Desperate Housewives (8×14) – Get Out of My Life


Ainda estou a tentar perceber se gostei ou não deste episódio, mas posso afirmar à partida que estou desiludido. O episódio trouxe-nos a comprovação e uma teoria que eu já tinha debaixo de olho desde o primeiro episódio da temporada mas que sempre rezei para que estivesse errada. E de uma só vez, grande parte do mistério da temporada é resolvido (aliás, todo ele), deixando-nos com a sensação de que criamos demasiadas expectativas para aquilo que de facto aconteceu. Orson voltou e para estragar tudo, tal como eu previa. Mas vamos à parte boa do episódio.

Gaby continua longe dos planos centrais da temporada, mas por outro lado tem sido um óptimo escape de comédia para a tensão que se tem vivido nos outros arcos. E para melhorar, esta semana temos o cruzamento do seu arco com Mrs. McCluskey e Roy. Quando Gaby encontra Roy sozinho e triste num banco de jardim estaria longe de imaginar que McCluskey o tinha expulso de casa e que seria ela a dar-lhe guarida durante uns dias. Mas apesar do medo de ter um idoso chato em casa, as coisas melhoram quando percebe que ele consegue manter as suas filhas sob controlo, que por acaso se tem tornado insuportáveis devido à ausência de Carlos (que está prestes a voltar a casa). E como sempre, o egoísmo de Gaby faz com que, mesmo com a vontade de Roy e McCluskey de voltarem um para o outro, ela os manipule de forma a poder ter Roy em casa a domar as filhas enquanto Carlos não volta. O pior é que ninguém desconfia que McCluskey está doente: o seu cancro voltou e desta vez com metástases no cérebro, pondo em perigo a sua vida. Algo me diz que esta história vai render óptimos momentos num futuro próximo.

O arco de Susan e Lynette cruzou-se e foi óptimo ver a senhora Scavo sem termos de pensar a toda a hora em Tom e no divórcio (embora ele tenha sido referido de passagem). Os gémeos Scavo meteram-se em divergências com o senhorio e são obrigados a regressa a casa, mesmo contra a vontade de mãe. No lado de Susan, Julie continua a tentar encontrar um casal adoptivo para o seu filho e a recusar as sucessivas ofertas de ajuda da mãe, que quer a todo o custo ficar com o neto para ela. E o pior acontece quando Susan segue Julie para conhecer o pai do bebé e descobre que é, nada mais nada menos que Porter Scavo. Confesso que não estava a espera desta possibilidade, mas é uma boa aposta porque vai por em oposição a visão sonhadora de Susan, que quer apoiar a ideia estapafúrdia de Porter e ter o filha, à visão mais realista de Lynette que está prestes a enviar a última filha para a creche e não está preparada para cuidar de outra criança, algo que vai inevitavelmente acontece se Porter assumir a paternidade.  A verdade é que Julie está furiosa com a ideia e não perdoa a mãe, e o mais certo é termos a duas donas de casa a tomar conta de uma criança no final da série. A ver vamos.

A pobre Renne voltou ao activo e para se meter em problemas. Desesperado com a falta de dinheiro para pagar ao agiota, Ben decide tentar simular um acidente no local da construção para que o seguro lhe dê algum dinheiro. Infelizmente é descoberto por Mike e o nível se stress é tão alto que acaba no hospital com um aperto no peito. Mike vê a situação muito difícil de resolver e decide recorrer a Renne, expondo-lhe a situação. Como não tem problemas monetários, Renne decide passar um cheque chorudo ao agiota de Ben que o aceita, mas os seus comentários deixaram no ar alguma ameaça e prevejo senhora Perry envolvida em problemas inesperados em breve. De facto Ben não foi uma boa adição à vida de Renne.

E agora a pior parte, que pode ser considerada a melhor dependendo do ponto de vista. Orson voltou e a sua personalidade obsessiva             que eu tanto odiava veio com ele. Bree, desesperada como anda, não perde tempo e conta tudo o que aconteceu desde a noite do crime, deixando-o particularmente furioso com o facto de as amigas a terem abandonado depois de ter sido ela quem lhes salvou a pele (e nesta parte eu concordo). O pior é que, como lunático que é, começa de imediato a criar um plano para levar Bree consigo, afastando-a das amigas, mentindo-lhe acerca das suas opiniões e tentando convencê-la a mudar-se com ele para uma casa de praia, de forma definitiva. Bree ainda pensa numa reconciliação com as amigas, mas Orson mente mais uma vez e acaba por convencê-la a não o fazer. E numa conversa que pela primeira vez terminou um episódio sem a narração de Mary Alice, enquanto Orson ilude Bree com as suas palavras, descobrimos que ele tem seguido Bree desde o dia que abandonou a casa dois anos antes, presenciou a saída delas com o corpo de Alejandro na noite do crime, presenciou o enterro e tem sido ele a entregar as cartas na caixa de correio de Bree com as ameaças. E claro, subentende-se que foi ele quem atropelou e matou Chuck, afinal, tal como disse na altura, o tipo de crime é idêntico ao que este praticara com Mike. E assim se quebra um dos melhores mistérios da temporada, aquele no qual eu tinha mais esperança, de uma forma simples, previsível e nada estimulante. Havia tantas hipóteses, e foram escolher logo a mais básica e aquela que, sinceramente, não está altura daquilo que se propunha o mistério da temporada. Daqui para a frente não temos mistério e temos Orson para ocupar espaço de antena desnecessário ao fim com o seu plano maquiavélico que de maquiavélico até tem pouco.

O melhor – O arcos de Gaby, Susan e Lynette foram bastante divertidos.

O pior – O regresso de Orson, tão dispensável. A resolução rápida e pouco estimulante do mistério da temporada.

Artigo originalmente escrito por Rui Alvites e publicado no Portal de Séries.

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