Community (3×12/13) – Contemporary Impressionists/Digital Exploration of Interior Design


3.12 – Contemporary Impressionists

Uma característica marcante de Community é explorar poucos traços da personalidade de seus personagens, fazendo com que esses traços não sejam defeitos ou qualidades, mas características que podem caminhar entre ambos. Nesse quesito a série foi injusta com Abed, que sempre foi o adorável e desligado Geek, mas é fato que ser tão desligado da realidade também pode trazer problemas. Foi essa injustiça que Contemporary Impressionists  veio sanar

Durante as férias escolares, Abed contrata vários sósias para reencenar filmes new-classicos (O Fugitivo, Patch Adams, O Naufrago, dentre outros). O problema é que ele não tem dinheiro para manter esse vicio e não percebe o quão perigoso é dever para o líder dos sósias. Para conseguir ter a divida do amigo perdoada, Troy convence todo o grupo a ir a uma festa como sósias também. Essa festa foi o momento alto do episódio, cheio de referencias  que passão de Madonna, Jamie Lee Curtis, Lorenzo Lamas (Vi muito o seriado dele quando  criança. Quem lembrar o nome em português de “Renegade” me avise), inclusive Walter Mattaul conseguiu fazer rir sem nem aparecer! Dentro dessa festa quase me perdi diante dos sósias e confesso não ter reconhecido alguns.

Depois da festa Abed retorna ao vicio e contrata o sósia do Patch Adams, culminando numa briga entre ele e Troy. É bom ver que não há só coisas boas no jeito de ser o Abed, que haverá conseqüências pelo fato dele ser quem é, pois isso já aconteceu com todos os personagens da série. No fim desse plot o Evil Abed retorna, espero que ele seja reutilizado no futuro.

No outro plot, acontece o inimaginável: Britta acertou. Jeff começa a tomar medicamentos anti-ansiedade que acabam por diminuir seu Superego e Britta tem a conclusão de que, sem a autocrítica para regular o colega, logo ele se tornaria um monstro narcisista, o que acontece durante a festa dos sósias. O fato de a festa ser uma recriação do Oscar foi muito condizente, tanto com o plot de Abed, quanto com o de Jeff, sendo uma boa desculpa para misturar os plots. Foi muito engraçado ver cada um dos personagens caracterizados e o quão semelhante eles são aos artistas originais.

Infelizmente houve um terceiro plot, protagonizado por Chang. Não houve conexão nenhuma com os outros plots do episódio e só foi engraçado na curta participação do Reitor, mas maior parte desses plot foi um desperdício de tempo e do personagem Chang.

3.13 – Digital Exploration of Interior Design

Aparentemente esse é um episódio com plots simples e superficiais… Aparentemente.

Tento educar meu olhar para os detalhes das produções, partindo do principio de que no audiovisual bem pensado todas as imagens são tem uma razão de existir do jeito que são, afinal, é muito dinheiro gasto para fabricar, editar e exibir um audiovisual. Foi exatamente isso que me passou pela cabeça por todo esse episódio e que me permitiu aproveitar e curti muito.

O epsódio começa com a clássica conversa entre o grupo que já insere o pré-suposto de dois dos plots do episódio. No principal, Pierce descobre que para manter qualquer estabelecimento lucrativo na faculdade é necessário que ela pertença a um aluno e por isso a corporação Subway matriculou o aluno Subway, que é um representante da empresa e, por isso, está sujeito à um contrato cheio de clausulas morais que o impede de exercer opiniões.  Logo Pierce começa a citar animais e isso me pareceu muito estranho e desconexo, até que Britta cita 1984.

Revolução dos Bichos e 1984 são os dois mais famosos livros de George Orwell. Quando Pierce cita os animais, ele cita o gado e as ovelhas, que eles que são cooptados pelo sistema em Revolução dos Bichos. Logo percebi que esse seria um episódio muito Orwell, e foi sob esse prisma que assisti todo o plot de Subway.

Inicialmente o aluno Subway está feliz, convivendo com o código imposto pela corporação, como o personagem Winston de 1984. Percebi que, a partir daí, a historia de Subway emularia a de Winston. Tanto no livro quanto no episódio há um desejo de transgressão evidenciado e nutrido por uma mulher (Britta na série, Julia no livro).  Nos dois há um desejo dos outros em evidenciar a transgressão desse personagem (os vizinhos de Winstom, representado por Pierce e Shirley). Até os encontros escondidos foram emulados. O final também é se dá depois de uma noite de amor entre os personagens e tanto no livro quanto em Community, o personagem aparece resetado como um representante do status quo(Winston como um integrante da policia do pensamento e o novo Subway que pensa exatamente como o antigo no começo do episódio. Com alguns momentos engraçado, esse plot foi uma aula da obra de Orwell.

No outro plot, continua o processo de humanização do Abed, iniciada no episódio anterior. Se a relação entre ele e Troy já estava abalada por conta do evento dos sósias, aqui há o antagonismo declarado. Os amigos começaram a construir um forte de almofadas enquanto dedetizam o apartamento, até ai tudo bem, até que o reitor vem com a informação de que é possível entrar para o livro dos records com um forte de cobertores. Troy fica empolgado com a idéia, mas Abed a rechaça sem o menor traquejo. Com uma ajuda do Vice diretor (John Goodman está hilário) os dois se separam em dois fortes diferentes.

Faz sentido Troy estar tão preocupado com Guiness, pois ele é o garoto popular do ensino médio e não o garoto que sempre foi nerd e não se importa com a opinião alheia. O episódio fez questão de mostrar que Abed pode ser muito arrogante com relação ao que ele acha certo. Depois de toda a confusão iniciada é o própria Abed quem diz que essa história ainda vai render muito.

Um pouco distante foi o plot de Jeff, que descobre uma carta de ódio no seu armário e parte em busca da garota que a escreveu. Esse plot serviu para relembrar o egoísmo de Jeff, mas principalmente, para mostrar o egoísmo da própria Annie, que foi só toda engajada na busca de porque pensou que Kim fosse uma garota (uma tentativa de vingança/conscientização do que Jeff fez com a própria Annie). Esse foi o plot que menos me agradou, mesmo com a boa piada com o Garret, que bebe água perto do cartaz do Glee Club.

Um episódio que muito pouco tem de superficial.

(Desculpem a demora nas reviews, minha tese estava por me consumir muito tempo. Agora, com tudo entregue, espero manter as reviews sempre em dia)

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