Awake (1×01) – Pilot


Desde que sua premissa foi anunciada, Awake criou muita espectativa, especialmente depois da divulgação de seu trailer. Assim, fiquei muito feliz quando essa espectativa não só foi confirmada, mas superada pelo ótimo primeiro episódio da série, que foi liberado online pela NBC (a estreia da série é só em 1º de março). Sem perder tempo, somos logo introduzidos à premissa da série: Michael Britten, um detetive, se envolveu em um acidente de carro com sua mulher, Hannah, e seu filho, Rex, e a partir de então passou a viver em duas realidades, uma em que sua mulher sobreviveu e outra em que seu filho sobreviveu. Essa rápida intrução, sem delongas, permitiu que a complexa premissa da série fosse absorvida e compreendida aceitável, o que, para uma série com uma premissa complexa que pretende sobreviver na televisão aberta dos EUA, é excelente.

Durante o episódio, somos apresentados aos principais personagens, dos quais o destaque absoluto vai para os dois psicólogos. O roteiro, então, nos apresenta com calma, mas sem parecer óbvio e entendiante, aos novos cotidianos de Britten, em que tenta se reconectar com seu filho e compreender a maneira como sua esposa lida com a perda do filho ao mesmo tempo em que busca retormar seu trabalho. A questão dos psicólogos é muito interessante, pois praticamente descarta uma explicação sobrenatural para a situação de Michael ao mesmo tempo em que nos proporciona explorar a psique dele e nos coloca no meio de uma ótima “discussão” em que os dois psicólogos tentam provar a Michael que uma das realidade é um sonho. Isso foi, para mim, a melhor parte do episódio, mas devo dizer que achei o argumento da psicóloga (da realidade em que Rex está vivo) fraco, pois se essa realidade é um sonho, o seu conciente/inconsciente poderia facilmente tê-lo feito acreditar que o que ele citou realmente tenha sido a Constituição. Isso provavelmente não signifique nada, já que acredito que a pretensão dos roteiristas era de fazer os dois argumentos com a mesma força.

Além do ótimo roteiro, as atuações (de Jason Isaacs, B. D. Wong e Cherry Jones principalmente, mas todo o elenco é excelente) e a produção também são de ótima qualidade, e aqui devo destacar a questão das cores vermelho e verde. Explicitamente, o roteiro apenas nos aponta que Britten usa uma pulseira vermelha na realidade em que sua esposa está viva e uma pulseira verde na realidade em que seu filho está vivo. Mas reparem que estas cores aparecem muitas vezes durante todo o episódio e que elas não estão restritas em suas próprias realidades. As camisetas que Rex usa, a cor da camisa de Lee e do lenço de Evans (e aqui é curioso como elas aparecem invertidas com relação às pulseiras), o vestido de Hannah, a tonalidade vermelha no quarto de Rex na realidade em que a Hannah está viva. A questão das cores também está presente tom que as cenas no exterior apresentam: na realidade vermelha as cores são mais quentes, e na realidade verde, as cores são mais frias (chegando ao ponto de, algumas vezes, parecer que estamos vendo um ambiente iluminado por uma lâmpada verde). Não sei se isso possui algum significado além de uma simples auto-referência, mas caso possua, já que as cores em geral não parecem se importar com qual realidade estamos vendo, isso poderia sugerir que ambas as realidade são reais, que nenhuma é real ou que a realidade é uma mistura de ambas.

Queria comentar também sobre o elemento procedural da série. Certamente o ponto mais fraco do episódio, inicialmente parece que esse elemento vai ser utilizado para estabelecer conexões entre as duas realidade, mas pelo que li sobre os próximos episódios, as coincidências entre os casos vão passar a ser utilizados para questionar a sanidade de Britten e, tendo em vista a cena em que ele se corta, acredito que algo muito bom vai sair disto.

Por fim, o episódio piloto foi excelente, certamente um dos melhores pilotos que já vi com uma das premissas mais interessantes. Agora só nos resta esperar pela estreia oficial e ver como a série vai estender sua premissa e se vai conseguir audiência suficiente para durar pelo menos uma temporada.

Artigos originalmente escrito por Vinicius Vinera e publicado no Portal de Séries.

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