One Tree Hill (9×11) – Danny Boy


And it’s breaking over me
A thousand miles onto the sea bed
I found the place to rest my head
Never let me go, never let me go
And the arms of the ocean are carrying me
And all this devotion was rushing over me
And the crushes of heaven, for a sinner like me
But the arms of the ocean delivered meTive o prazer de escutar “Never Let Me Go” ao vivo, alias não só esta canção, mas tive o prazer sobrenatural de finalmente assistir um show da querida ruivinha Florence Welch, além de que contei com a companhia de minha person e colega aqui de site, Stefs Lima. Sem dúvida Tia Flo e toda sua Machine não poderiam ter embalado melhor o inicio deste episódio, mas se formos analisá-lo do inicio ao fim, esta belíssima canção que soa quase como poesia, narra lentamente todos os laços reatados e mesmo aquele que tenha sido rompido como se nunca tivesse sido um só. Cada uma das personagens conseguiram navegar por este oceano repleto de devoção, expurgando finalmente seus pecados e arrependimentos e por maiores que estes tenham sido, realizaram que sempre haveria alguém – este alguém será sempre a pessoa que mais desejaria estar ao seu lado – a dizer: “Vamos caminhar juntos, lado a lado neste corredor que nunca nos abandonou.”

O que mais me fascinou neste episódio foi o contraste entre as figuras paternas, estas personificadas nas figuras de Ted Davis, Clay Evans e Dan Scott, cada qual interpretando um nível diferente de ausência e falta na vida de seus filhos, porém cada qual a tentar a sua forma concertar erros do passado, presente e até mesmo do futuro, mas ainda assim, apresentam chances de falhar no processo, principalmente quando as motivações em seus corações não são genuínas.
 

Após o impactante encerramento no episódio anterior, vemos Julian a dirigir desesperadamente o carro da polícia, carregando atrás seu amigo Nathan a segurar o pai baleado. Neste momento vale ressalvar o uso brilhante de flashbacks de Dan, afinal quando estas a um passo da morte, a vida parece lhe remeter a aquilo que mais lhe assombra e neste caso sabemos o que assombra o Papa Scott.

Como não se emocionar em rios de lágrimas no momento em que vemos Haley a correr pelos corredores do hospital a procura de sua razão de viver, do homem de sua vida, do pai de seus filhos. Naley tem o primeiro momento juntos desde o episódio piloto e após tantos tormentos, maus tratos e noites mal dormidas, os Scott voltam a respirar tranquilamente, bom nem tanto a considerar que agora quem está entre a vida e a morte (mais uma vez) é o seu pai, que ironicamente foi o vilão mas jas na cama pela primeira vez como um verdeiro heroi, doa a quem doer, inclusive eu aqui a proclamar isto em voz alta.
 

Depois de sofrer novamente nas mãos de Xavier, Brooke finalmente consegue sua justiça ao ver seu agressor finalmente no lugar que merece, porém devido aos acontecimentos recentes acaba por contar com a presença da pessoa mais inusitada e enigmática de sua vida: Ted Davis, seu pai. Em casa, a respirar tranquilamente a pequena Davis se vê enfeitiçada pelos cuidados de seu papai, afinal este se mostra totalmente engajado em agradá-la, cozinhando, servindo vinho para eles, além de conectar-se com Julian.

Victoria apesar do jeito Cold Hard Bitch, sempre soube aquilo que era melhor pra sua filha, mesmo que sua forma de demonstrar isto as vezes indicava o contrário. Muito do jeito carente e bondoso de nossa querida B. Davis se formou devido a ausência do maior homem em sua vida e quando vemos que Ted ressurge como padrinho dos netos e posteriormente como consultor/investidor da nova linha de roupas pra bebê que ela criara, naturalmente como uma filha que sempre precisou do pai, ela iria abraçá-lo, esquecendo tudo que um dia este fez, alias o que este não fez.
 
“You came here to put on a show”

A frustração volta a bater a sua porta quando descobre que todo o cenário e a brincadeira “Vamos brincar de Papai e Filinha” nada mais era do que um dia de negócios, estes que trariam a informação de que a linha de roupas de sua filha já tinha lances de compradores antes mesmo de existir, pois segundo o papai é muito mais lucrativo vender uma empresa quando esta nem ao menos existe. Um laço que nem ao menos havia sido criado rompe-se de vez, inclusive fechou-se um ciclo que nós telespectadores demoramos para acompanhar, pois assim como Ted Davis nunca aparecera, sua transposição real tornou-se irreal, cumprindo com o objetivo de retratar esta figura gananciosa, ausente e sem a mínima noção das necessidades e da personalidade de sua própria filha.

“Dude, you were kidnapped. Dude, you’re a father”

Digo que sentia falta desta dinâmica entre os amigos/sócios e foi realmente especial ver Clay ao lado de Nathan novamente, agora que os faz refletir sobre quanto suas vidas mudaram nas últimas semanas, sejam pelo sequestro de Nathan como ela existência do filho de Clay.

Tentando concertar as lacunas de seu passado, Clay faz aquilo que já esperávamos que fosse fazer: visita os pais da Sarah, avós e “pais” de Logan desde que perderam a filha e naturalmente o genro, perdido em sua própria mente. Esta paternidade “recém-descoberta” é uma oportunidade, um recomeço que a trama sutilmente cria, afinal após tantos desencontros, este núcleo familiar tem o tempo e capacidade para juntar os pedaços e mesmo com a resistência natural inicial dos avós, o novo e empenhado pai consegue abrir portas a caminho de seu filho, este que apesar de relutar também, aceita as palavras sinceras daquele que é de fato o grande homem de sua vida, aquele que dividi a paixão por aeroplanos e agora por histórias em quadrinhos.

Naturalmente deixei a grande e conturbada figura paterna para o final, além deste ser um episódio dedicado a vida e a morte de Dan Scott. Vale relembrar que este homem parece desafiar as leis da gravidade, colocando-se em pé a cada confronto, seja este favorável ou não a ele, este vilão tornou-se uma das personagens mais interessantes de One Tree Hill e a forma com que o roteiro escolheu dissecá-lo neste foi incrivelmente respeitosa e emocionante. Não venho a defender seu caráter e muito menos os caminhos e desvios que escolhera ao longo de sua amargurada vida, mas Dan Scott foi, é e sempre será uma das grandes personagens da TV, mesmo que seja somente dentro do gênero que OTH se enquadre.
 

O encontro de Nathan de volta com a liberdade acaba por sentenciar Dan, deixando seu pai literalmente no corredor da morte, afinal após enfrentar uma delicada cirurgia para remover a bala, os médicos dizem que devido a sua condição cardíaca e a intensa perda de sangue, o patriarca não conseguiria passar desta ileso, restando somente o momento de seu adeus definitivo. A noticia repercute de diferentes maneiras a cada um da familia, seja pelo sentimento de culpa de Nathan; pelo misto de confusão à gratidão de Haley e por fim uma madura reação por parte do homenzinho Jaime, este que fora o único a conhecer um outro Dan Scott, neste caso simplesmente seu avó de carne e osso, não o vilão odiado cheio de sangue nas mãos.

Jaime e Lydia que foram pra LA passar uns tempos com o Tio Lucas e acabam por retornar para Tree Hill na presença da avô Debbie, alias nada mais sensato do que recolocá-la neste episódio, tratando-se do Dan Scott Farewell. Apesar de sentir falta de sua presença ali, Lucas de maneira alguma poderia compartilhar este momento, pois como o próprio diz: “Não estive presente durante sua vida, assim não posso esperar que ele esteja durante minha morte”. Após dividir um belo momento com o neto, é a vez de Haley aparatar ao lado do leito, tendo uma conversa coração aberto com seu sogro, talvez a mais sincera que tiveram nestes quase dez anos. Quem consegue esquecer quão contrário o Papa fora ao casamento prematuro dos dois, principalmente quando Haley engravidara e este temeu que uma família iria prejudicar o futuro brilhante de Nathan no basquete.
 
“He’s the best thing that happen to me and you’re the best thing that happened to him”
O ser humano tem a reação natural de buscar certo conforto no ato de pedir desculpas, principalmente quando suas ações tem proporções catastróficas que alteram toda a dinâmica de um determinado grupo de pessoas e isto foi exatamente o que aconteceu quando Dan escolhera apertar o gatilho que tiraria a vida de seu irmão mais velho, nosso eterno Keith Scott. E é assim que sai o perdido de perdão do sogro a sua nora e o mais bonito disto tudo é a humildade de Haley em reconhecer que tem muito a agradecer a ele por ter trazido seu amor de volta e o mais importante, que deixando em pausa todo o passado, Dan amara verdadeiramente Jaime e Lydia, claro que o ato de queimar seu restaurante para estar mais perto deles é algo surreal, mas o amor é claro e estampado, muito mais que qualquer outra coisa que o ainda mantenha de pé.
 
“I need you to stop blaming yourself for Keith’s death”

Faz-se necessário colocar os ex-Scott frente a frente, onde Dan pede a Debbie que esta isente sua culpa e participação no assassinato de Keith, afinal o ato foi unicamente dele –  apesar de associarmos com o fato do irmão ter dormido com ela – apesar do momento carregado, aquela distorcida chama ainda os permite brincar a respeito de suas vidas como marido e mulher.

Ao longo dos anos Bettany e James criaram uma sintomia e química tão grande como marido e mulher, que realmente ficar sem eles juntos a se amar foi agonizante. Quem acompanha One Tree Hill desde os primórdios consegue compreender quando Nathan, na figura de filho afirma quanto tempo de sua vida dedicou a odiar seu pai, porém é Haley que diz com diretas palavras: “Ele não deu motivos para que você o amasse”.  Quando questionada de onde tirava tanta força para enfrentar tantas perdas, a Mama Scott responde sem pestanejar que o marido e seus filhos são a razão que a mantêm sã. E por que apesar de saber os reais motivos por todo o ódio, Nathan Scott ainda se senti mal por sentir-se assim? Por que es humano e apesar de não ser o pai que gostaria, ainda é o seu pai e tudo que talvez precisem é dizer propriamente adeus um ao outro.
 
“It really helped to have that closure and maybe that’s what you need”
 
 Rivercourt, a minha bela e velha quadra, esta que registrara narrações do Mouth e intensas disputas entre os irmãos Scott, porém desta vez quem caminha sobre ela é Dan e Nathan, que entregam o diálogo mais conclusivo, alias sem sombra de dúvida o melhor momento em que James e Paul dividiram uma cena como pai e filho, com destaque a Paul que realmente se entregou a esta personagem ao longo dos anos.
 
“Why does this have to be so difficult? You’re my father, so I should love you, but…I’ve spent so much of my life hating you. I was a terrible father. I know that. You know, I can justify a lot of the screwed-up things that you’ve done. You bullied me because you wanted to make me tough. You tried to ruin my marriage because you wanted me to have a career. You even burned down your diner just because you wanted to see me again. But I can’t understand how you could murder your own brother.  And I’m worried. I’m worried that when you’re gone, that’s all I’ll remember. And I’ll still hate you for it. So why did you do it?

I was always  jealous of Keith, even when we were kids. I was athletic, popular, all the things that he wasn’t. But still, I was jealous of him. People were drawn to Keith, and I hated him for it. The day I shot Keith, I was in a dark place. I was convinced that he tried to kill me. I’d lost you, divorced your mom. My life was spiraling downwards, and meanwhile, Keith was building a new life with my high-school sweetheart and the child that I  abandoned. Every time I looked at him, I felt like I was punched in the gut. 

Keith wanted to go into the school to save that kid. So I let him go…Hoping he’d get shot. Let him be the hero…As long as he was a dead hero. And then I thought: “Why should he  be the hero when it could be me?”. So I followed him in. Jimmy was crying and Keith was telling him, “It gets better and that pain in your heart, that voice in your head that tells you there’s no way out…It’s wrong”. So I felt like he was talking to me and in that moment, maybe the most heroic, kindest moment of my big brother’s life I hated him.I hated him more than anyone or anything, because nothing had gotten better. That pain was still in my heart. That voice in my head saying that there’s no way out was right! And he was standing there, lying to me and after Jimmy died, I picked up the gun and I aimed it at Keith and he looked at me and all I could think of was how everything that had gone wrong in my life was his fault and it wasn’t gonna get better until he was gone. Just pull the trigger, and it all ends. So I pulled that trigger and it didn’t end. It got worse. I’m so sorry. I’m so sorry. I’m so sorry. 

São dez minutos como estes que me fazem entender por que apesar de todos os pormenores, ainda amar incondicionalmente esta série. Ela me transporta para os lugares mais sensíveis que existem dentro de mim e olha que minha essência é 99% emocional, ou seja, quando a transporta para o tempo que dava o seu melhor, é natural que um coração mole como o meu iria se despedaçar em frações de segundos, principalmente quando citam o nome Keith, o Tendão de Aquiles de qualquer fã. Nathan nos faz entender através de suas palavras que qualquer atitude de Dan no passado por mais absurda e controladora que possa ter sido, torna-se em termos justificável, porém o ato de tirar a vida do próprio irmão é inconcebível e a resposta não poderia ter sido mais ao estilo Dan Scott de ser.

Assombrado pela áurea bondosa e magnética de seu irmão mais velho, Dan sempre pareceu colocar-se a sombra de Keith e pior, após sua confissão percebe-se que o único que tinha problema consigo mesmo era o próprio Dan. O titulo do episódio soa como uma verdadeira luva que cabe perfeitamente em sua mão, afinal es um Danny Boy mesmo, um garoto amargurado que projetava-se na figura daquele que era tão diferente dele e cujas diferenças o faziam se diminuir gradativamente, abrindo mais e mais feridas, estas que resultariam no pior dos acontecimentos, trazendo mais dor, sofrimento e pesar, pois se escolhera silenciar a presença do irmão para todo o sempre, o resultado foi pior e perverso, deixando suas entranhas expostas.

“You know…We never got a chance to play a game together on the rivercourt. How about it? What do you want to play to? Let’s not keep score. For once, let’s just play to play.”

 E com o famoso pipipipipipipi, os equipamentos médicos indicam a parada cardíaca daquele que assim como Nathan, nutrimos um ódio por toda a existência da série, mas como o filho mesmo disse, apesar de tudo ele ainda é seu pai e nós, como telespectadores devemos também olhá-lo como um breve olhar de gratidão, pois antes tarde do que nunca este pensara em sua família antes de si mesmo e é por isto que finalmente encontrar com Keith.

Confesso que meu coração já estava em bogalhós e quando avistei o rostinho de Keith novamente na minha tela precisei pausar o episódio, pois os soluços me impediam de processar o diálogo, assim dei uma volta pela casa, tomei um longo copo de água e voltei a encarar os quatro minutos finais, estes que sem dúvida serão eternizados, principalmente por que fechariam um ciclo que nos tormentou desde a terceira temporada. Quão brilhante foi Keith a guiar Dan para o corredor do colégio, corredor que como irmão mais velho propriamente disse, sempre fora o lugar que ambos empacaram, seja na morte e na vida um do outro. E se Dan acha absurdo o irmão perdoá-lo – hello ambos estão mortos – aprende que pela primeira fez deixara de lado seu ego, ajudando sua família, colocando-se a frente para salvá-lo e não acima dela a sufocá-la como sempre fazia.

“I told you the voice was wrong. It gets better”
 
 
 “Come on, little brother. Take a walk with me.
I know where you’re going. But what about me?
Don’t worry, little brother. You’re my “plus one”.”

 Ps: Lembram-se da frase que Dan diz ao presidiário: “Take a seat for me on Hell”, pois é acho que o caminho do perdão parece ter mudado seu curso. E vocês, acham que isto é possível? Podemos nos converter desta forma? Meu coração diz que sim, apesar dos meus 1% de razão martelarem por aqui.
Artigo escrito por: Mary Barros

2 thoughts on “One Tree Hill (9×11) – Danny Boy

  1. Fiquei feliz com a nota Mary, estava com algumas expectativas, mas tendo em conta a actual situação da série pensei que não iriamos vislumbrar os episódios emocionantes. Espero que não perca ritmo até ao fim.

  2. Ai Mama, como sempre escolhendo as palavras certas para caracterizar o inexplicavel… Episódio perfeito; Review Perfeita…

    Toda a trama de redenção de Dan fora uma das melhores coisas que a série já nos preparou… E esse final era mais do que justo para concluir toda a jornada do personagem. Estou contigo Mama, acho que os atos finais de Dan o garantiu um lugar no céu, ou ao menos, em um lugar melhor do que o inferno.

    Está pronto para a finale? Sei que ainda não estou, vou ir ver o penultimo episódio agora e as lagrimas já brotam no rosto apenas com a idéia de que semana que vem será a ultima vez que veremos algo inédito de OTH…

    XOXO

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