvez quisessem mostrar melhor o desespero da situação de Dany e a maneira como apesar de tudo ela demonstra uma enorme força interior, mostrando-se uma verdadeira Targaryen. Tivemos poucos planos dos Dragões até agora, que é sobretudo uma maneira de poupar orçamento. Pensei que esta parte da história me ia cansar mais o que não é o caso, acho o tempo de antena de Daenerys bem empregue e dá sempre vontade de voltar a esta história, sendo que o crescimento de Dany, as suas dificuldades e mesmo as personagens que a rodeiam vão crescendo em nós de maneira natural e é possível ver a evolução das relações entre Dany e os seus súbditos.

Para lá da muralha temos os Night’s Watch em território selvagem sendo que o primeiro sinal de civilização é na fortaleza de Craster, onde este vive com as suas “Mulheres”. Jon Snow nesta temporada parece mais irrequieto e mais incapaz de entender o seu papel na muralha, a decisão do comandante de o tornar intendente pessoal ainda afecta o Jon. Para mim esta história para lá da muralha é fascinante. Temos noção pela primeira vez que as regras do sul não se aplicam para lá da Muralha, Craster é uma personagem detestável e é impossível de gostar do estilo de vida dele. E a nossa simpatia por Jon cresce ainda mais ao percebermos o desconforto que ele sente pela sua situação de intendente e que pelo que  Craster e os seus costumes o revoltam. Quem tem destaque para além de Jon é Sam, que na fortaleza de Craster se deixa enfeitiçar por uma das suas mulheres/filhas. Olhar para as “Mulheres” de Craster não é permitido e Sam desrespeitou e de que maneira essa regra. O bom coração de Sam e talvez uma pequena paixão fazem-no querer resgatar uma das mulheres de Craster que se encontra grávida. No entanto um passeio nocturno de Jon mostra Craster a entregar um bebe do sexo masculino, assim se percebe porque ele vive só com mulheres e como se mantém seguro para lá da muralha quando á volta é só pequenas civilizações abandonadas. Craster acaba por expulsar a patrulha da noite dos seus domínios, mas a estadia dos irmãos de negro para lá da muralha promete continuar a surpreender.

Em Winterfell é Bran o senhor, temos uma Winterfell muita despida de personagens e funciona basicamente para dar continuidade a história de Bran e é assim que somos introduzidos aos sonhos de lobo de Bran, o que isto vai dar ainda não é totalmente claro mas parece evidente que a ligação de Bran com o seu lobo ultrapassa a barreira do normal e caminha de mãos dadas com o sobrenatural. Como será com os irmãos? Todos eles têm uma ligação forte com os lobos, mas só Bran parece ter os sonhos. Nos livros é muita mais fácil aceitar estas cenas, em que Bran sonha que é um lobo, livros são um meio mais fácil para se contar esta parte, nos livros temos os pensamentos do Bran, temos acesso ao que ele sente nos sonhos, ao que ele vê, cheira e ouve. Na série pode não parecer tão natural estes sonhos mas para isso temos as conversas de Bran quer com o Meistre quer com a Selvagem que nos dá uma ideia do que são os sonhos dele.

Aquilo que no primeiro e segundo episódio pareciam dois arcos neste momento já se uniram, ou tudo indica que sim, refiro-me aos irmãos Baratheon, Renly e Stannis. Relativamente a Renly não tenho muito a dizer, não acho uma personagem fascinante,  as cenas homossexuais entre ele e o cavaleiro das flores são desnecessárias, não servem para introduzir elementos nenhuns à história e no livro tudo ficava apenas subentendido. No entanto gostei bastante de uma cena de Margaery Tyrell, irmã do cavaleiro das flores e Esposa de Renly, que esta tem com Renly em que lhe mostra como um Rei se deve comportar. Este casamento que fez com que uma das mais poderosas casas dos Sete Reinos, os Tyrell, se unissem à causa de Renly deu-nos a novamente a ideia de como funcionam as coisas quando se joga o jogo dos Tronos e Margaery Tyrell não é simplesmente a mulher inocente que deu o exército a Renly. Ela parece capaz de influenciar as decisões de Renly, não pela paixão que os une, que é nenhuma, mas pelo seu poder de persuasão e pelo conhecimento de tudo o que se passa a sua volta. Gostei muito desta personagem na série e da maneira como mostraram em poucas cenas que ela não é um simples peão e que os Tyrell anseiam pelo poder.

Já Stannis, o outro Baratheon, entra na série completamente de novo, na primeira temporada era só referido e traz consigo Davos Seaworth, a sua mão direita, um ex-pirata e Herói que aparece como completamente devoto a Stannis. E Melissandre, a senhora da luz. A introdução destes três foi completamente natural em relação ao que foi a série até aqui. Stannis adoptou o novo Deus da Luz de Melissandre, o porquê não fica muito claro, mas a sua confiança em Melissandre e no poder que esta tem é genuíno. Ele acredita que a ajuda de Melissandre será decisiva na sua conquista do Trono de Ferro. Davos não partilha essa confiança e não o esconde, o que torna este trio bastante interessante. Melissandre pode-se dizer que introduziu a magia nos Sete Reinos, o sobrenatural ficou marcadamente vincado no final do 4º episódio e Stannis e Renly parecem destinados ser inimigos, por um lado Stannis não tem dúvidas que é o legítimo Rei, do seu lado tem Melissandre e o seu Senhor da Luz, do outro está Renly que tem um grande exército.

Relativamente a Porto Real, a Capital, temos Tyrion mais uma vez a dominar os acontecimentos, com a confiança do pai que lhe cedeu temporariamente o titulo de mão do Rei vê-se um Tyrion a tentar evitar os erros que Ned Stark cometeu enquanto mão do Rei. Os seus esquemas, maquinações e os seus diálogos continuam a ser, tal como na primeira temporada, um dos pontos fortes da série. Para mim Tyrion é uma das mais deliciosas personagens que encontrei quer em livros quer em séries e filmes e não desilude nesta segunda temporada. Por Porto Real para além de Tyrion temos Sansa, Joffrey e Cersei que não alteraram muito daquilo que foram durante a primeira temporada. Parece-me que Joffrey tornou-se mais detestável ainda, Sansa mais fria, sempre com o seu discurso ensaiado e Cersei mais insegura.

Relativamente aos Stark Robb e a mãe Catelyn focam-se na Guerra para manter a esperança no resgate das duas filhas das Mãos dos Lannister. Robb continua sem muito destaque, é uma personagem que reúne bastante simpatia mas que ainda não tem grande tempo de antena. Durante estes episódios foi Arya o Stark com mais destaque, o seu caminho não se adivinha fácil, estes episódios mostram já muito daquilo que é Arya, apesar das dificuldades, demonstra grande força e é sem dúvida uma das personagens mais acarinhadas por quem vê a série. Destaco no seu arco a sua nova oração, em que durante a noite vai dizendo a noite de todos aqueles que se quer vingar. A sua chegada a Harrenhal é espectacular porque não só é dramático na situação em que coloca Arya como também mostra bem as diferenças existentes dentro das diferentes regiões de Westeros. E falando em regiões que acharam das Ilhas de Ferro?  Theon Greyjoy atingiu outro destaque esta temporada e a sua visita ao pai fez-nos olhar com maior simpatia para esta personagens, ele procura o seu lugar no mundo, Winterfell tornou-o um homem diferente, um homem com valores que não são exactamente aquilo Que Balon Greyjoy desejava para o seu filho e foi extremamente interessante de se ver a sua tentativa de ser aceite pelo pai, o seu batismo, Theon foi das personagens que mais cresceu esta temporada e é agora também um prazer acompanhar o que ele tem para nos mostrar.

Game Of Thrones durante estes episódios teve já bons momentos. Para os adeptos dos livros a chegada das novas personagens foi certamente um dos motivos de maior interesse. Stannis, Melissandre, Brienne, Margaery, Davos, são alguns dos nomes que trouxeram a história novos interesses. Vários destes já tiveram momentos bastante do meu agrado, não só pelo impacto de uma ou outra cena, mas pela profundidade que em apenas 4 episódios conseguiram passar, seja a desconfiança de Davos ou a ambição de Margaery, estas novas personagens já conseguiram marcar a sua posição e o seu tempo de antena acaba por parecer perfeitamente natural. As antigas personagens por quem quase toda a gente ficou apaixonada durante a primeira temporada voltaram com qualidade. Destaco Arya e Tyrion cujas histórias estão para mim ainda mais interessantes.

Mas nem tudo é perfeito, houve talvez um excesso de cenas desnecessárias. Nudez e sexo gratuito que serviu para, perdoem-me a expressão, “encher chouriços”. Algumas personagens que não trouxeram melhorias, Cersei e Littlefinger, por exemplo, tiveram bons momentos mas no geral não trouxeram nada de novo.

Game Of Thrones continua a ser a série do momento e o seu sucesso é mais do que merecido. Continua uma série arrojada, diferente e com uma capacidade de surpreender enorme. Game Of Thrones continua nesta segunda temporada o seu caminho para mostrar que a fantasia consegue ser adulta, visceral e que consegue ter um leque de personagens tão vasto e ao mesmo tempo denso e psicologicamente complexos.

Nota é relativa à média dos quatro episódios.

Artigo escrito por: Tiago Duarte

One thought on “Game Of Thrones (2×01-2×04) – Resumo

  1. Estou por me viciar cada vez mais em Game of Thrones… A série traz todos os elementos fantasiosos que sou admirador, traz todo um drama do qual me relaciono com facilidade… Só me falta tomar vergonha na cara e começar ler os livros, dos quais dois já estão no meus pertences.

    Enfim, estoua chando esta temporada melhor do que a primeira, a inserção de personagens está sendo feita de uma maneira não tão confusa e não estou me perdendo nas diversas histórias que a trama conta simultaneamente.

    Bom, espero que a os próximos episódios continuem por passar-me a sensação de estar por assistir uma obra prima, pois é isso que Game of Thrones é para a televisão, uma bela de uma obra prima.

    Atts

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