Community (3×10) – Regional Holiday Musical


No fim, parece que há uma espécie de simetria na forma com a qual essa terceira temporada de Community evoluiu. Se o ótimo primeiro episódio inicia com um musical, esse “Regional Holiday Music”, que marca a ida para geladeira, é um musical.

Que fique claro, eu não assisto Glee, a principal inspiração desse episódio. Não que eu tenha qualquer coisa contra Glee, talvez seja uma boa série e eu esteja a perder por não acompanhar, mas não tenho apreço por comédias teens e não gosto de musicais (exceção do clássico “Cantando na Chuva”). Esses motivos me fizeram não ter o animo necessário para acompanhar Glee, mas conheço bem os movimentos de câmera e o ritmo das cenas de musicais, e nesse ponto, Community acerta em cheio.

“Regional Holiday Music” começa com a conversa entre o grupo de estudos, que insere os problemas enfrentados pelo grupo: o como todos passaram o natal separados e o interesse de Abed em manter todos juntos. Ri alto quando o clube do coral apareceu e começou a cantar no refeitório (como já vi acontecer nos comerciais de Glee). Colocar o clube do coral tendo um colapso nervoso, ao serem confrontados pela “policia dos direitos autorais”, foi incrível.

A próxima cena traz o personagem Mr. Rad, professor alegre e inspirador que comanda o coral (Professor Will de Glee. Inspirado em “Sociedade dos Poetas Mortos”?).  Depois dessa cena, em que todos concordam em não fazer parte do musical, a fotografia começa a mudar. Perceba que tudo vai ficando mais escuro e que há um close tenso no rosto de Jeff quando ele cita as famigeradas “regionais”. Já vi o pessoal de Glee falando sobre isso e deve ser o supra-sumo do desejo do coral.

Quando Abed vai atrás do professor Rad, que toca um piano, começa o primeiro musical. A musica do piano continua tocando mesmo sem ninguém lá, isso é um exemplo da diegese lúdica do musical, é claro que Abed citaria isso. No musical, note como os movimentos de câmera seguem o ritmo vocal dos personagens e se dividindo igualmente entre os dois. A câmera sempre vem de cima pra baixo, culminando em uma zenital (vertical de cima para baixo) e isso serve para reiterar a musica de superação, que começa um pouco esquisita e chega à alegria contagiante. Com o fim desse numero musical, Abed promete convencer o resto do grupo e o professor solta uma risada maligna.

Colocar o musical como uma doença que vai impregnando as pessoas, funciona como uma sátira e homenagem ao mesmo tempo, pois nos musicas, é a música reúne as pessoas. Essa é uma inversão que funciona muito bem no episódio.

O segundo musical é protagonizado por Troy e Abed, que se reúnem em um rap natalino. A musica em si não é tão boa, mas o uso da montagem é o melhor de todo o episódio. A alternância de momentos musicais grandiosos com a “normalidade” é algo já visto em “Cantando na Chuva” e “Grease”, aposto que também está em Glee.

Ao usar o ego de Pierce para recrutá-lo para o coral, no melhor musical do episódio, fica claro que usarão as características de cada um para o recrutamento. Annie usa a sensualidade para recrutar Jeff, em um musical que me fez sentir muita inveja. Pierce usa o coral de crianças para recrutar Shirley, que tem a voz mais potente de todas.

Note como, quando todos estão cooptados pelo coral, os rostos de se enchem de alegria e simploriedade.Quando o professor avisa que as regionais são só o começo, Abed percebe que o natal é o menos importante para o professor e cria um plano para trazer o espírito natalino de volta. Fazer Britta cantar, com sua forma incrível de estragar tudo, fez com que o professor enlouquecesse, confessando o assassinato do primeiro clube do coral. Além de ter sido muito engraçado, corroborou com a minha teoria de que Will, de Glee, é um psicopata.

Todos os números musicais foram incríveis, com destaque para aquele criado para convencer Pierce, por conseguir passar por anos de história do Rock nos EUA. Todos se comprometem completamente em todas as cenas, mas o destaque é de Danny Pudi, pois as transformações de Abed são perfeitas em todos os musicais.

É assim, com uma qualidade absurda do roteiro, comprometimento da equipe técnica, atores que se entregam completamente, que Community se despede durante esse hiato indefinido.

P.S: Cena final de créditos é ótima!

P.S 2: # SalveCommunity #SixSeasonsandaMovie.

P.S 3: A constante incrível duvida que Community me deixa… Devo dar dez? Avisem se estiver sendo injusto.

P.S 4: Obrigado a todos que acompanharam minhas reviews de Community. Espero estar aqui logo, comentando mais episódios dessa, que é a melhor comédia em exibição.

Artigo originalmente escrito por Murillo Martins e publicado no Portal de Séries.

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