Community (3×03) – Competitive Ecology


“Um grupo de amigos serve tanto para reunir algumas pessoas quanto para afastar as outras.” – Autor desconhecido.

A Wikipedia define Xenofobia como medo irracional, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros, e foi essa característica do grupo de estudos que ficou mais clara nesse episódio.

Durante a aula de biologia o professor pede que os alunos formem duplas com aqueles que estão à frente, fazendo com que o grupo tenha que escolher pessoas de fora. Interessante a forma como essa cena foi construída, depois de avisar que como seriam formadas as duplas, o rosto de todas as personagens principais mostram medo enquanto a câmera vai em direção aos outros alunos. A turma está tão acostumada a estarem entre si, que a idéia de interagir com outras pessoas soa ameaçadora. Isto fica claro logo em seguida, quando todos vão até o professor para pedir que as duplas sejam formadas entre eles. O grupo está satisfeito entre si e juntos encontraram uma maneira de conviver com o ambiente de Greendale. Engraçado que mesmo o clima dentro do grupo é estranho, não apontando somente uma amizade com aspectos positivos, mas sim, cheia de brigas e conflitos, mas que mesmo assim perdura.

O professor aceita que as duplas se formem dentro do grupo, o que rende a cômica cena na qual cada um deles “terminam o relacionamento” com a dupla pré-estabelecida inicialmente. Importante como a forma de “terminar” mostra um pouco da personalidade de cada uma das personagens: Annie tenta fazer o outro se sentir bem; Britta diz que é melhor pra todos; Abed se aproveita do seu jeito estranho; Troy não se importa em criar uma boa desculpa e culpa Breaking Bad; Shirley diz um simples “sinto muito”; Jeff mente e imita Abed e por fim, Pierce é grosso. Incrível perceber como os roteiristas conhecem profundamente os seus personagens, conseguindo usar isto como uma grande tirada.

Surge o problema de o grupo ter 7 membros, impossibilitando formar as duplas só entre si, tendo como necessária a entrada de um elemento externo, personificado pelo estudante Todd, que é menosprezado durante todo o episódio. Todd aponta o estranho do grupo no fim, quando diz que eles deveriam ser amigos e gostar uns dos outros. Mas a relação deles não é só benéfica, Community deixa claro que as pessoas não são próximas só por fazer bem uns aos outros, mas por se importar. Tanto é que mesmo com as tamanhas diferenças e o desajuste de cada um, ao final eles se unem para falar mal do coitado Todd.

Um plot que rendeu boas piadas, uma boa lição e um desenvolvimento que funciona mais uma vez.

No outro plot, tivemos um dia na vida do esquizofrênico guarda Chang, que decide se tornar detetive. As referências entre esse plot e o estilo noir começam já na primeira cena, com o escuro do quarto, só uma fonte de luz provinda do centro do ambiente, a fêmea fatal representada pela perna de manequim em cima da cama (os roteiristas sabem que o poder de sedução da mulher é representado por suas pernas em alguns filmes noir), a narração em off e a grande conspiração, com direito a homenagem ao filme “Uma Mente Brilhante”, claro, no estilo Greendale. Bom ver Chang sendo mais bem aproveitado, permiti a Ken Jeong mostrar mais de sua expressividade.      No fim, o Reitor adentra no formato, diz algumas frases em off, promovendo Chang a chefe de segurança, o que pode render muito na temporada.

Um episódio que representa bem Community, com um plot cheio de referências e outro se mantendo no Universo Greendale, ambos muito bem realizados.

P.S: Incrível o monólogo do professor Kane sobre lego. 

Artigo originalmente escrito por Murillo Martins e publicado no Portal de Séries.

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