Community (3×15/16) – Origins of Vampire Mythology/ Virtual Systems Analysis


3.15 – Origins of Vampire Mythology

Tem dois grandes defeitos: Seu nome e proceder o genial Pillows and Blankets

Não foi um episódio ruim, longe disso (não me lembro de um episódio realmente ruim de Community) mas assistir Origins of Vampire Mythology foi, no mínimo, anticlimático. Com esse nome presumi um episódio referencia (os meus favoritos da série), mas esse não foi um episódio referencia, foi apenas um episódio comum de Community.

Há dois plots que se desenvolvem do mesmo principio e se reúnem no fim, esse vértice é o fato de Britta ter um ex-namorado que trabalha em uma feira e se chama Blade (motivo do nome do episódio), por quem ela é viciada. Britta pede ajuda para Annie para resistir a tentação de ligar para o ex, formando o plot principal. Todo esse plot se desenvolve no apartamento de Annie, o que insere Troy e Abed. A situação foi boa, com Annie usando o seu conhecimento prévio para lidar com a Britta viciada. Bom também é perceber que os personagens se conhecem ao ponto de Troy conseguir desencanar Britta com apenas uma mensagem.

No outro plot, Jeff tem curiosidade em descobrir como o é o famoso Blade e a razão pela qual Britta é tão apaixonada. A evolução de toda a trama foi até interessante, com alguma evidencia da amizade entre Jeff e Shirley (que é esquecida pela série em alguns momentos), porém, todo o negócio do Blade ter um retardo foi um pouco pesado para um episódio de  comédia, ainda bem que esse detalhe dá lugar ao discurso final de Jeff, que foi um dos mais fofos até aqui. O sorriso final de Britta demonstra que um interesse romântico entre ela e Troy pode estar surgindo, espero que esse seja um gancho bem utilizado nos próximos episódios.

Nada poderia resumir melhor “Origins of Vampire Mythology” do que “Ok”. O problema é a comparação.

3. 16 – Virtual Systems Analysis

Um episódio simplesmente fantástico!

Algo que me incomodou (inconscientemente) que foi toda a transformação de Troy por conta da amizade com Abed. Troy era o garoto popular do ensino médio, que tinha atenção dos outros. Mesmo que sempre tenha existido um nerd interior em nele, alguns resquícios da vida prévia ainda deveriam se mostrar no personagem. Pilows and Blankets nos relembra tudo isso, Virtual Systems Analysis vem para reafirmar e colocar nova questão, sobre a qual não havia pensado: Como ter amigos mudou Abed.

Depois de episódios como “Abed´s Uncontrollable Christmas”seria impossível negar a importância do grupo para Abed. Mas a amizade, como qualquer coisa, não feita apenas de sentimentos confortáveis. Se antes de conhecer todo o grupo, Abed apreciaria ficar sozinho nas suas referencias, agora o medo de perder seus companheiros não só se justifica, como é forte. Esse é um sentimento de fácil identificação para qualquer um.

O  plot começa com Annie armando para que Troy e Britta tenham um encontro, para o desgosto de Abed. Algo simples de qualquer grupo de amigos é sua fragilidade. Nunca se sabe aquilo que pode separa algumas pessoas que estão juntas, pode ser uma Yoko Ono qualquer, uma frase dita em um momento errado ou uma omissão (não esquecendo que pecamos por elas também). A insegurança de perder uma condição dentro de um grupo nos reacende uma questão ancestral: Em que contribuo para essas pessoas? E é o que aconteceu com Abed.

O resultado é um episódio fantástico, cheio de referencias e ótimos momentos. Para contar essa história, os roteiristas optaram pelo universo fantástico produzido pelo sonhatório de Abed. Não poderia ter havido ambiente melhor, pois ele permite muitas possibilidades imagéticas e fantásticas, que vão do óbvio ao sutil. Não foi por acaso que a cena pós-credito é uma grande referencia a Doctor Who, pois poucos audiovisuais conseguem falar de ansiedades e medos usando de diegeses fantásticas como as aventuras do doctor. E foi o equilíbrio perfeito entre fantasia, inteligência e psicologia, dignos de Moffat que Community, alcançou nesse episódio.

O Sonhatório é o lugar perfeito para a jornada de auto-descobrimento de Abed, mas para tal, é necessário alguém que o guie pelos lugares que ele não iria, nesse ponto Annie é perfeita, pois sua empatia natural impede que Abed se feche na simulação de Inspector Spacetime. Annie retirar Abed de sua zona de conforto é exteriorizado no ato de mudar o motor do Sonhatório.

A partir daí Annie vai em busca de Abed dentro da simulação, aonde o casal Britta e Troy se forma e todos parecem não mais precisar de Abed.  O genial foi que a partir de certo ponto, a jornada de Annie faz com que ela se confrontasse, provando que a tentativa de reunir Troy e Britta não é altruísta como ela supunha, mas uma exteriorização do seu desejo de não ficar sozinha. No fim, Annie e Abed dividem o mesmo medo.

Tudo isso leva a incrível cena do armário, aonde não há outros personagens e nem cenários, só Abed e Annie conversando.Nesse momento os personagens se despem de todos os empecilhos, todas as metáforas visuais, para finalmente colocarem seus problemas em termos simples e delicados. Nietzsche dizia que precisamos da arte para enfrentar as dores da vida, acho que porque ela tem uma simetria da qual a vida carece. Essa citação cabe perfeitamente aqui, já que Annie e Abed percebem que os cenários são incrivelmente detalhados, mas falhos, pois a vida é assimétrica, fazendo com que a criação desses cenários e a tentativa de controle sejam só cansativas.

Annie e Abed adentram na aventura do Inspector Spacetime porque há uma sintonia entre ambos. Eles percebem que estão em sintonia e o sonhatório torna uma afirmação desse estado, como já havia sido a afirmação do estado de tristeza de Abed no começo.  Foi aqui tive minha conclusão sobre a arte, o sonhatório e a própria Community: eles não servem para trazer respostas ou epifânias (mesmo que façam isso às vezes), mas para tornar tudo mais interessante.

Obrigado Community.

P.S: Alison Brie e Danni Pudi para Emmy!

P.S 2: Desculpem o atraso.

Artigo preparado por: Murillo Martins

4 thoughts on “Community (3×15/16) – Origins of Vampire Mythology/ Virtual Systems Analysis

  1. Bom, o priemiro episódio fora um toal decepção…. como disseste na review, o nome trouxe certas expectativas e estas passaram longe de serem atentidas.

    já o sundo episódio fora completamente perfeito. Em todos os sentidos. É Community dando show de qualidade e provando que é a melhor comédia da atualidade.

    Atts

  2. Verdade…. eu realmente não esperava algo assim. Normalmente eu guardo expectativas para os episódios referencias e esqueço como Community surpreende. A ultima vez que eu não estava dando nada para um episódio passou Remedial Caos Theory.

  3. Episódio 3×15 foi uma grande decepção, eu criei tantas expectativas pelo nome. Mas o 3×16 foi fantástico. E o 3×17 então, foi épico.😀

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