Qual o problema com os adolescentes nas séries?


Pessoal, apresento aqui o primeiro artigo traduzido pelo Casa de Séries. O tema deste é os personagens adolescentes em séries como Smash, Awake, Homeland, Friday Night Lights, Game of Thrones, The Killing, Falling Skies, 24 e outras.

“Estava assistindo Smash ontem e uma uma dúvida surgiu: por que estava passando tanto tempo com Leo, que faz parte de uma praga de Adolescentes Irritantes que vem atingindo a televisão nos últimos anos? Outro dia, discuti o assunto com Shawn Ryan, criador de The Shield, no twitter e perguntei se as redes de telivisão poderia ser responsabilizadas por todos esses adolescentes desagradáveis (não apenas Leo, mas Tyler de “V”, Jack Linden de “The Killing” e Josh de “Terra Nova”, para nomear apenas alguns exemplos recentes) e ele respondeu: “Acho que vários roteiristas e redes de TV pensam erroneamente que a simples presença de um adolescente no programa (mesmo que irritante) atrairá a audiência adolescente”.

Mas esse não é um fenômeno novo, nem um confinado a programas adultos. Lembro que, quando eu era criança, muitos dos desenhos que assistia tinha crianças como personagens (frequentemente, como no caso de “Superfriends”, adicionados ao desenho apesar de não existirem no material fonte) que eram elevados a uma posição de destaque que nunca fez sentido para mim na epóca. Assim, tenho que concordar com a teoria de Shawn, e dizer que eles estavam lá porque um executivo ou produtor presumiu que as crianças não assistiriam um programa sobre um grupo de adultos vivendo aventuras se não houvesse alguém próximo da sua idade com quem pudessem se identificar. E isso sempre me pareceu como uma incapacidade fundamental de entender a audiência. Embora algumas crianças não fossem terríveis, eu queria assistir o Superman, o Batman ou os caras de “M.A.S.K.” fazer algo legal, e não Wendy e Marvin, os “Wonder Twins” ou Scott Trakker e seu robô de estimação T-Bob. Ou, para usar um exemplo live-action, pense em Wesley Crusher, que estava lá para atrair uma audiência mais jovem e por quem Will Wheaton se desculpa até hoje, 25 anos depois.

Por razões semelhantes, eu não acredito que alguém não vai assistir uma série sobre a produção de um musical da Broadway, ou sobre a investigação de um assassinato em Seattle, ou sobre a formação de uma rebelião contra uma invasão alienígena porque não há um personagem de mesma idade no programa. Você vai ou não assitir porque você está interessado ou não no tema da série. E ainda assim, vemos esses personagens jovens serem enfiados em séries de gênero, e a grande maioria deles são impossíveis de aguentar. É como se os envolvidos com a série pensassem que eles apenas tinham que escalar alguém que parecesse jovem e voltar a se focar nos assuntos mais importantes.

Isso não significa que não há ótimos personagens adolescentes de ambos os gêneros na televisão. Apenas veja Parenthood ou Friday Night Lights para entender como pode resultar em algo muito bom. Mas normalmente, esses personagens funcionam porque o programa é construído para ser tanto sobre seus problemas quando sobre os dos adultos, ao invés de enfiá-los no último minuto apenas para atingir um certo tipo demográfico. Rex, de Awake, por exemplo, é um personagem muito interessante, e isso é mérito tanto da atuação de Dylan Minnette quanto do roteiro, mas além disso, Awake é uma série que não poderia existir sem Rex: ele é tão necessário para o que acontece na série quanto Hannah, os parceiros de Britten, os casos, os psicólogos, etc.

Aliás, é engraçado que tanto Awake quanto Homeland (que fez um execelente trabalho ao integrar a filha de Brody à história principal e torná-la central para a resolução da trama) são produzidos por Howard Gordon, que foi um dos principais roteiristas de 24 Horas, uma série que tinha o equivalente feminino do adolescente irritante na perpetuamente em perigo Kim Baur. Pelo menos em 24, os roteiristas reconheceram após algumas temporadas que a situação estava ficando ridícula até mesmo para os padrões deles e a tiraram da série.

Os personagens infantis de Game of Thrones são todos muito fortes (e quando você despreza um deles, como Joffrey, é porque você deveria e não porque os roteiristas e atores estão fazendo um trabalho ruim), mas esse é uma série em que estes personagens já existiam no material na qual ela é baseada, e eu acredito que é seguro dizer que George R. R. Martin não estava tentando cobrir o máximo de bases demográficas possíveis quando ele concebeu esses personagens em Westeros.

E há até mesmo excessões para a ideia de um personagem adolescente em uma série na qual ele não é realmente necessário, como o filho mais velho de Noah Wyle em Falling Skies, Hal. Independente dos problemas que essa série teve, Hal nunca foi tratado como um recurso idiota do roteiro como Tyler ou Josh, ou como um pirralho reclamão como Leo. Ele não fazia tudo certo, mas também não se metia em problemas apenas para gerar histórias. Hal não era a melhor parte da série, mas também não era o maior problema, como a maioria destes outros adolescentes são.

Eu gostaria de acreditar que o fracasso de Terra Nova (que supostamente deveria se focar na família) e o ódio e constante zombaria da audiência com Leo de Smash convença produtores e executivos que séries futuras precisam realizar um trabalho muito melhor com seus personagens adolescentes ou que estariam muito melhor sem eles, mas eu dúvido que isso aconteça. Já viu muitos Zan e Jaynas, Wesleys e Kim Bauers para acreditar que nós veremos livres dessa praga no futuro imediato. Só o que podemos esperar é que os roteiros e atuações nesse sentido melhores com o tempo, mas se isso não acontecer, teremos muitos outros momentos como Leo reclamando como uma criança: “Minha irmã está esperando por nós na China! O que vai acontecer com ela se não formos pegá-la?!”

Artigo com tradução livre. Original pode ser encontrado no site “Hitfi”.

5 thoughts on “Qual o problema com os adolescentes nas séries?

  1. Não há como não concordar com oq ue fora dito neste artigo… Tudo soa simplesmente tão sincero que dá até medo… E realmente existe adolescente mais do irritantes em diversas séries por aí.

    Fora uma grande idéia pegar esses artigos, desconhecidos por boa parte do pessoal, e traduzi-lo para compreensão geral… Realmente uma boa idéia Vinicius…

    Atts

  2. Muito interessante o artigo… Há algumas séries que não vi, mas realmente por exemplo o Tyler de “V” era bastante irritante, e este momento apontado no artigo de Leo, não foi dos melhores. Mas felizmente séries como Game of Thrones têm adolescentes que dão alma á série. Adoro a minha Arya!

    • Que bom que gostou, Denise. Pois é, vendo os adolescentes de Game of Thrones e Awake, por exemplo, não sei como os roteiristas de algumas séries não sentem vergonha do que escrevem para seus personagens adolescentes hehehe

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