Fringe (4×05) – Novation


Este é episódio de Fringe que tenta começar a explicar o porquê de 2+2=5, no Hail to the Thief dos Radiohead. E tudo isto sem deixar a porcaria do caso para trás.

Antes de mais acho que me devo apresentar. Para quem não me conhece sou o António Guerra, como se vê ali em cima, e venho substituir o meu caro amigo Jorge Pontes durante as próximas duas (ocupadas, para ele) semanas. A qualidade do texto é inferior, as observações idem, mas a quantidade de palermices escritas…nestas o Pontes não faz metade das que eu escrevo. Após uma paragem longa de 2 semanas (ou seja, 3 semanas sem episódio novo…quem gosta de basebol deveria morrer ao som da bala…), temos novo episódio de Fringe para comentar. E após da Coca-Cola ter dado a conhecer o menino da lágrima, este episódio de Fringe dá-nos a conhecer o menino do lago. Pumba! Já leva um avanço na quantidade de água…

O regresso de Peter à narrativa chateava-me. Posso referir porquê? Vamos embora: a situação criada é paradoxal, complicada, e a saída seria estúpida. Porque o Peter desapareceu mas o mundo manteve-se igual. “Ah, mas ò marmanjo que não lembro do nome…o Broyles do outro lado está vivo, por exemplo”. Percebo-vos, senhora que fala com a voz esganiçada. Primeiro, quero ver como explicam (se o fizerem) tal situação. Mas retiremos o Peter da equação. Desde o inicio da série. Retirando-se tal, era impossível (volto a referir…impossível) que tivéssemos chegado à mesma situação, aquele encontro entre os dois mundos. É o que vos disse em cima. Temos a Olivia e o Walter, e a Altivia e o Walternative (2+2) e dá 5. Porque o resultado foi feito com o Peter (para quem não percebeu 2+2+1) mas depois retira-se o 1…é incoerente, estúpido em termos narrativos, e demasiado paradoxal. E Fringe não aguenta com tal paradoxo.

Depois de retirar isto do meu sistema, vamos ao episódio propriamente dito. O regresso do Peter revoluciona a equipa, como é óbvio. É o retorno do filho pródigo, mas que desta vez não andou a comer bolotas dos porcos mas andou a nadar com os peixinhos. Manias. Mas o regresso, como estava a dizer, revoluciona a equipa porque é um médium que sabe demasiado. Para além do que coloca Olivia sobre uns saltos demasiados compridos para o que está habituada, o Walter com…ah, espera. Este não precisa de nada…

Mas vamos começar a estudar tais personagens (o caso já lá iremos). Olivia encontra-se num estado demasiado complexo. O homem dos seus sonhos apareceu-lhe à frente. Meninas que lêem esta review: se o gajo que aparece nos vossos que vocês fariam? Saltavam de contente, que ver o gajo do Crepúsculo deve ser uma coisa absolutamente fantástica. Ele consegue voar (ou pelo menos por as hormonas (e outras coisas) aos saltos…sigamos?). Mas o gajo do Crepúsculo, fora voar, é algo real. Peter não é. É um homem que apareceu num lago, nu (uh uh! dizem as miúdas que há pouco estavam felizes por referenciar o Crepúsculo), e que sabe segredos que ninguém devia. Claro que a personagem fica confusa. Quer acreditar, mas é demasiado irreal para ela. Ele não deveria existir. Ele era um sonho, que se tornou realidade…Só que desta vez o sonho só deveria ser tal.

Depois temos Walter. Um homem também com dois caminhos a sua frente, e a querer escolher os dois. Walter sempre viu a morte de Peter (este Walter…o Walter 3.0) como uma paga por ter sido demasiado ambicioso. Matou um filho e viu morrer outro. Por isso, acha que todo o sofrimento trazido por tal momento é uma conta para ir pagando enquanto existir. Até agora a sua existência era muito devido a Olivia, que lutou por ele. A dupla tinha formado uma ligação muito forte: Olivia salvou Walter de si próprio, e Walter tenta agradecer a Olivia para lutar contra si todos os dias. Mas agora surge novo termo. Walter já não terá o pagamento. O filho está ali, à sua frente. A personagem ou aceita tal, ou rejeita e quer continuar a sofrer. Um homem como Walter acho que escolheria a segunda. Walter (o 1.0…estou a pensar que o 3.0 também os terá) já demonstrou que muitos fantasmas o atormentam. E aceita-os, vive com eles. São companheiros, são sofrimento ganho por querer mais do que qualquer homem alguma vez quis. Mas agora um fantasma é carne e osso. O problema não é o mesmo que Olivia. Olivia não acredita que aquilo aconteceu. Walter acredita, sabe-o, mas a sua personalidade não o deveria deixar aceitar. Ele acha-se merecedor de sofrimento…por isso não perceber bem a cena final, entre pai e filho. Sim, é a forma de avançar com a série. Mas para mim é contra-natura, e vai contra o que uma personagem deveria fazer, pelo que tem demonstrando.

Última personagem neste triângulo: Peter. O regresso que tanto lutou foi conseguido. Mas chega a um mundo onde ninguém o conhece. Ele terá de lutar contra tudo e contra todos, de forma a conseguir a voltar a ser o Peter. É alguém que foi lançado a meio da maratona, estando no meio do pelotão. Já viu que sabe, mas depois volta-se a esconder. Porque precisa de se defender. Precisa de encontrar de novo o seu espaço. Peter precisa de Walter para tentar perceber o que aconteceu. É um homem que precisa dos porquê’s das coisas. Mas também precisa de saber como se safar. E aí é que acho que está o desafio para tal…arranjar forma de descobrir como fazer tal, com o mínimo dano possível para as pessoas que ele gosta, mas não o conhecem.

Tratado esta parte, vamos ao caso? O caso é fácil. Voltaram os shapeshifters, agora diferentes, evoluídos. Género pokemons que evoluem à medida que as lutas aparecem. O retorno de tal vem trazer apenas uma coisa a série: confusão. Primeiro, é preciso saber quem é e quem não é. E depois é saber qual é o seu objectivo agora. Antigamente, peço perdão, mas já me esqueci. Mas vivemos num admirável mundo novo. Que interessa o passado? O que interessa é saber as novas motivações que tal pessoas feitas de gelatina genética querem. E saber quem comanda tais exércitos. Já agora: aquela reviravolta era tãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao previsível.

Viram como resumi o caso? Fácil, eficaz…E não houve muito mais. Fringe volta na próxima semana, de novo com a dúvida circunstância de 2+2=5. Até lá oiçam Radiohead…

Artigo originalmente escrito por Antônio Guerra e publicado no Portal de Séries.

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