Awake (1×06) – That’s Not My Penguin


Que episódio incrível. Eu não havia visto nenhum promo nem lido nada sobre o episódio dessa semana, então me surpreendi muito com o que vi, não apenas com as surpresas em si, mas também com a ótima qualidade do roteiro e com os paralelos feitos entre a condição de Britten e a esquizofrenia, como na excelente cena inicial. Cheguei até a mesmo sentir um frio na espinha em três cenas, dignos dos melhores filmes de terror ou de filmes surpreendentes como Clube da Luta e Seven.

A primeira vez que me arrepiei foi quando o pinguim aparece pela primeira vez. Gostei muito que a série não abordou a alucinação com um tom cômico ou um tom apenas “estranho”, mas verdadeiramente assustador no início, pois tenho certeza que seria assim que eu me sentiria se visse um pinguim parado na minha sala sabendo que isso é impossível. Essa primeira alucinação serviu para ajudar Britten a se aproximar ainda mais de Rex, assim como a pista sobre o anel, e conhecer sua namorada, que pode dormir na casa do namorado mas não pode comer cereal. Percebi que o pinguim serviria apenas para isso quando ele denunciou a mentira de Rex. Aliás, se formos interpretar o pinguim como sendo apenas uma parte, talvez, do inconsciente de Britten, ele mesmo, como ótimo detetive que é, percebeu a mentira de Rex e também percebeu que necessitava de algo para se aproximar mais de seu filho, então alucinar um pinguim sendo que um dos livros que mais marcou a relação entre pai e filho tinha um pinguim como personagem principal foi mais do que apropriada (dentro das circunstâncias, claro).

A segunda vez foi quando Britten disse “I love you, Trip”. A sacada incrível de Britten só reforça o ótimo detetive que é, pois dessa vez ele conseguiu dar uma resolução ao caso sem precisar de uma pista da outra realidade para isso. Todo o caso do esquizofrênico, aliás, foi muito bem construído e serviu, do início ao fim, como comparação com a situação de Britten. A confusão de Britten entre as realidades e com as contas começou a nos apresentar as dificuldades de viver em duas realidade diferentes com poucos pontos de contato (os parceiros são diferentes, os casos são diferentes, os psicólogos são diferentes) e ainda nos apresentou uma possível explicação para a situação de Britten, a esquizofrenia. Não acredito que essa será a explicação final, no entanto, pois se fosse o caso, acho que ela não teria sido introduzida antes. Foi muito interessante, aliás, a opção de Britten de não contar a verdade para Gabe, deixando-o viver em uma fantasia, assim como Britten quer continuar a viver na dele. A discussão sobre esse ponto com a Dra. Evans, no final, foi um dos pontos altos do episódio.

O terceiro arrepio que senti foi com a revelação de que Britten também alucinou o Dr. Lee dentro do hospital, e tenho certeza que esse arrepio foi compartilhado por muitas pessoas. O mais interessante dessa situação foi perceber que toda a discussão sobre contar ou não a verdade ao paciente, deixá-lo aceitar a difícil realidade ou manter uma fantasia reconfortante, foi na verdade uma discussão que Britten teve consigo mesmo e, portanto, foi a primeira vez que ele manifestou dúvida, mesmo que por um momento, sobre a validade de manter a sua própria fantasia.

Por fim, a série respondeu uma pergunta que tive desde o início: Britten trocaria de realidade sempre que perdesse a consciência ou apenas quando ele dormisse por vontade própria? Parece que a resposta é a primeira, mas isso me deixou uma outra dúvida: se ele passou um dia inteiro na realidade verde enquanto estava desacordado na realidade vermelha por, talvez, uma hora, isso significa que ele está um dia adiantado na realidade verde? Enfim, já se tornou repetitivo elogiar o roteiro, as atuações, a arte e a série como um todo, mas depois de um episódio como esse, provavelmente o melhor produto televisivo que vi esse ano, é impossível não ressaltar a qualidade da série.

Pequenas observações:
* Como ele conseguiu dormir sabendo que voltaria para o hospital na realidade vermelha? Eu certamente teria uma forte insônia.
* A série é tão boa que até mesmo em um episódio tão tenso, conseguiu achar espaço para um alívio cômico com Freeman, o parceiro de Britten.
* Que coisa mais fofa a namorada do Rex. Aliás, quero ver mais de Hannah, a quantidade de episódio que abordam a relação de Rex e Britten é muito maior do que os que abordam a relação de Britten com Hannah.
* E a audiência continua caindo. Neste episódio ficou em um terço do piloto, que já não havia sido muito boa.

Artigo escrito por: Vinicius Vinera

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