Desperate Housewives (8×10) – What’s to Discuss, Old Friend?


Desperate Housewives, you are doing it wright. Pois é, depois da pausa para natal (um mal necessário que acaba sempre por nos abrir mais o apetite para o regresso), a série regressa para a segunda parte da sua última temporada com mais um episódio consistente, misterioso e emotivo. Eu só espero que ao contrário do que tem sido SEMPRE hábito al longo da história da série, esta segunda parte da temporada não decaia em qualidade para só recuperar nos últimos episódios de caminho ao fim explosivo, mas também acredito que manter inalterada a qualidade do que tem sido feito até aqui vá ser difícil.

Começamos o episódio exactamente onde terminou o anterior. Bree está num quarto de motel e prepara-se para pôr termo à sua vida com uma arma para se afastar de todos os problemas, abandonos, mentiras e preocupações que tem vivido nos últimos tempos. Felizmente (e claro que ninguém acreditou mesmo que o suicídio ira acontecer, não nesta altura) Renne, atraída por uma suspeita de traição de Ben com Bree (Ben que por acaso não deu ares da sua graça neste episódio) arromba a porta do quarto e acusa Bree de traição, só se apercebendo depois da presença da arma e de um bilhete de despedida, provas inegáveis de uma tentativa de suicídio. Desta forma Bree é salva para alívio de todos, mas não deixou de ser um óptimo desfecho para um dos melhores cliffhangers que a série já nos proporcionou.

Chuck morreu mesmo! E que alívio, tanto para nós (a personagem estava a tornar-se um pouco intragável e artificial) como para as nossas donas de casa que vêm assim o perigo de descoberta eminente do seu segredo desaparecer como por magia. A nova dúvida que lhes surge de imediato é perceber quem terá cometido o atropelamento. Claro que todas desconfiam umas das outras entre si, mas rapidamente chegam à conclusão que nenhuma delas o fez. De seguida as desconfianças recaem sobre Carlos (assim como todos nós inicialmente) mas Gaby, que também desconfia do marido nega tudo afirmando que Carlos está no centro de desintoxicação e não pode ter feito nada. Pura mentira, uma vez que sabemos que Carlos desapareceu do clínica pouca antes do atropelamento e só aparece em casa no dia seguinte, podre de bêbado e sem se lembrar de onde esteve. O seu paradeiro, ou pelo menos parte dele só se sabe mais tarde, quando um polícia o reconhece e lhe diz que estivera muito bêbado na delegacia na noite anterior para dizer que queria ser preso por ter agredido alguém com um candelabro, pese embora Gaby tenho conseguido dominar a situação com uma mentira sobre violência doméstica. Continuamos sem saber se Carlos, além de confissões, também atropelou Chuck, mas penso que nos estão a empurrar demasiado para ele para nos fim nos surpreenderem com outra pessoa. Adorei o tom de ameaça de Gaby na conversa final. Soou-me bastante realista. Até fiquei com vontade de a ver fazer algo mau…

Susan fica deprimidíssima com a morte de Chuck e com a morte de Alejandro e com todos e mais algum motivos. Passando o episódio a queixar-se de não perceber os motivos para estar tão cabisbaixa quando deveria estar contente, Susan decide do nada visitar a cidade natal de Alejandro e Gaby para conhecer a família dele, mesmo que não saiba o que fazer o que fazer depois. E eu digo desde já que vêm daí problemas, porque ela vai contar a alguém ou dar nas vistas acabando por chamar mais uma vez a atenção. A ver vamos. Menção Honrosa para Mike que teve de aturar os seus muitos desvaneios e tentativas de fuga matinais para destinos aleatórios e improváveis.

Lynette, Lynette, há coisas que nunca mudam. Tom desiste de uma viagem de sonho com a namorada por causa dela, e a única coisa que ela consegue fazer além de uns agradecimentos que soam a falso é criticar a pizza que ele trás. Eu só pergunto como é que na vida real um casamento assim pode de facto durar tanto tempo, 23 anos a engolir com Tom fez não é fácil. Mas penso que este episódio foi um ponto de viragem. Lynette percebeu, ou assim parece, que Tom não consegue mais ser feliz ao seu lado e “deixa-o ir”, aconselhando-o a ir ter com a namorada a paris. Talvez este arco esteja finalizado, pelo menos até aos últimos episódios onde prevejo uma possível reconstituição familiar. Entretanto Tom promete ajudar Lynette na sua situação (e ele é mais um de quem desconfio no atropelamento) e decide contar a Bob, o advogado, tudo o que se passou sobre o crime. Com tanta gente a saber, em breve o segredo passa a ser do bairro e não das donas de casa. Com Bob já temos as quatro donas de casa e respectivos maridos, e partindo do princípio que Lee também ficará a saber, são 10 pessoas envolvidas. É muita gente e acredito que não ficará por aqui.

Depois de ter presenciado algo chocante, Renne faz-se convidada para passar uns tempos em casa de Bree para a controlar. E devo dizer que os momentos de interacção entre as duas foram do melhor do episódio. Primeiro senti na pele a tristeza de Renne quando Bree lhe diz que não amigas: foi frio e cruel dizer algo assim, mesmo que não deixe de ser verdade ( a única amiga verdadeira de Renne é Lynette, e mesmo assim, com algumas restrições). Mas a cereja no topo do bolo chega com a conversa na igreja, onde Renne conta a Bree como perdeu a mãe quando ela se suicidou, e como a partir daí não consegue sequer pensar em deixar que alguém que conhece acaba com a própria vida (história que já tinha contado a Gaby no passado, mas não com tanto pormenor. Bree, emocionada acaba por lhe contar a história de Mary Alice, a forma como isso a influenciou e diz-lhe que percebeu por fim que ela será para sempre a pessoa que lhe salvou a vida, e como tal, a melhor amiga que alguma vez terá. Ok, claro que as duas não passarão a ser as melhores amigas do nada, mas é certo que se iniciou aqui uma boa amizade que poderá vir a ser bem explorada. Ah e digo já que em breve é óbvio que Renne será informada e integrada no segredo.

Não tivesse sido já o episódio tão bom, ainda recebemos mais uma pérola no fim. Eu já sabia quando vi Bree na rua, mas mesmo assim foi óptimo vê-la abrir a caixa do correio para retirar mais uma carta do seu remetente mistério com um simples mas compreensível “Não tens de quê” de fazer gelar a espinha e lembrando-nos que mais alguém sabe do segredo delas e que anda a ajudá-las. Quem e porque o faz é algo que não posso esperar por saber.

O pior – Tínhamos ódios mortais e neste episódio as amizades entre as quatro Donas de casa parece ter voltado do nada. Soou pouco realista. Gostava de saber onde anda a filha de Bree e o neto. Não se tinham mudado para casa dela?

O melhor – Os momentos de Bree e Renne (aproveitem melhor Renne daqui para a frente, por favor). A cena final com a nova carta.

Artigo originalmente escrito por Rui Alvites e publicado no Portal de Séries.

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