O legado de House e o arquétipo de Sherlock


Após um texto sobre os adolecentes das séries, a Casa de Séries traz um texto sobre a relação entre duas ótimas séries: a americana House e a britânica Sherlock.

“Houve um pouco de tristeza, mas não muita surpresa, quando a Fox anunciou a decisão de cancelar House após sua oitava temporada. A maioria concordaria que a série já esgotou os limites de seu formato, após 8 temporadas de diagnósticos, dúvidas, insights e decisões de último minuto.

O coração da série sempre foram os estranhos e incríveis casos, e os mistérios médicos que o Doutor Gregory House investigou desde o início do programa, em novembro de 2004, sempre foram um pouco fora do comum. A série, então, deixa um legado obscuro. A tentativa de David Shore de revigorar o drama médico e de evitar os estereótipos do gênero foi um necessário golpe no estático mundo dos procedurals médicos pós-ER. Mas como a maioria das séries bem sucedidas, House não é completamente original.

Gregory House é um tipo particular de anti-heroi: atrativo, obstinado, obsessivo e extremamente bom em conseguir resultados. Soa familiar? Aqueles que seguem as aventuras de um certo detetive devem estar dizendo sim. E há uma razão muito específica para isso. O Sherlock Holmes de Steven Moffat e Mark Gatiss é, claro, uma adaptação dos livros de Arthur Conan Doyle, mas suas características foram adaptadas para o século XXI, como ao suprimir (por enquanto, pelo menos) a relação com drogas que o personagem de Doyle tinha nos livros, algo que não seria muito bem aceito atualmente. E, claro, o moderno Sherlock não poderia existir em um vácuo. Algumas vezes, a própria série reconhece isso, como quando Watson chama Sherlock de Spock, em uma referência à natureza análitica de ambos.

A inspiração de Doyle para Sherlock Holmes foi o Dr. Joseph Bell, um pioneiro no campo da ciência forense, que estava na sua infância no final do século XIX, e que ajudou em vários casos de assassinato na Escócia. Sua técnica consistia em reparar em pequenos detalhes da aparência, vestimenta e ações de uma pessoa para presumir seu caráter e hábitos. E aí estava o início de Sherlock Holmes. David Shore e sua equipe não estavam apenas prestando homenagem à criação de Doyle quando lançaram House, mas sim voltando às origens reais do personagem. Vimos um reconhecimento disso na quinta temporada, quando House é visto consultando um dos livros escritos por Bell, que foi um presente de Wilson com a dedicatória “Greg, me lembrou de você”. Além disso, a paciente da qual Wilson conseguiu o livro se chamava Irene Adler.

Pense um pouco. Em vez de Holmes, temos House. Em vez de Watson, temos Wilson. House tem até mesmo seu equivalente dos Baker Street Irregulars (o grupos de crianças que Holmes para recados e para descobrir pequenas informações úteis) com seus subordinados. Ele também é viciado em uma droga, tomando Vicodin como água para aliviar a dor de sua perna da mesma maneira que Holser injetava uma solução de cocaína para “afiar seu pensamento”. Alguns inimigos ao estilo de Moriarty testaram a paciência de House durante os anos (como Vogler, um executivo que tinha controle financeiro do hospital), mas nenhum chegou ao final. E adivinhe o nome do homem que atirou em House no final da segunda temporada?

No momento em que Steven Moffat questiona a necessidade de uma versão americana de Sherlock Holmes, é importante lembrar a natureza ciclica das tendências das cultura pop. O Sherlock de Moffat e Gatiss existe em um mundo pós-House. O personagem escrito por Doyle raramente é tão falso e frio como o Sherlock da televisão pode ser nos seus piores momentos, então por que aceitamos essas características como canônicas? É difícil de se lembrar atualmente, quando a versão de Benedict Cumberbatch do personagem é tão aceita e admirada, mas quando a série foi anunciada, havia muito ceticismo sobre a possibilidade de algo novo ser realizado. Será que House não nos condicionou a aceitar a nova versão de Sherlock como algo mais do que um simples artifício ou até mesmo a influenciou?

Certamente parece apropriado que House está terminando exatamente no momento em que uma nova interpretação do personagem criado por Doyle está tomando forma. O trabalho de House na cultura pop está terminado.”

Artigo com tradução livre. Original pode ser encontrado no site “Den of Geek”.

2 thoughts on “O legado de House e o arquétipo de Sherlock

  1. Primeiramente, outro interessante artigo a ser traduzido e debatido aqui na Casa de Séries…

    E não há como não concordar, as referências são claras e nunca fora intencionado escondê-las.

    Enfim, House possui diversas influências ao longo de sua jornada, teve grande influência nas obras de Woody Allen para as telonas, e isto que o faz uma grande série, são estes pequenos detalhes que o torna unica.

    House fará falta,mas definitivamente estána hora da série dizer adeus!

    Atts

  2. Mais um artigo interessante sobre este personagem que gosto tanto, e realmente o paralelismo com Sherlock é impressionante.
    E é verdade Well, como disse na minha descrição no perfil, o meu vício por séries começou com House, e por isso vai ser triste quando vir o ultimo episódio, mas tudo tem de acabar, e está na altura!
    Obrigada por mais um artigo!
    Beijinhos

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