Community (3×06) -Advanced Gay


Depois de dois episódios cheios de referências, Community muda a abordagem e nos da um episódio mais focado nos seus personagens e diálogos. Também é deixada para trás a estrutura de sete histórias para trazer um episódio dividido entre dois plots, de Pierce e Troy, que tem um começo, meio e fim. Confesso que nos últimos episódios me senti perdido meio de tantas referencias, sentia um pouco de saudade de simplicidade em Greendale. Foi essa saudade que “Advanced Gay” veio sanar.

No plot de Pierce, uma celebridade de internet lança uma música com os lenços Hawthornes, que viram uma sensação no meio homossexual. Ótima sacada colocar Pierce em contato com o publico gay, levando em conta que ele é a personagem mais machista do grupo. A cena inicial, em que todos começam a caçoar de Pierce é ótima por deixar que os outros integrantes se vinguem das piadas machistas que ouviram durante toda a série.

Ao perceber um grande aumento nas vendas, Pierce faz o impensável: Torna-se um defensor da causa homossexual. Foi hilário vê-lo de camisa rosa apresentando uma nova linha de lenços umedecidos para gays, ou tirando fotos com o traseiro virado para a câmera. É nesse momento que acontece a reviravolta, o quase centenário pai de Pierce, Cornelius, aparece para condenar a ligação dos lenços Hawthornes com o publico gay. Cornelius é um personagem impar por conseguir com que o racismo de Pierce pareça muito menor em comparação e  colocar o filho em uma posição de total passividade, o que leva Jeff a se intrometer e causar o infarto de Cornelius. Apesar de a trama funcionar e levar ao crescendo que culmina no discurso triunfal de Pierce no velório do pai, a série se exclui dessa personagem que poderia ter sido retrabalhada no futuro.

Confesso certo receio ao perceber que uma trama seria protagonizada por Pierce, pois “The Psychology of Letting Go” (2.03), um dos episódios mais fracos de toda a série, também o teve como protagonista.  Mas parece que os roteiristas repensaram as formas de usar a personagem, tornando-a foco de histórias mais interessantes.

A trama de Troy foi uma continuação de “English as a Second Language” (1.24) , em que ele descobre seu talento em consertar as coisas. Aqui ele é recrutado pelos humildes encanadores e pelos esnobes reparadores de ar-condicionado, sendo a ultima chefiada pelo sub-reitor. Todas as cenas de John Goodman são ótimas, com destaque para aquele em que ele e Troy passam pelo museu de consertadores de ar-condicionado que remete até aos abanadores da Grécia antiga. Colocar os dois lados como pequenas seitas que disputam o talentoso Troy me remeteu aos Jedi e Sith, porém não me ficou claro se essa é realmente uma referencia do episódio. É Abed quem tem a conversa que leva Troy a não escolher nenhuma das opções e fazer aquilo que ele tinha vontade… assistir TV.

Quase todas as referencias ficaram por conta de Abed e sua fixação pela série britânica “Dr. Space-time” (Versão Community de “Doctor Who”), que em poucos episódios já rendeu muito mais que a fixação anterior em “Cougar Town”. Foi ótima a cena final de Abed e Troy se imaginando na série, com sotaques britânicos, com um longo sobretudo enquanto são atacados pelas versão dos Daleks, os Blorgons. Identifiquei-me.

Enfim, um episódio mais calmo e fácil que, mesmo não sendo brilhante, rendeu algumas risadas.

Artigo originalmente escrito por Murillo Martins  e publicado no Portal de Séries.

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