Community (3×05) – Horror Fiction in Seven Spooky Steps


O terror talvez seja um dos primeiros gêneros cinematográficos a se firmar, tendo seus exemplares já em 1910, quinze anos após a invenção do cinema, quando este ainda começa a se desvincular do real para criar mundos fantásticos. Já no seu inicio, o cinema deu vida a grandes monstros consagrados pela literatura como Drácula, Fausto e Frankenstein, em filmes como “Nosferatu” e “Fausto” de Murnau, e “Frankestein” de Thomas Edison.

No passar de cem anos, o cinema de terror criou e recriou seus monstros e estilos, construiu e distorceu seus clichês, clichês que se construíram a partir do o uso de elementos que funcionam ao assustar e prender o expectador e é sobre esses clichês que “Horror Fiction in Seven Spooky Steps” se mantém.

Britta fez um teste escrito com o grupo e descobriu que um deles tem distúrbio de personalidade extremo, então cria uma pré-festa e pede que cada um conte uma história de terror para tentar encontrar qual deles pode ser um psicopata. Antes mesmo das histórias em si começarem alguns elementos do terror já estão lá, como às luzes piscando e os closes lentos em direção aos rostos. Como se esses elementos não fossem o suficiente a porta no fundo, que leva para fora do prédio, dá para uma escuridão completa, isso mostra que os realizadores sabem que uma das bases do terror é o medo do desconhecido.

Já na primeira história, que Britta conta, fica claro a estrutura do episódio, com cada um contando uma história diferente.  Essa primeira história evoca o terror adolescente, que foi copiado tantas vezes que se tem uma imagem clara dos seus problemas recorrentes, como as situações inverossímeis (o carro no meio da floresta, o rádio ligando na hora certa) os péssimos diálogos e atuações, a fotografia escura e os movimentos de câmera.

A história de Abed evoca o terror de enclausuramento, representado pela cabana onde o casal fica enquanto o assassino ronda. Esse pende mais para o suspense e é mais psicológico que anterior, além disso, Abed muda os diálogos para que as informações sejam dadas entre conversar, em teoria, tornando-as mais críveis, o que funcionaria se não fosse Abed contando a história e inserindo seu jeito a narrativa.

Na história de Annie se insere o terror fantástico que vai abrir espaço para as próximas narrativas, nessa história são inseridos as criaturas não-humanas como vampiros e lobisomens. Esse é provavelmente o plot com maior número de referencias ao gênero, repare na mascara em volta da cena que remete a mascara já existente em “Nosferatu”, o close do pescoço é igual aquele que acontece em “Entrevista com o vampiro”, claro que também há os novos vampiros de “Crepúsculo” nos diálogos e expressões de Jeff-vamp, principalmente quando ele tenta resistir as suas tentações para proteger a doce donzela incapaz de se defender. Legal como que os roteiristas deixam claro sua opinião sobre esses novos vampiros ao fazer com que Jeff não agüente e ataque Annie.

A próxima história, de Troy, é focada nos clássicos de experiências e cientistas loucos, note no clássico cabelo branco de Pierce que já foi usado no citado “Frankenstein” e em “Metrópolis”. Os elementos recorrentes desses terrores de ficção cientifica estão lá, como a cabana no meio da floresta, os pilotos sobreviventes, a câmera que se foca aos poucos no rosto do cientista e a bizarra experiência.

Pierce dá um novo elemento, sendo o primeiro do grupo em que o pessoal supera o gênero, sendo a primeira história que não tem ligação com terror, porém, se justifica por ter sido contada por Pierce, que é sempre distante dos outros e dos temas, além de ter sido divertido ver Troy e Abed fora do comum.

Do ponto de vista do terror, Shirley conta a mais interessante história, que se passa na cabana, aonde há uma festa dos “jovens” do grupo ouvindo música alta e consumindo drogas, quando o rádio avisa que está havendo o arrebatamento (momento bíblico em que Deus escolhe os bons, enquanto a Terra começa a ser consumida). Dean Pelton como o diabo é hilário, além do que é engraçado ver como Shirley julga os outros, porém, tem total desconhecimento da vida que levam. Interessante essa linha de “terrores bíblicos”, presente em filmes como “Deixados para Trás

Por fim, a história de Jeff faz com que todos revejam os testes e descobrem que Britta fez as provas de cabeça para baixo, levando a conclusão que são todos loucos, com exceção de um. Todos deixam por isso mesmo e vão embora, quando é revelado ao expectador que o único mentalmente saudável é Abed.

Importante notar como as histórias se ligam a personalidade dos personagens, dando-lhes relevância dramática. Não foi um episódio hilário, porém isso não é grande um problema em Community, que mesmo em episódio menos engraçados desafia os expectadores com roteiros inteligentes e bem construídos. Outro problema foi colocar esse episódio em seqüência de “Remedial Chaos Theory”, que também tinha uma estrutura de sete histórias, o que torna a injusta comparação inevitável.

Artigo originalmente escrito por Murillo Martins e publicado no Portal de Séries.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s