Alcatraz (1×01/02) – Pilot/Ernest Cobb


Antes de mais nada, dois pontos: há alguns dias, J.J. Abrams disse em uma entrevista que essa série seria mais “procedural” e menos serializada (como Lost era), e isso certamente baixou muito minhas expectativas; eu não vou fazer resumo dos episódios.

Logo na primeira cena, com os guardas chegando de barco e descobrindo a prisão completamente vazia, eu já fiquei fisgado. Devo dizer que tenho uma queda por ficção científica, então para uma série sci-fi me fisgar não é muito difícil, mas a cena inicial foi bem construída e nos apresentou o maior mistério da série: o que aconteceu com todas as pessoas que desaparecem da ilha? O arco maior da série está presente e é desenvolvido durante os dois episódios, mas o lado procedural certamente toma conta. E isso não é de todo ruim: enquanto no primeiro episódio, a história de Jack Sylvane não me atraiu tanto, Ernest Cobb, no segundo, foi muito melhor. Desde a primeira cena em que ambos aparecem, Jack apenas acordando dentro da prisão e Cobb iniciando seu ritual, a história do segundo é muito mais pesada e impactante. Isso não significa que a de Jack foi ruim, só não foi tão boa quanto a de Cobb.

Já deixo claro, então, que gostei muito mais da segunda hora do que da primeira. Como todo piloto, o roteiro da primeira hora esteve muito mais preocupado em nos apresentar os personagens, a ligação entre eles e o arco principal, além, claro, da perseguição à Jack. Na segunda hora, além da história mais impactante do prisioneiro da semana, tivemos um aprofundamento maior dos personagens, catalisado, principalmente, pelo tiro que Lucy leva de Cobb, fazendo com que Soto avalie melhor sua capacidade para contribuir com as investigações e as perseguições e com que Hauser apresente um lado muito mais emocional do que no primeiro episódio.

Quanto à Rebecca, eu gostei da personagem (gostei de todos, na verdade) e achei interessante a ligação pessoal dela com a prisão, assim como de ela não ter uma personalidade “pesada” (o que seria de se esperar após ver seu parceiro morrer, descobrir que seu pai era um prisioneiro de Alcatraz e que ele não só não envelheceu, mas está solto em algum lugar e foi o responsável pela morte do parceiro dela, e ainda, indiretamente, ser a responsável por Lucy estar em coma). É uma ótima personagem, mas de todos os apresentados, acho que é a que menos foi trabalhada e a que teve menos “dimensões”. Sobre a Lucy não muito muito o que dizer fora as consequências da revelação do segundo episódio.

Os flashbacks estão sendo utilizados de maneira muito interessante, contribuindo para tridimensionalizar os prisioneiros, estabelecer as motivações para suas ações no presente e também para desenvolver o arco principal. Quanto às atuações, não há muito o que falar, afinal Sam Neill é Sam Neill, e quem acompanhou Lost sabe da qualidade do trabalho de Jorge Garcia. Da equipe principal, eu não conhecia Sarah Jones, que está muito bem, alternando momentos mais leves e mais pesados (a cena no banheiro, no segundo episódio, por exemplo) com habilidade, e Parminder Nagra, que não tenho muito o que dizer devido a seu pouco tempo em tela, mas ela certamente não comprometeu em nada.

O quê? Como? Quando?

Nessa parte, vou repercutir mais especificadamente o arco maior da série e os mistérios, então se você não quer ler possíveis spoilers, pule para a nota e seja feliz. Logo no início do primeiro episódio, somos apresentados ao maior mistério: o que aconteceu com as pessoas que estavam em Alcatraz? Tenho certeza que esse será um dos últimos mistérios revelados, junto com quem foi resposável por isso e como isso foi feito, a não ser que a série tenha um aprofundamento em sua mitologia ao melhor estilo Fringe. Então, acho que é muito cedo para arriscar palpites sobre essas questões. Mas há várias questões menores, ligadas ao arco principal, que são tão instigantes quanto.

* Os prisioneiros voltaram (ou reapareceram) todos de uma vez ou estão aparecendo um por um? Fiquei com essa questão porque o retorno de Jack nos foi mostrado, mas o de Cobb não. Além disso, o avô de Rebecca já havia reaparecido pelo menos três meses antes do presente da série. Seria possível que todos eles já voltaram e estão realizando pequenas missões, não necessariamente envolvendo mortes? É interessante lembrar que não foram apenas prisioneiros que sumiram àquela noite, mas guardas também. E por que Hauser não deu a miníma quando Rebecca disse que viu seu avô há três meses? Será que ele já foi capturado? * Falando em capturado, muito interessante as possibilidades da nova prisão para qual os ex-prisioneiros de Alcatraz estão sendo enviados. Espero que daqui há alguns episódio, quando a cadeia estiver mais povoada, algumas situações interessantes surjam de lá. Além disso, muito interessante a troca de olhar entre Jack e Cobb. Seria apenas de reconhecimento, por lembrarem um do outro de Alcatraz, ou seria algo como “você também foi capturado”? * Ainda sobre os prisioneiros, é interessante como eles não parecem sofrer de nenhum “choque cultural” ou algo semelhante. Acredito que isso possa ter uma das três razões: ou eles já voltaram há algum tempo e já se acostumaram; ou os responsáveis por seus desaparecimentos lhes atualizaram; ou eles nunca viajaram no tempo, apenas sumiram da vista de todos e não envelheceram, e esse não-envelhecimento seria o verdadeiro tom sci-fi, não as viagens no tempo (e convenhamos, seria muito mais fácil de lidar, pois viagem no tempo é sempre algo complexo e traz junto muitos paradoxos). Das três opções, gosto mais da última. * Sobre Hauser, ele certamente tem uma história muito interessante a ser contada sobre como ele passou de um guardajovem e assustado para o principal responsável em capturar os prisioneiros e guardião de todos os segredos. Mas eu não me surpreenderia se ele não soubesse tanto quanto aparenta. * É interessante notar que, dos quatro personagens da equipe, apenas Soto não tem um passado ligado diretamente aos desaparecimentos. Ainda, pelo menos. Tenho certeza que isso não vai durar muito e veremos algo muito interessante sobre o passado dele. * Falando da equipe, Lucy também não envelheceu! Foi um ótimo cliffhanger e trouxe muitas outras perguntas. Hauser sabia disso? Ela também sumiu naquela noite e voltou antes, para se infiltrar nas investigações lideradas por Hauser? Ou a tecnologia da fonte da juventude também é conhecida pelo lado “bom” (por enquanto) e foi utilizada nela? Além disso, por que ela seria um alvo, como Hauser disse? Será porque ela traiu quem está por trás dos desaparecimentos? * E, claro, para que serve a chave que Jack pegou?

Enfim, a review ficou um pouco longa, mas foram dois episódio e que levantaram muitos mistérios, então é compreensível. E você, o que acharam? Vale a pena aguentar o procedural por causa do arco maior? Ou o procedural também foi muito bom?

Artigo originalmente escrito por Vinicius Vinera e publicado no Portal de Séries.

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